A Roma atravessa uma temporada difícil, depois de provocar ilusões com a campanha até as semifinais da Liga dos Campeões. Não é de hoje que os problemas defensivos fazem os giallorossi suarem frio, antes maquiados pela excelente forma de Alisson. O preço da inconsistência, porém, se paga com juros nos últimos meses. O elenco não conseguiu se encaixar após perder peças importantes e as oscilações se tornam evidentes dentro de campo. Diante do desempenho claudicante na Serie A, tentando se aproximar do G-4, o empate cedido à Atalanta no último final de semana levou muitos torcedores a unirem vozes pela demissão de Eusebio Di Francesco. Pois, nesta quarta, a permanência do treinador parece mesmo insustentável. Os romanistas conseguiram se sair de maneira ainda pior, na visita à Fiorentina pelas quartas de final da Copa da Itália. Dentro do Artemio Franchi, a Viola não teve qualquer piedade: aplicou uma irrepreensível goleada por 7 a 1 sobre os impotentes visitantes.

Além dos deméritos da Roma, é claro, há muitos méritos da Fiorentina no resultado. O ataque violeta também atravessa uma excelente fase, como bem se viu na maluca vitória por 4 a 3 sobre o Chievo no último final de semana. Assim, o trio composto por Federico Chiesa, Luis Muriel e Kevin Mirallas transformou os romanos em meros sparrings. O jovem ponta, em especial, se torna um nome quente para as próximas janelas de transferências. Foi ele o principal carrasco dos giallorossi, ao balançar as redes três vezes e protagonizar uma exibição soberba.

Se a Roma havia aberto três gols de diferença em Bérgamo e cedeu os 3 a 3 para a Atalanta, pelo menos desta vez não teria o risco de tal derrapada. Afinal, a Fiorentina começou a partida já bombardeando a meta de Robin Olsen. Com 18 minutos, Chiesa guardou os seus dois primeiros gols, depois de ter carimbado a trave. No primeiro tento, Mirallas efetuou um cruzamento rasteiro para o italiano completar de primeira, como um centroavante. Já no segundo, mais méritos do belga, com uma enfiada de bola primorosa para o prodígio arrancar. Diante de Olsen, Chiesa teve uma frieza tremenda e deu um toquinho para encobrir o goleiro.

Quando a Roma esboçava uma reação, descontando numa bomba de Aleksandar Kolarov aos 28, Luis Muriel tratou de esfriar os ânimos cinco minutos depois. A jogada nasceu de uma lindíssima inversão de Chiesa. Pela esquerda, jogadaça de Cristiano Biraghi ao aplicar um drible da vaca em Alessandro Florenzi. O atacante colombiano estava desimpedido na área, só aguardando para escorar o cruzamento, em finalização que ainda desviou no meio do caminho. E a tripleta de Chiesa só não aconteceu antes do intervalo porque Olsen fez milagre. Naquele momento, parecia improvável uma virada romanista, apesar do exemplo deixado pela Atalanta.

As entradas de Edin Dzeko e Lorenzo Pellegrini ajudaram a Roma no início do segundo tempo. Os giallorossi assumiram o domínio do jogo e poderiam ter diminuído outra vez com Nicolò Zaniolo. O problema estava na defesa, e uma bola perdida na entrada da área permitiu que Marco Benassi anotasse o quarto aos 21 minutos. Já aos 28, a expulsão de Dzeko por reclamação permitiu à Viola aplicar sua goleada massacrante. Chiesa guardou seu terceiro no minuto seguinte. Benassi cruzou, o ponta dominou com estilo e emendou um chute forte para cima de Olsen. Já no final, a estrela ficaria com Giovanni Simeone, que saiu do banco. O argentino fez o sexto em contra-ataque, após passe açucarado do suíço Edimilson Fernandes. E encerrou a contagem a partir de um lançamento sensacional de Jordan Veretout, digno de Gerson Canhotinha de Ouro. Simeone se projetou à frente dos marcadores, antes de fechar o caixão romanista.

Esta foi a maior goleada sofrida pela Roma na história da Copa da Itália. Além disso, emblematicamente repete os 7 a 1 aplicados por Juventus (1932), Torino (1947), Manchester United (2007) e Bayern de Munique (2014). Se Eusebio Di Francesco já parecia prorrogar a sua validade à frente da equipe, sua permanência se torna praticamente insustentável depois do pesadelo em Florença. Os nomes de Paulo Sousa e Antonio Conte surgem na imprensa italiana como possíveis substitutos. Enquanto isso, a Fiorentina desfruta a sua apresentação histórica. Chiesa, em especial, agora tem um baita cartão de visitas para se afirmar como projeto de craque. Essa atuação pode mudar sua própria trajetória.