A Copa Africana de Nações surpreende positivamente. O torneio apresenta um nível técnico razoável, equipes bem organizadas e jogos equilibrados nestes primeiros dias. Nesta quinta, Alexandria recebeu Argélia 1×0 Senegal como seu principal duelo. No entanto, foi justamente a partida de fundo que realmente agradou, com emoção e futebol intenso. Rivais locais na África Oriental, Quênia e Tanzânia fizeram um confronto totalmente aberto, em que os dois times tiveram chance de vencer. Ao final, os quenianos arrancaram a virada. Valeram-se de sua capacidade no jogo aéreo e da noite inspirada do atacante Michael Olunga. O jogador do Kashiwa Reysol anotou belos gols e foi determinante no triunfo por 3 a 2, o segundo do país na história da CAN.

As seleções de Quênia e Tanzânia foram derrotadas na abertura da Copa Africana de Nações, mas fizeram partidas dignas, em que a superioridade dos adversários pesou bem mais. O confronto direto se tornava a grande chance de classificação a ambos e, por isso mesmo, dava para esperar um embate aberto. Justamente o que ocorreu em Alexandria, com dois times dispostos a jogar, buscando as jogadas ofensivas.

No início, a posse de bola permaneceu com Quênia. Todavia, a Tanzânia tinha uma postura mais agressiva e conseguia ser mais perigosa. O primeiro gol não tardou. Aos seis minutos, o chute cruzado de Mbwana Aly Samatta parou no goleiro Patrick Matasi, mas Saimon Msuva aproveitou a meta escancarada para abrir o placar. Os tanzanianos eram mais velozes nas transições, enquanto os quenianos tentavam explorar o jogo pelo alto. Poderiam ter descontado aos 22 minutos, em chance imensa da equipe. Foram duas cabeçadas no travessão, em saídas um tanto quanto estabanadas do goleiro Aishi Manula.

Com apenas 33 minutos, o técnico Sébastien Migné já deixou Quênia com um time mais ofensivo, promovendo a entrada do atacante John Avire. E, apesar de uma cobrança de falta venenosa de Ramadhan Kessy, que quase encobriu Matasi, não demorou para que a equipe empatasse. Aos 39, a Tanzânia sofreu uma pane geral em bola cruzada na área. Manula caçou borboletas e Erasto Nyoni cabeceou sem querer para o meio da área. A pelota veio limpa na risca da pequena área e Olunga emendou uma bicicleta fatal. O problema é que os quenianos mal puderam comemorar o golaço. Um minuto depois, os tanzanianos empataram. Matasi saiu mal do gol em bola disputada na linha de fundo, permitindo que Samatta fuzilasse. Sem respiro, as Estrelas de Harambee ainda tiveram outras duas oportunidades para igualar novamente antes do intervalo.

Durante o segundo tempo, o Quênia se impôs. Evitava as bolas espetadas pelos oponentes e começou a finalizar com mais frequência. Depois de uma boa defesa de Manula em cabeçada de Victor Wanyama, o segundo gol ocorreu aos 17 minutos. Após cobrança de escanteio, Ayub Timbe Masika cruzou e Johanna Omolo desviou de cabeça. A partida ficou mais franca neste momento. A Tanzânia voltaria a ser mais agressiva e pressionou o Quênia por volta dos 30 minutos, com oportunidades frequentes. Samatta era quem mais agredia, com muita movimentação e potência.

Os quenianos ainda assim respondiam e também colocavam Manula para trabalhar. Até que o arqueiro não pudesse fazer nada aos 35. Em contra-ataque, Eric Johana Omondi fez uma jogadaça e passou a Olunga na entrada da área. O camisa 14 acertou um chute no cantinho, rente à trave. Determinou o resultado favorável ao seu time. No fim, apesar da pressa dos tanzanianos, os oponentes gastaram muito bem o tempo e garantiram o triunfo. Não passaram tantos apuros assim.

A vitória não é garantia de classificação, em uma chave difícil contra Argélia e Senegal. Mesmo assim, considerando que os melhores terceiros colocados avançam, o Quênia cria suas esperanças. Pode muito bem complicar para Senegal no fechamento da chave, diante dos bons sinais que deu neste início de competição. Já os tanzanianos, apesar de contarem com um bom atacante, pecaram demais defensivamente em seus dois compromissos. Independentemente da atuação valente nesta quinta, acabaram como elo mais frágil do jogaço.

Ficha técnica

Quênia 3×2 Tanzânia

Local: Estádio Internacional de Alexandria
Árbitro: Ahmad Heeralall (Ilhas Maurício)
Gols: Saimon Msuva, aos 6’/1T; Michael Olunga, aos 39’/1T; Mbwana Aly Samatta, aos 40’/1T; Johanna Omolo, aos 17’/2T; Michael Olunga, aos 35’/2T
Cartões amarelos: Omolo, Wanyama, Matasi (Quênia), Khamis, Mwantika (Tanzânia)
Cartões vermelhos: Nenhum

Quênia: Patrick Matasi, David Odhiambo (Bernard Ochieng), Musa Mohammed, Joseph Okumu, Aboud Omar Khamis (Eric Johana Omondi); Victor Wanyama, Johanna Omolo; Ayub Timbe Masika, Francis Kahata (John Avire), Erick Ouma; Michael Olunga. Técnico: Sébastien Migné.

Tanzânia: Aishi Manula, Hassan Khamis, David Mwantika, Kelvin Yondani, Gadiel Michael; Thomas Uimwengu (John Bocco), Erasto Nyoni (Fran Domaya), Mudathir Yahya (Himid Mao), Farid Mussa; Mbwana Aly Samatta, Saimon Msuva. Técnico: Emmanuel Amunike.