Não faz sentido Corinthians e Flamengo recusarem a proposta do Fifa 16

Os clubes teriam uma exposição fácil em um dos jogos de futebol mais vendidos do mundo sem oferecer muita coisa

Para evitar problemas judiciais, os clubes brasileiros ficaram fora do Fifa 15, edição do ano passado do jogo da EA Sports, mas o desenvolvimento da próxima versão trouxe a boa notícia: quase todos os nossos times estarão disponíveis no game. Quase. Corinthians e Flamengo não gostaram da proposta financeira e devem assinar exclusivamente com a Konami para o Pro Evolution Soccer, segundo matéria do site da ESPN Brasil.

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O texto traz os valores oferecidos aos dois clubes de maior torcida do Brasil pelos direitos de usar o nome, a camisa e os jogadores deles no jogo de videogame. São R$ 30 mil para o Corinthians (porque inclui a Arena) e R$ 20 mil para o Flamengo. De fato, diante de um orçamento cotado em milhões, é dinheiro de troco, embora mais que o recebido pelos outros times, por volta de R$ 15 mil.

A argumentação da dupla é que a quantia é insignificante também em comparação ao que a empresa ganha mundialmente. Verdade. A EA Sports teve um lucro bruto de US$ 720 milhões apenas no último quarto de 2014, o terceiro do atual ano fiscal, valor que corresponde a todas as propriedades da empresa, físicas ou virtuais. O Fifa é um dos jogos mais importantes para impulsionar essa quantia monstruosa, mas, convenhamos, não é por causa dos clubes brasileiros, pelo menos em um contexto mundial.

Pode fazer alguma diferença no mercado brasileiro. É legal jogar com o seu time no videogame, mas, no geral, os brasileiros não fazem isso com muita frequência. Por um motivo simples: os jogadores são ruins. A maioria tem média abaixo de 80, não corre, erra passes e domínios. Usá-los em uma reunião de amigos pode ser divertido durante algum tempo. Usá-los na internet contra times muito melhores chega a ser um desafio quixotesco. E bater com a cara em moinhos de vento, em um momento que deveria ser de relaxamento e diversão, cansa.

Sem uma liga ou uma entidade representativa, a EA Sports também tem dificuldades para juntar os jogadores brasileiros para escanear os seus rostos e trabalhar os detalhes. Foi o que, aliás, atrapalhou a presença deles no Fifa 15. Tanto que, com a exceção de um ou outro astro, os atletas têm visuais genéricos e pouco precisos, assim como alguns estádios e gritos de torcida.

A Premier League não divulga os valores, mas certamente ganha muito mais do que a soma dos clubes do Brasil. Além de impulsionar as vendas mundialmente, oferece o escaneamento 3D de mais de 200 jogadores, os 20 estádios da competição reproduzidos em detalhes, inclusive as músicas dos torcedores, e os gráficos da transmissão oficial. Cria o ambiente perfeito de uma partida de Campeonato Inglês na qual você controla os jogadores.

Para negociar um valor maior, os clubes brasileiros precisariam negociar juntos. Mas, mesmo depois da implosão do Clube dos 13 em 2011, ninguém por aqui parece ter dominado esse conceito. Sozinhos, Corinthians e Flamengo não oferecem tanto para a EA Sports para exigir quantias muito maiores. Recusar o que foi oferecido não parece muito inteligente. Primeiro, porque poderia valer a pena assinar com as duas principais franquias de jogos de futebol de videogame, mesmo com a Konami oferecendo bastante pela exclusividade. De acordo com o Estado de S. Paulo, R$ 450 mil. Segundo, porque não terão trabalho nenhum para aparecer no Fifa 16 e ganharão em troca, além do dinheiro, exposição fácil da sua marca em um dos jogos de futebol mais vendidos do mundo.

Atualizada às 15h18 com os valores da matéria do Estadão.