Aos 33 anos, Arda Turan teoricamente ainda possui algum tempo para atuar em bom nível. A vontade do meio-campista, entretanto, se torna uma enorme questão. As últimas temporadas do turco foram marcadas por problemas disciplinares e clara falta de empenho. Parece ter se desinteressado pela carreira quando já era aclamado. A chama do veterano, em compensação, pode se reacender no clube com o qual possui sua relação mais forte. Nesta quarta, Turan foi reapresentado pelo Galatasaray, onde estourou e viveu ótimos momentos.

Turan é cria das categorias de base do Galatasaray. O meio-campista começou a ganhar mais espaço quando foi emprestado ao Manisaspor, mas voltou aos Leões para se transformar em referência na equipe durante a virada da década, antes mesmo de completar 20 anos. O meio-campista era o grande criador do time, jogando não apenas nas pontas, mas também muitas vezes centralizado na armação. Era um frequente garçom, também anotava um bom número de gols e se colocava como o melhor jogador turco em atividade – a ponto de ganhar o prêmio da federação em 2008 e 2009. Foi capitão do time a partir dos 21 anos e, até por seu estilo de jogo mais intenso, ganhou a idolatria em Istambul – embora só tenha conquistado uma vez a Süper Lig.

Lesionado, Turan jogou pouco no Galatasaray durante sua última temporada. Saiu com 44 gols e 76 assistências em 191 partidas – ainda a melhor média de sua carreira. Foi ao Atlético de Madrid em 2011/12 e, a partir de então, a história se torna mais conhecida. O turco foi um dos protagonistas no início do trabalho de Diego Simeone e brilhou nas campanhas mais importantes dos colchoneros naquele período – o título da Liga Europa em 2011/12, a conquista de La Liga em 2013/14, o vice na Champions também em 2013/14. Foi por isso que ganhou peso no mercado e saiu valorizado no Barcelona. Nunca aproveitou a oportunidade no Camp Nou.

Durante os últimos cinco anos, a face mais acomodada de Turan se escancarou. Não parecia muito disposto a fazer valer o investimento do Barça, até que o clube perdesse a paciência. Virou depois um reforço do endinheirado Istambul Basaksehir, igualmente sem emplacar. Titular esporádico na equipe ascendente, sequer fazia por merecer o espaço. As confusões se acumulavam, gerando suspensões e até mesmo sua despedida da seleção após tentar estrangular um jornalista em 2017. No último ano, foi condenado por porte ilegal de armas (ao dar tiros para causar pânico em um hospital) e também por agressão (em outro episódio, em uma discoteca), mas a pena de quase três anos acabou compensada com o pagamento de uma fiança.

Turan deixou o Basaksehir em janeiro. Fez parte da campanha vitoriosa na Süper Lig com aparições insignificantes e sequer ficou para consumar o título. Naquele momento, até declarou que gostaria de voltar ao Galatasaray, o que gerou reações mistas entre os torcedores e também problemas internos. Enquanto o técnico Fatih Terim (passando por cima das rusgas nos tempos de seleção) abriu as portas ao veterano, o presidente do clube recusou a ideia. Durante os últimos seis meses, o meia seguiu ainda vinculado ao Barcelona, até que ficasse sem contrato. No fim, o presidente Mustafa Cengiz cedeu e levou o antigo capitão de graça ao Galatasaray.

Exceção feita aos salários pagos, a aposta do Galatasaray não representa tantos riscos. O contrato foi assinado por um ano, com opção de renovação por mais um. É um jogador renomado para um time que não disputou o título na última temporada e que apenas se classificou às preliminares da Liga Europa. Resta saber se os Leões terão o apelo necessário para que Turan volte a ser o que um dia já foi. O maior interessado precisa ser ele. E, aos 33 anos, não deve ter outra chance desse tamanho em seu país. Terá que justificar a idolatria dos torcedores na Türk Telekom Arena, relembrando os velhos tempos. Se ainda tem alguma ambição na carreira, este é o momento. Mas Turan precisa querer.