O último grito de campeão do futebol sul-americano ecoou na noite desta quarta-feira. O San José de Oruro empatou por 1 a 1 com o Royal Pari, no confronto direto realizado dentro do Estádio Jesús Bermúdez, e confirmou a conquista do Torneio Clausura do Campeonato Boliviano. É o quarto título nacional de La V Azulada, o primeiro desde 2007. Além do feito um tanto quanto raro na história do clube, os orureños também se confirmam na fase de grupos da Copa Libertadores. Estarão no Grupo D, o mesmo de Flamengo, Peñarol e LDU Quito.

Semifinalista no Apertura, o San José manteve o ritmo forte no equilibrado Clausura. Na disputa concentrada principalmente com o Royal Pari, El Equipo Mineiro pecou pela fragilidade defensiva e pelos tropeços no início da campanha. Em compensação, embalou a partir de meados de agosto, contando com a produtividade de seu ataque. O setor ofensivo dos azulados anotou 71 gols, média de quase três por partida. Assim, massacrou parte dos adversários e ganhou confiança na reta final do torneio, com apenas duas derrotas em todo o returno. Embora o Royal Pari seguisse na cola, os orureños sustentaram a vantagem. E, no compromisso final, três pontos à frente, dependiam apenas de um empate para confirmar o título. Missão cumprida com o 1 a 1 desta quarta, no qual Jair Reinoso abriu o caminho à taça, apesar da igualdade cedida através de John Jairo Mosquera.

Um dos grandes personagens da campanha é o técnico Eduardo Villegas. Como jogador, o meio-campista faturou o título nacional por três clubes diferentes. Além de celebrar com Strongest e Bolívar, também ergueu a taça com o San José em 1995, encerrando um jejum de quatro décadas dos orureños. Virou treinador em 2005, assumindo o próprio San José, e desde então botou a faixa no peito outras vezes no Campeonato Boliviano. Repetiu os feitos com o Strongest, tricampeão à frente dos aurinegros, assim como consagrou Universitario de Sucre e Jorge Wilstermann. Já desta vez, reencontrou sua própria história em Oruro. Com o feito no Clausura, o veterano acumula dez títulos na liga, quatro como jogador e seis como técnico.

Em campo, algumas das principais figuras são estrangeiras. O goleiro Carlos Franco, o defensor Marcos Barrera e o meia Javier Sanguinetti formam a legião argentina. Formado no Bonsucesso e bastante rodado na Bolívia, Marcelo Gomes é o representante brasileiro. Já o mais preponderante é o colombiano Jair Reinoso, de 33 anos. Ao longo da carreira, o atacante defendeu clubes como Nantes e Cobreloa, mas quase sempre com um pé na Bolívia. E depois de rodar por vários grandes locais, chegou ao San José para se consagrar como artilheiro. Entre Apertura e Clausura, foram 25 gols em 43 jogos. Vale mencionar ainda, entre os bolivianos, o capitão Didi Torrico e o matador Carlos Saucedo. Aos 39 anos, o Caballo Saucedo foi artilheiro do campeonato pela quinta vez, a quarta com a camisa de La V Azulada. Balançou as redes 18 vezes neste Clausura.

Mesmo esparsas, as conquistas do San José no Campeonato Boliviano são bastante valorosas. O primeiro título veio em 1955, um ano depois da integração de outras cidades à liga de La Paz. Os orureños se tornaram os primeiros “forasteiros” a levar a taça, com uma equipe comparada com os Mágicos Magiares por seu futebol ofensivo. A reconquista veio 40 anos depois, em 1995, o primeiro sob o profissionalismo, em anos áureos ao futebol boliviano com sua seleção. Já em 2007, o terceiro troféu se deu em campanha cheia de reviravoltas, com os gols decisivos do brasileiro Álex da Rosa. O título desta semana é o primeiro desde o falecimento do garoto Kevin Espada.

Esta será a sétima participação do San José na Libertadores, a terceira nesta década. Representa a relevância conquistada pelo clube, em processo iniciado nos anos 1990. Imaginar a classificação dos azulados aos mata-matas, no entanto, parece bastante difícil – ainda mais em uma chave tão equilibrada, com três campeões continentais. A altitude de Oruro pode atrapalhar, mas o objetivo dos bolivianos será mesmo arrancar os seus pontos e, quem sabe, descolar uma vaga na Copa Sul-Americana. Ao glória ao menos permite desfrutarem da visibilidade continental, angariando ainda um pouco mais de fundos para que a equipe se mantenha competitiva.