Gales se classificou à Eurocopa pela primeira vez em 2016 e logo emplacou uma campanha histórica, ao alcançar as semifinais. O ciclo da equipe não se manteve tão forte, diante da campanha pouco empolgante nas Eliminatórias da Copa. No entanto, os galeses terão uma segunda chance no torneio continental ao se confirmarem na Euro 2020. Nesta terça, a equipe treinada por Ryan Giggs precisava derrotar a Hungria em Cardiff. Não deu margem ao azar: Aaron Ramsey tomou o protagonismo para si e anotou ambos os gols na vitória por 2 a 0. Força ratificada pelos Dragões.

Não demorou para que Gales cumprisse a sua missão. A equipe empurrou a Hungria desde os primeiros minutos e abriu o placar aos 15. Gareth Bale descolou um ótimo cruzamento da direita e colocou a bola na cabeça de Ramsey, que arrematou feito um centroavante. Os galeses tiveram a chance de ampliar em mais um cruzamento de Bale, que Kieffer Moore mandou para fora. Entretanto, outro herói seria o goleiro Wayne Hennessey. Aos 34, o veterano realizou uma sequência de defesas impressionantes para evitar o tento magiar.

Melhor em campo, Gales sentia confiança. E a situação se tornou mais cômoda aos dois minutos da etapa complementar. Após uma cobrança de falta pela esquerda, Moore escorou na área e Ramsey apareceu livre, às costas da marcação. Ficou fácil para vencer o goleiro Péter Gulácsi. Depois disso, a Hungria se viu nas cordas. Não deu muitos sinais de reação. Gales dominava e poderia até marcar mais. Após uma boa jogada de Daniel James, Ramsey ainda quase completou um hat-trick, mas Gulácsi salvou. A classificação, de qualquer maneira, se encontrava no bolso dos britânicos.

O apito final permitiu uma comunhão entre jogadores e torcedores pelo resultado contundente. Apesar dos riscos, Gales passou longe de sofrer em Cardiff. A equipe terminou com 14 pontos no Grupo E, atrás apenas da Croácia. Já a Hungria perdeu duas posições. Com 12 pontos, terminou com o quarto lugar, um ponto atrás da Eslováquia, que fechou a campanha com um triunfo sobre o Azerbaijão. Húngaros e eslovacos vão para a repescagem da Liga das Nações.

Em diversos momentos históricos, Gales contou com jogadores renomados, mas raríssimas vezes isso rendeu campanhas relevantes – pelo contrário, a Copa de 1958 permaneceu por décadas como exceção. O aumento no número de participantes nas competições internacionais permite o espaço aos galeses, mas não é apenas isso que explica a ascensão. Há grandes destaques que fazem valer sua fama na equipe nacional – especialmente Bale, com toda a discussão sobre a sua situação no Real Madrid. Na comemoração, até pintou uma bandeira ironizando que o atacante “prefere a seleção e praticar golfe acima dos merengues”. Além do mais, Giggs cumpre um bom início de trabalho. Neste semestre, os britânicos ganharam quatro e empataram outros dois compromissos, sustentando a invencibilidade.

E, enquanto algumas referências atingem a maturidade, outros jogadores ascendem neste momento. Chris Mepham é uma ótima opção no miolo de zaga, enquanto Daniel James vem voando baixo. Os novatos dão opções para que os galeses possuam um time mais encorpado e encontrem a consistência. É difícil imaginar que a semifinal de 2016 se repetirá em 2020. Ainda assim, poder de decisão não é problema a uma equipe que conta com Bale e Ramsey. Os Dragões merecem tal reconhecimento. A Eurocopa garante essa geração na memória, de vez.

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