Não foi tão fácil assim, mas o Arsenal fulminou, em atuação refinada de seu ataque

Olhar apenas para o placar do Estádio Emirates pode ser um tanto quanto enganoso. Sim, o Arsenal destroçou o Ludogorets. Alexis Sánchez e Theo Walcott foram sublimes, enquanto Mesut Özil comandou a goleada por 6 a 0. Ainda assim, o time visitante fez um jogo duro em Londres, ao menos nos 45 minutos iniciais. A vitória parcial dos Gunners aconteceu graças a duas finalizações sublimes, assim como pelas intervenções providenciais de Ospina, diante do calor que os búlgaros davam com os seus contra-ataques. Já no segundo tempo é que o massacre realmente se constituiu. Uma noite que contou com a fome de gols do time de Arsène Wenger, vivendo ótimo momento na temporada, com sete vitórias consecutivas.

Mesmo sendo claramente inferior no papel, o Ludogorets não é time que costuma se esconder fora de casa. Não à toa, chegou a dar trabalho para o Liverpool há duas temporadas. Desta vez, os búlgaros mostraram os seu jogo logo nos primeiros minutos, até que o Arsenal começasse a tomar o controle. E, assim, o primeiro tento saiu aos 12, em lance de pura magia de Alexis Sánchez. O chileno marcou um golaço, deixando o marcador no chão e dando um finíssimo toque por cobertura sobre o goleiro Stoyanov. Bola nas redes, o que se mostraria importante para a sequência do duelo.

Afinal, o Ludogorets assustava pela velocidade de seu ataque. Jonathan Cafu, Wanderson e Misidjan formavam o tridente que obrigava o meio do Arsenal a correr, além de forçar Ospina a trabalhar. Os visitantes chegaram mesmo a ter mais posse de bola no primeiro tempo. E o empate não pareceu loucura, especialmente em uma bola que triscou a trave. Isso até Walcott aliviar, com maestria, aos 42. Vivendo fase artilheira, o camisa 14 recebeu de Özil e soltou o pé, mandando a bola no ângulo de Stoyanov. Tranquilidade necessária para os Gunners, que sentiam dificuldades e, até aquele momento, só viam Sánchez e Oxlade-Chamberlain chamarem um pouco mais a responsabilidade no campo ofensivo.

Para alegria dos londrinos, o Ludogorets não voltou para o segundo tempo. Não no sentido literal, mas na postura incisiva. Por mais que os búlgaros tentassem sair para o jogo, acabaram engolidos pela ferocidade do ataque do Arsenal, principalmente nos contra-ataques. Logo no primeiro minuto, o terceiro ficou a encargo de Oxlade-Chamberlain, carimbando sobra de bola. Depois, Mesut Özil orquestrou o show com três gols, em performance atipicamente artilheira do armador – foi seu primeiro hat-trick como profissional, embora já tenha metido três bolas nas redes pela Premier League.

O primeiro do alemão veio aos 11, em jogada que começou em roubada de bola cirúrgica de Laurent Koscielny. Cazorla dominou e lançou o companheiro, que não perdoou na cara do gol. Já na sequência, a entrada de Lucas Pérez valeu muito aos Gunners, substituindo Walcott. O espanhol serviu Özil no quinto, em jogada que começou em outro desarme, de Gibbs, em grande noite. Por fim, o camisa 11 fechou a conta aos 42, batendo de primeira após cruzamento de Pérez.

Passadas três rodadas, o Arsenal soma sete pontos na Champions. Vem de duas boas vitórias, contra rivais mais fracos, é verdade. Mas ganha pinta que pode sair com a liderança, considerando que o PSG não impressiona tanto assim neste início de temporada e ainda por cima terá que visitar o Emirates. O placar elástico, claro, não pode anular os perigos que os Gunners passaram. Mesmo assim, a torcida pode encher a boca para falar sobre a atuação de gala de seus atacantes. Individualmente, várias peças têm sido brilhantes. E se encaixam no coletivo de Wenger.