Juanmi é um dos nomes mais importantes da Real Sociedad na boa temporada que faz o time basco. Participativo, com faro de decisão e dono de onze gols, o atacante divide a segunda posição da artilharia dos Txuri-urdin com Carlos Vela e vive um dos melhores momentos de sua carreira. Um dos tentos anotados pelo camisa 7, aliás, aconteceu nesta terça-feira, no empate por 2 a 2 com o Eibar, outro time que briga por uma vaga em competição europeia. E sua comemoração por ter aberto o placar acabou originando um episódio que prova que árbitros fogem de interpretação de lances e têm, cada vez mais, preguiça de pensar (e olha que o que ocorreu com Juanmi não exigia muito isso). Seja no Brasil ou na Espanha.

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Em seguida ao gol que fez a Real sair na frente, aos 14 minutos do primeiro tempo, o atacante ergueu a camisa que estava usando para mostrar uma outra que tinha por baixo. A roupa branca que antes estava escondida estampava dizeres em homenagem a Pablo Ráez, um garoto que ficou conhecido em toda a Espanha por sua luta de incentivo a doação de medula óssea e morreu com leucemia na última sexta. “Sempre forte, D.E.P. Pablo Ráez”, dizia a camisa usada por Juanmi, que tinha Pablo como conterrâneo – ambos são de Málaga – e acompanhou sua batalha para sobreviver. A lembrança acabou se convertendo em um cartão amarelo, mostrado logo depois do camisa 7 ter feito sua homenagem a ido celebrar com seus companheiros de time o gol.

Algo idêntico aconteceu no Brasil no ano passado. Jonathan Calleri, então atacante do São Paulo, perdeu seu melhor amigo em um acidente de carro e resolveu homenageá-lo em um jogo. Na ocasião, o tricolor paulista jogava com o Vitória no Morumbi, pelo Campeonato Brasileiro. Logo após ter feito 1 a 0 para o time anfitrião, o argentino tirou a parte de cima do uniforme para mostrar uma camisa em que estava estampada uma foto de seu grande amigo em uma partida do São Paulo em casa, com a camisa da equipe paulistana. E, por isso, foi amarelado pelo juiz, que seguiu a regra de que o jogador que tirar a camisa dentro das quatro linhas e com a bola rolando deve ser punido. Na Espanha, um pouco diferente, o cartão foi dado por conta do atleta ter tampado o rosto com a roupa (Juanmi não chegou a tirar).

E foi por conta da falta de vontade do juiz Alberto Undiano Mallenco entender o que havia acontecido, de interpretar a cena, que, mais tarde, a Real foi prejudicada sem ter completado 20 minutos do segundo tempo. Juanmi acabou cometendo uma falta inocente no início da segunda etapa, a qual o juiz pensou que fosse digna de cartão amarelo. Dessa forma, o camisa 7 foi expulso, juntando a pena da jogada ao polêmico cartão em função da homenagem Pablo Raéz. A essa altura, a partida estava empatada em 1 a 1, mas os Txuri-urdin ainda conseguiram, pouco tempo depois da expulsão de Juanmi, virar o jogo. A conta de ficar com um jogador a menos apareceu nos acréscimos, com o Eibar fazendo 2 a 2 e tirando dois pontos da Real em Anoeta.

Embora o episódio do cartão amarelo por causa da homenagem ao garoto que faleceu tenha gerado muita controvérsia e deixado muitas pessoas irritadas com a falta de sensibilidade do juiz, o pai de Pablo se limitou em dizer, em entrevista, que o que o atacante da Real Sociedad fez foi emocionante. “Juanmi é um craque por ter feito isso. Me emocionou. Se algum dia tiver a sorte de encontrá-lo, vou dizer a ele que foi um gesto muito bonito”, falou Paco Ráez em conversa com o canal de televisão espanhol Cuatro. Nas redes sociais, o jogador pediu desculpa pela falta cometida no segundo tempo, que desencadeou sua expulsão, mas repetiu a homenagem a Pablo escrevendo “sempre forte” no fim de sua mensagem no Instagram.