* Por Kamila Villarreal

Após o fiasco da seleção brasileira feminina na She Believes Cup, nos Estados Unidos, o técnico Vadão precisará se reinventar. A 91 dias da maior competição do futebol feminino, não há expectativas de mudança em seu esquema de jogo ou muito menos a tão sonhada renovação.

 

O treinador voltou ao cargo de maneira polêmica, após a surpreendente demissão de Emily Lima, que ficou apenas dez meses no cargo. A justificativa dada pela CBF sobre a saída da treinadora foi a série de maus resultados (13 jogos, 7V / 1E / 5D), principalmente diante de seleções do Top 10 da FIFA, como Alemanha, EUA e Austrália. Vadão voltou e nada mudou.

São sete derrotas nos últimos sete jogos, sendo três na She Believes Cup, contra Inglaterra (2×1), Japão (3×1) e Estados Unidos (1×0), seleções tradicionais no futebol feminino. Mas não são só os resultados que preocupam: é visível que as ideias de Vadão são limitadas. Ele usou um 4-2-4 nos jogos da SBC, chegando a escalar Andressa Alves, atacante do Barcelona, na lateral direita. Alguém consegue imaginar o Philippe Coutinho sendo escalado na lateral pelo Tite? Pois é.

Além disso, a renovação que deveria ser feita, tendo em vista que é a última Copa para Formiga, Cristiane e talvez Marta, não está sendo realizada como se deveria. Muitos nomes presentes nas últimas convocações são contestados pela torcida e promessas em ascensão estão ficando de fora. De novidades mesmo, apenas as jovens Geyse (Benfica) e Kerolin Nicoli (Palmeiras/Valinhos), grandes apostas do futebol feminino nacional.

No grupo da Copa, o rival mais forte do Brasil é a Austrália, algoz no Mundial passado. As Matildas vêm melhorando ano após ano, apesar da polêmica recente envolvendo o antigo treinador Alen Stajcic, demitido no mês passado após denúncias de comportamento inadequado. A Jamaica é estreante em Copas e vê em sua principal estrela, Khadija “Bunny” Shaw, a esperança de gols; o time tem como embaixadora Cedella Marley, filha do cantor Bob Marley. A Itália cresce ainda mais após o campeonato, que era amador, passar para os cuidados da FIGC (federação italiana) e também contar com investimentos de clubes de peso como Juventus, Milan e Roma.

O salto que o futebol feminino vem dando ao redor do mundo é significativo, como nunca antes visto, e isso se prova em alguns números: a FIFA divulgou que os ingressos para a final, que será realizada no Groupama Stadium, se esgotaram em 31 minutos, assim como, até o momento, mais de 600 mil ingressos foram vendidos.

Já no Brasil, pela primeira vez os jogos serão exibidos pela maior emissora do pais, a TV Globo. A fornecedora de material esportivo está preparando camisas exclusivas para o time – infelizmente, segundo fotos vazadas, ainda com as estrelas conquistadas pelos homens. Além do mais, também existirão conteúdos midiáticos voltados à seleção feminina. Porém, os bastidores não são bons. Além de Vadão, a direção da CBF parece andar contra a corrente, justamente ao manter alguém tão despreparado para o comando das mulheres.

Quem acompanha o futebol feminino sabe que a seleção brasileira vai passar vergonha na França. E mais triste é que quem comanda a seção feminina aparenta não estar nem aí para isso. Agora, se o futebol feminino já é tão mal falado, imagine com a transmissão de um possível vexame em rede nacional? Se a imprensa não fizer uma cobrança contundente e críticas embasadas, diante desta pasmaceira, o futuro do futebol feminino – e da Seleção – é nebuloso.

*Kamila Villarreal é jornalista e escreve no The Citizens BR, assim como no Resenha e Outras Coisas.