Fernando, ex-zagueiro do Vasco na década de 1970, participou diretamente do milésimo gol de Pelé. No entanto, até hoje, passados mais de 40 anos, ele se defende: “Eu não fiz o pênalti”.

Em entrevista exclusiva à Trivela, Fernando conta o que sentiu quando o árbitro Manoel Amaro de Lima assinalou pênalti. Tendo jogado também no Vitória, Bahia, Fluminense de Feira e Leônico, ele lamenta ser lembrado apenas pelo lance, e não por toda carreira.

Como foi o ambiente pré-jogo?
A gente não queria que Pelé fizesse o milésimo gol neste jogo. A nossa intenção era não deixar ele marcar.

Você acha que o juiz pode ter facilitado para que Pelé fizesse o milésimo gol?
Acho que sim, porque é muita coincidência, em um jogo entre Santos e Vasco no Maracanã e Pelé tentando fazer o milésimo gol, não terem escalado um árbitro de São Paulo ou do Rio de Janeiro. E esse juiz fez essa lambança no Maracanã.

Quando você cometeu o pênalti em Pelé, o que passou na sua cabeça?
Desespero. Eu não fiz o pênalti. Nós do Vasco não queríamos que Pelé fizesse um gol no Maracanã.

Até hoje você é lembrado por causa desse pênalti…
Exatamente. Todos os anos, assim que se aproxima o aniversário do milésimo gol, eu dou entrevista. Eu sou lembrado por esse gol de Pelé e não pelo futebol que eu joguei.

O que significou para você ter participado do milésimo gol do Pelé?
Muita tristeza. Ninguém quer tomar um gol. Principalmente no Maracanã, com a torcida do Vasco.

Como é ter marcado o Pelé?
Na época, jogava-se com quatro jogadores na frente, dois no meio e quatro atrás. Então cada defensor marcava um atacante. Eu marcava o Pelé. Cheguei a ser elogiado por ele porque eu não dava pontapé.

Pelé foi o jogador mais difícil que você marcou?
Pelé é um jogador completo que não tem comparação. Um jogador como ele nunca mais irá aparecer no futebol.