Um filósofo do futebol de nome Jardel disse certa vez que “clássico é clássico e vice-versa”. Quando se trata de rivalidade, melhor que ganhar é ganhar do rival. Melhor que ganhar do rival só se a vitória coloca a rival em situação complicada. A Roma conseguiu exatamente isso nesta segunda-feira. Um clássico sempre vale muito, e a vitória por 2 a 1 neste momento foi duplamente saborosa para os torcedores da Roma. A vitória garantiu o time como segundo colocado, e, portanto, vaga direta na fase de grupos da Champions League. Além disso, deixou a Lazio com um abacaxi nas mãos: visitará o estádio San Paolo na última rodada para um confronto direto com o Napoli pela vaga no principal torneio europeu.

LEIA TAMBÉM: A final de Champions que fez o mais cético dos torcedores acreditar em milagres

O jogo não era exatamente empolgante. O empate mantinha os dois times em uma situação confortável – tanto Roma, segunda colocada, quanto Lazio, terceira, se garantiam na Champions League. É, mas se tem algo difícil é que um clássico como Lazio x Roma ficar um jogo morno, sem competitividade, um empate de co-irmãos. A Roma queria a vitória. Afinal, como dizem no truco que a primeira mão vale um caminhão, em um clássico de rivalidade tão exacerbada, não importa as posições das equipes: vencer o clássico vale um caminhão.

Eram 27 minutos do segundo tempo quando Nainggolan arrancou com a bola pelo meio. O belga, que se tornou um dos jogadores mais importantes do time na temporada, abriu no lado direito com Ibarbo. Como um antigo ponta direita, ele avançou até a linha de fundo, já dentro da área, e cruzou rasteiro para o meio. Quem fechou pelo meio foi o ponta do outro lado, Iturbe, que tocou de pé esquerdo para marcar o gol. Um gol que, àquela altura, nem mudava tanto assim as coisas em termos de classificação. Mas é um gol sobre a Lazio, então a loucura tomou conta do jogador. Iturbe arrancou a camisa, se jogou no chão. A comemoração foi uma loucura coletiva, com os companheiros. Mas era cedo para comemorar demais.

Aos 36 minutos, Felipe Anderson fez um lindo cruzamento para Klose na segunda trave, que escorou para Djodjevic marcar de cabeça e empatar o jogo. O empate era suficiente para a Lazio se garantir na Champions League e transformar o último jogo em um amistoso. Só que se era cedo para a Roma comemorar quando abriu o placar, era cedo para a Lazio também. Aos 40 minutos, cruzamento para a área da Roma e Mapou Yang-Mbiwa tocou de cabeça e desempatou novamente o jogo. Outra vez, uma loucura dos jogadores em campo, decepção dos torcedores azuis e brancos nas arquibancadas.

A vitória leva a Roma a 70 pontos, inalcançável na segunda posição, já que a Lazio ficou com 66. O Napoli de Rafa Benítez tem 63 pontos e, portanto, precisaria de uma vitória sobre a Lazio em casa para se classificar à Champions League, na fase preliminar. Isto porque em caso de empate por pontos, o primeiro critério de desempate é o confronto direto. A vitória do Napoli garantiria vantagem neste sentido. A Lazio precisa de um empate em Nápoles para não ver a vaga escorregar por entre os dedos. Uma situação que o time chegou pelas mãos da Roma, que agora assistirá de camarote a rival se desesperar pela classificação ao principal torneio do continente europeu.

Despedida ou provocação?

A comemoração dos jogadores da Roma após o jogo foi de título. Se garantir na Champions League foi importante, ainda mais vencendo a rival e a deixando na corda bamba para a classificação para o mesmo torneio. Totti esteve em campo e foi substituído, mas depois do jogo apareceu com a camiseta “Game Over”. Não ficou claro se foi uma provocação à Lazio pela complicação na classificação ou se uma despedida do ídolo do derby eterno. Não parece que ele vá se aposentar, mas a mensagem deixou um certo mistério no ar.