Eu poderia começar este texto fazendo uma comparação com o feito do Leicester ou outra grande história vivida nos gramados. Isso tudo porque, claro, a Trivela ainda é um site sobre futebol. Mas qualquer paralelo, neste momento, seria apenas para forçar barra. Porque o que aconteceu neste domingo, no sétimo jogo das finais da NBA, transcende as linhas que separam as modalidades. É um dos grandes momentos do esporte. Uma noite para sempre ser lembrada, por consagrar em definitivo um dos atletas mais completos da história: LeBron James.

Nem o roteirista de Game of Thrones escreveria uma história tão boa para o camisa 23. Depois de ser taxado de traidor ao buscar as glórias em Miami, LeBron voltou para a sua terra, para o seu time, buscando o inédito anel de campeão. Bateu na trave na primeira nova tentativa. Mas deu a volta por cima da maneira mais espetacular possível nesta temporada. O Golden State Warriors tinha o título nas mãos após fazer 3-1 na série. Perdeu, graças a atuações para a história de LeBron. O que o craque fez nestas finais é raríssimo, para não dizer único. Com a ajuda de um gênio como Kyrie Irving, o “Rei” comandou os Cavs a derrubarem o melhor time já visto em uma temporada regular da NBA. Pela primeira vez, houve uma virada tão improvável nas finais. E com um jogo sete disputado do início ao fim, de viradas, mesmo sob a pressão da torcida da casa na Califórnia. Enterrando, arremessando, pegando rebotes, dando assistências, distribuindo tocos, roubando bolas: o camisa 23 beirou a perfeição em todos os fundamentos.

E, ao fim, o monstro desabou. LeBron se ajoelhou no meio da quadra, entre os repórteres, em um choro de desabafo e realização. De quem dava um toco de mão cheia na maioria das críticas que sofreu nos últimos anos. De quem fazia Cleveland comemorar uma conquista no esporte depois de 52 anos de espera. De quem, enfim, daria os anéis aos Cavs. O abraço em Kyrie Irving complementou a união entre dois gigantes, assim como os cumprimentos de Draymond Green ofereceram o reconhecimento de seu principal oponente nas finais. Nem a repórter conseguiu conter a emoção ao lado de LeBron. Obviamente, eleito o MVP unânime em 2016.

O que aconteceu na Oracle Arena, neste domingo, serve para engrandecer o esporte. Para exaltar dois grandes times, já que os recordes dos Warriors não diminuem pelas façanhas ainda maiores do Cavaliers nas finais. E para colocar LeBron James no patamar que realmente merece ser reconhecido. Traíra ou amarelão, tudo agora é passado. Como o próprio camisa 23 mesmo disse, ele colocou suor, sangue, lágrimas, coração e tudo mais o que fosse preciso em quadra. Terminou com o sorriso, o mais espontâneo de toda a sua carreira.

Obrigado, Warriors, pelo alto nível competitivo. Obrigado, Cavs, pela vontade de não desacreditar na vitória em nenhum momento. Obrigado, Kyrie, pelos lances decisivos. Obrigado, LeBron, por provar que o maior de seus músculos é mesmo o coração.