Ao menos momentaneamente , a Itália voltou a contar com a segunda liga nacional mais bem ranqueada na Uefa. Os resultados desta rodada da Liga dos Campeões impulsionaram os italianos à vice-liderança do Ranking de Países, que determina o número de vagas nas competições continentais – embora não tenha efeitos neste salto. A Serie A superou a Premier League, aparecendo atrás apenas de La Liga, com folga na primeira colocação. Aumenta o simbolismo também sobre o que aconteceu entre terça e quarta: pela primeira vez desde 2005/06, quatro representantes italianos venceram seus compromissos pela Champions na mesma rodada.

O grande vitorioso certamente foi o Napoli. Por mais que jogasse no San Paolo, havia certa dose de favoritismo ao Liverpool, pela excelência das atuações recentes dos Reds. Pois o time de Carlo Ancelotti conseguiu fazer seu jogo com mais competência e assegurou a vitória por 1 a 0 já nos minutos finais, graças ao tento de Lorenzo Insigne. Um resultado significativo, que ainda refaz os celestes após o empate com o Estrela Vermelha na primeira rodada da competição. A Internazionale também merece seu reconhecimento, ao chegar à segunda vitória, de novo virando o placar, desta vez contra o PSV. Desponta em uma chave que se mostrava complicada e vai brigar pela liderança com o Barcelona. A Roma não vinha em boa fase, mas arruma a casa e goleou o Viktoria Plzen para se motivar, com os 5 a 0 no marcador. Tranquilidade parecida à da embalada Juventus, que pulverizou o Young Boys por 3 a 0. As tripletas de Edin Dzeko e Paulo Dybala deixam ambos em evidência.

O mais interessante é notar como os 100% de aproveitamento em 2005/06 remetem a outra era do futebol italiano, antes do Calciopoli e com resquícios do dinheiro abundante das décadas anteriores. Os jogos valeram pela quinta rodada e, ainda que não tenham rendido a classificação de todos, indicavam equipes significativamente fortes na competição. A começar pelo Milan, vice-campeão na temporada anterior. O time de Carlo Ancelotti visitou um Fenerbahçe que não teve Alex, mas possuía Anelka e Appiah entre seus destaques. Pouco ao esquadrão de Dida, Maldini, Nesta, Pirlo, Kaká, Gattuso, Rui Costa e, principalmente, Shevchenko. O artilheiro esteve impossível naquela noite em Istambul. Anotou todos os quatro gols na goleada por 4 a 0 dos italianos. Destaque à facilidade do time nas tramas, à velocidade de Sheva no ataque, à participação de Serginho no apoio e aos lançamentos magistrais de Seedorf, também protagonista.

A Internazionale foi outra a golear, mas teve vida fácil no San Siro. Os adversários dos nerazzurri eram o Artmedia Bratislava, clube eslovaco que tempos depois faliria e seria refundado. Na escalação de uma Inter ainda em jejum na Serie A, monstros do porte de Verón, Recoba, Figo, Samuel, Cambiasso, Júlio César e Zanetti. Já o protagonismo ficou com Adriano. Depois que Figo abriu o placar, o camisa 10 completou sua tripleta. Era o ápice da potência do centroavante, combinando mobilidade e uma capacidade enorme de definição. A boa trama no terceiro tento é a cereja do bolo, botando os nanicos na roda.

Nacionalmente, a Juventus contava com a equipe mais forte daquela época. O grupo de Fabio Capello dominava a Serie A, apesar dos desdobramentos que tiraram seus Scudetti por conta do Calciopoli. Ainda assim, era um timaço com Del Piero, Vieira, Nedved, Camoranesi, Trezeguet, Thuram, Cannavaro, Emerson e Zambrotta. No gol, curiosamente, Abbiati atuou naquela partida. E havia um jovem Chiellini, ligação entre os dois momentos históricos, 13 anos depois. Em Turim, a Velha Senhora bateu o Club Brugge apenas por 1 a 0. Festa garantida por Del Piero, já no fim do segundo tempo, aproveitando um lançamento sensacional de Nedved para cumprimentar de cabeça.

Por fim, o “azarão” da vez era a Udinese. Azarão em partes, porque era necessário respeitar o time estrelado por Di Natale e Iaquinta, que ainda contava com De Sanctis, Sensini, Di Michele, Muntari e Candela. Ganharam um jogo difícil, ao virarem sobre o Panathinaikos por 2 a 1 na Grécia. Charalambides abriu o placar aos anfitriões. Já os tentos dos friulani saíram depois dos 36 da segunda etapa, com Iaquinta e Candela – este, num chutaço de fora da área. Os bianconeri foram os únicos italianos que não alcançaram os mata-matas naquela Champions, atrás apenas no saldo de gols de um fortíssimo Werder Bremen. O líder da chave foi o Barcelona, que terminaria com a taça.

Obviamente, as circunstâncias ajudam as quatro vitórias italianas, seja em 2005 ou em 2018. Também vale ponderar que, durante muito tempo, a Serie A contou apenas com três representantes na Champions, seja por incompetência de seus times nas preliminares ou pela queda no coeficiente. Ainda assim, há um significado que vem à tona.

A sugestão de pauta veio do leitor Heitor Castro. Valeu!