Negar o uso de tecnologias no futebol é negar o avanço do esporte e os reparos que podem ser feitos em questões que geram controvérsias, como as ligadas a arbitragem. Ano passado, a Holanda deu um passo importantíssimo para que escolhas erradas de autoridades da partida não atrapalhassem o andamento do jogo. Desde setembro, auxiliares de vídeo são usados na Copa da Holanda para ajudarem os árbitros principais a tomarem decisões como na marcação de um pênalti, por exemplo. E foi nessa competição que ocorreu um lance bizarro na última quarta-feira, que só não teve um desfecho absurdo graças ao uso de vídeo.

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O duelo era entre Utrecht e Cambuur, em partida válida pelas quartas de final da Copa KNVB, a segunda principal competição dos Países Baixos. O jogo, que terminou em 2 a 2 e foi decidido nos pênaltis, estava com o placar de 2 a 1 para o Cambuur quando um jogador da outra equipe recebeu a bola na área, matou no peito e bateu na bola e, sem querer, claro, acabou chutando o rosto de um defensor adversário. Na hora, o juiz não titubeou e logo apontou para a marca do cal, sinalizando depois que a bola teria batido no braço do jogador atingido.

Com o atleta que teve a cara acidentalmente chutada estirado no chão e vários de seus companheiros contestando a decisão do árbitro – e com razão, óbvio – ele voltou atrás. Mas não sem antes ir até a beirada do campo para conferir, no vídeo, o que de fato havia acontecido no lance. Antes disso, o juiz meio que sinalizou que iria averiguar no monitor a jogada, e assim o fez. Algo inédito na Copa da Holanda, já que o uso da tecnologia, até então, só havia sido feito em ocasiões em que um auxiliar de vídeo orientou o juiz, sem que este tivesse que recorrer a uma tela para ver com seus próprios olhos.

Pelo árbitro ter voltado atrás em sua ação, o rumo da partida foi outro. Isso, no entanto, não impediu que o Utrecht conseguisse, mais tarde, empatar o jogo. A decisão acabou indo para as penalidades máximas, e o Cambuur, por um pênalti, avançou para a semifinal da Copa KNVB. Graças à tecnologia trabalhando pelo bem do futebol e por um jogo mais justo, a equipe que disputa a segunda divisão holandesa chega à penúltima fase da Copa da Holanda pela primeira vez em sua história, após uma eletrizante disputa por pênaltis com uma das equipes mais tradicionais do país.

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