Com tantas estrelas, sobretudo nas posições de meio de campo e ataque, era de se esperar que o artilheiro da Premier League em 2014 fosse algum dos craques de Chelsea, Manchester City, Manchester United ou Liverpool. Mas nem Diego Costa, Agüero, Yaya Touré, Daniel Sturridge ou Wayne Rooney fez mais gols neste ano que Wilfried Bony, do modesto Swansea. Há uma série de fatores que contribuíram para que o marfinense terminasse no topo do ranking de artilheiros em 2014, mas há também, é claro, seu próprio mérito, especialmente atuando em uma equipe apenas de meio de tabela.

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Bony fez ao todo 20 gols na temporada. Seguindo de perto o atacante do clube galês, aparecem Sergio Agüero, com 18, Yaya Touré, com 17, e Wayne Rooney, com 16. A primeira das explicações para que o camisa 10 terminasse na ponta é o fato de que fez muito mais partidas que seus concorrentes. Conseguiu os 20 tentos em 38 partidas. O que mais chega perto no número de jogos entre esses outros três é Touré, com 34 jogos disputados, mas até por atuar mais recuado, como meio-campista, é compreensível que tenha feito menos gols.

Agüero poderia facilmente ter superado Bony. Para fazer 18 gols, precisou de apenas 23 jogos. Sem nenhum imprevisto, a fase impressionante que vive teria lhe garantido a artilharia em 2014, mas o argentino conviveu com muitas lesões e não conseguiu ter uma grande sequência de partidas. No entanto, foi impressionante ver como o atacante do City não precisou de períodos de adaptação a cada retorno de lesão. Seu impacto era sempre imediato.

Wayne Rooney, por outro lado, teve outro dificultador. Além de jogar mais recuado que em outras temporadas, esteve em um time que teve muitas dificuldades durante o ano, primeiro com David Moyes e sua trágica passagem como técnico do United. Depois, com Van Gaal, que levou alguns jogos para demonstrar evolução, mas que agora parece estar no caminho certo rumo ao melhor que o time de Manchester pode apresentar. Todos esses fatores foram importantes para que Bony terminasse como artilheiro do ano, mas não podemos ignorar o próprio feito do marfinense.

Na temporada 2014/15, por exemplo, anotou oito gols e deu três assistências para que companheiros marcassem. Participou, portanto, diretamente de 11 dos 24 gols marcados pelo Swansea nestas primeiras 19 rodadas, quase metade do total. Sua importância para o time fica clara em situações como a da partida desta segunda, contra o Liverpool. Sem criar muitas chances e pressionado pelos Reds, o time, sempre que tinha a bola, buscava definir a jogada com o marfinense, apesar de contar com outros jogadores que provaram ter capacidade de exercer também protagonismo, como o próprio Sirgurdsson, autor do único gol galês na derrota por 4 a 1.

Bony dificilmente terminará a atual temporada como artilheiro. Não tem como competir com um Diego Costa, de média de gols incrível e que já soma 13 na competição. Ou mesmo com Agüero, que mesmo contundido tem 14 e lidera o ranking. O que o marfinense pode fazer é manter o objetivo de contribuir com o Swansea na busca por uma vaga em competição europeia. Outra briga nada fácil, e que não depende apenas dele, mas, atualmente, bem mais tangível que essa glória individual. Por agora, é hora de aproveitar o feito, independentemente dos fatores, e, é claro, colocar no currículo. Não é para qualquer um, não.