Na Sul-Americana com cara de Libertadores, Boca x River resgata épica semifinal de 2004

Há 10 anos, Boca x River faziam a semifinal da Libertadores com direito a confusão na Bombonera e Tevez calando o Monumental

A Libertadores 2014 teve um jeitão de Copa Sul-Americana. Afinal, as semifinais entre San Lorenzo, Bolívar, Nacional Querido e Defensor já garantiam um campeão inédito. Praticamente o oposto da Sul-Americana 2014, cheia de camisas pesadíssimas. O primeiro duelo estava definido desde quarta, entre dois ex-campeões continentais: o São Paulo deverá ter vida dura contra o Atlético Nacional, que vive boa fase nos últimos anos. Enquanto isso, a outra chave contará com um clássico enorme entre River Plate e Boca Juniors. Se os gigantes argentinos se ausentaram da Libertadores recentemente, darão muito peso a essa edição do torneio.

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Pela forma como passaram às semifinais, dá para esperar por dois grandes clássicos portenhos. O Boca enfiou 4 a 1 no Cerro Porteño e deixou para trás as desconfianças das fases anteriores. Já o River bateu o Estudiantes pela segunda vez, por 3 a 2, e chegou à 30ª partida de invencibilidade, sua maior série na era profissional, desde 1931 – isso mesmo, nem La Máquina da década de 1940 ficou tanto tempo sem perder. Por isso mesmo, o favoritismo é dos Millonarios. No entanto, não se pode questionar a mística dos “Reyes de Copas” xeneizes nos torneios continentais.

E o confronto remete exatamente a uma semifinal que os rivais disputaram em 2004. Naquela ocasião, Boca e River se enfrentaram por um lugar na decisão da Libertadores. Duelos inesquecíveis principalmente para Tevez, em seus últimos momentos com a camisa azul y oro. No jogo de ida, Schiavi garantiu o 1 a 0 xeneize em La Bombonera, em partida quentíssima que contou com três expulsos e até “cenas lamentáveis”. Prévia para um dos maiores dérbis da história do futebol argentino.

Lucho González abriu o placar para os Millonarios, mas Carlitos empatou aos 44 do segundo tempo. Em jogo de torcida única, o craque calou os 65 mil albirrojos presentes no Monumental e acabou expulso após imitar uma galinha. O River ainda ganhou sobrevida no terceiro minuto dos acréscimos, com um tento do garoto Nasuti. Os 2 a 1 no placar, sem vantagem nos gols fora, levaram a decisão aos pênaltis. Para Abbondanzieri se consagrar, defendendo a penalidade de Maxi López. O forte River, que ainda tinha Mascherano, Cavenaghi e Marcelo Salas, estava eliminado. Avançava o Boca de Carlos Bianchi, que acabaria surpreendido pelo Once Caldas na final. A história do clássico, porém, estava feita.

Um confronto para ninguém se esquecer: