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O que temos visto na Serie A é o esperado. A Juventus lidera, com a Inter, sempre vista como a potencial principal concorrente ao título, em segundo lugar, dois pontos atrás. Só que o time que mais chamou a atenção nesta primeira metade de campeonato foi outro. A Lazio, de Simone Inzaghi, é quem termina em alta, com 10 vitórias consecutivas e um inesperado ataque ao topo. O time tem quatro pontos a menos que a Juve, mas um jogo a menos. E um artilheiro explosivo, que chegou a 20 gols em 18 jogos. Com tudo isso, não há como excluir os biancocelesti da disputa pelo título neste momento.

A temporada não começou bem para a Lazio. Havia muita dúvida se a continuidade de Simone Inzaghi seria boa para o clube, depois de rumores do interesse do Milan durante a pré-temporada. No fim, os rossoneri ficaram com Marco Giampaolo, que durou pouco no cargo. Derrotas seguidas para a Spal, na Serie A, e Cluj, na Liga Europa, deixaram o time sob questionamentos. Viria ainda a derrota para a Inter, terceira nos primeiros seis jogos oficiais do clube na temporada. O jogo virou, porém.

A derrota para a Inter foi a última da Lazio na Serie A. O time ainda perderia duas para o Celtic e outra para o Rennes, e isso custaria a classificação no torneio europeu, mas na Serie A, o desempenho entrou em ascensão. O time embalou vitórias do dia 27 de outubro até a rodada passada, quando venceu o Napoli por 1 a 0 no dia 11 de janeiro. É o recorde de vitórias seguidas da Lazio na Serie A.

Simone Inzaghi, que era uma dúvida no começo da temporada, parece ter encontrado uma forma de tirar o melhor do time. A equipe tem atuado com três defensores, sendo o brasileiro Luiz Felipe um deles, ao lado do destaque do setor, Francesco Acerbi, e Stefan Radu. No meio-campo, Lucas Leiva tem jogado muito bem como primeiro jogador de marcação e tem ao seu lado um jogador que é um tanque: Sergej Milinkovic-Savic, que tem brilhado.

Na área criativa, Luis Alberto tem sido um grande camisa 10, armando o time e com 11 assistências até aqui. Joaquín Corrêa é outro que tem ido muito bem. Até mesmo Felipe Caicedo, supostamente reserva de Ciro Immobile, tem jogado, às vezes ao lado do italiano, e corresponde.

Immobile, porém, é o grande nome até aqui. Os 20 gols em 18 jogos falam por sim, mas a sua capacidade de decisão tem sido enorme. Dos seus 20 gols, seis foram marcados depois dos 35 minutos do segundo tempo (80 minutos de jogo). É o artilheiro da Serie A, com seis gols de vantagem para Cristiano Ronaldo e Romelu Lukaku (ambos com 14 gols, mas Cristiano Ronaldo com 16 jogos, enquanto Lukaku tem 19).

A Lazio se Inzaghi tem problemas no banco de reservas. Há poucos jogadores no banco que podem mudar algo no jogo. O seu time titular é capaz até de vencer a Juventus, jogando melhor, como vimos em dezembro, no duelo entre eles, e também na Supercopa da Itália. Só que a Serie A é uma maratona e, por isso, ter um elenco mais qualificado é importante para essa longa jornada.

O time titular da Lazio já mostrou ser capaz de causar estragos em qualquer adversário. A dúvida é se nesta segunda metade o time terá forças para seguir assim. Seja como for, o time já mostrou que pode ao menos conseguir uma das quatro vagas para a Champions League, o que já seria algo importante para a equipe.

Neste momento, porém, sonhar é possível e, mais do que isso, desejável. Um eventual título igualaria os biancocelesti à rival Roma em scudettos, o que seria uma grande conquista. Sonhar ainda é de graça e o time tem feito por onde. Resta tentar manter o pique da remada – e se não terá contusões ou ausências que pesem contra.

Uma Juventus em transição

Maurizio Sarri com Cristiano Ronaldo (Getty Images)

Embora seja líder, a Juventus tem o problema de falta de uma certa alternância dentro dos jogos, o que era esperado diante da troca de técnico. Massimiliano Allegri ficou cinco anos na Juventus e é um técnico completamente diferente do seu sucessor na Velha Senhora, Maurizio Sarri. O maior sucesso na carreira do treinador é o Napoli, que justamente fez frente à Juventus de Allegri com um futebol muito mais ofensivo, com muitos passes e envolvendo o adversário. Até por isso, Sarri variou muito o esquema tático no início da temporada, tentando encontrar o melhor caminho.

Na temporada passada, a Juventus não era o time de mais posse de bola na liga. Terminou atrás de Inter, Napoli e Atalanta na temporada 2018/19. O time de Allegri tinha apenas a quarta maior posse de bola. Nesta, é o líder no quesito. Curiosamente, a Inter, sua concorrente mais próxima no momento, é apenas a oitava equipe em média de posse de bola. A Lazio, terceira colocada, é a 10ª. Por outro lado, o time era defensivamente mais sólido, permitia menos chutes a gol (11,7 contra 12,4 em média por jogo), por exemplo.

Com tudo isso, a Juventus conseguiu retomar a liderança na última rodada do primeiro turno e ficar com o título simbólico de inverno, que dá mais confiança para a equipe. Mesmo em transição, perdendo o capitão Giorgio Chiellini no começo da temporada por uma lesão grave e com variações no esquema tático para chegar ao melhor rendimento, a Juventus segue como favorita ao título.

Até porque tem Cristiano Ronaldo e tem também Paulo Dybala, que se recuperou sob o comando de Sarri. Até Gonzalo Higuaín voltou a ser importante, a ponto de cobrarem que o atacante seja titular ao lado de Ronaldo e Dybala, algo que Sarri ainda é muito relutante em fazer, restringindo a apenas alguns momentos.

De qualquer forma, a experiência e a mentalidade vencedora da Juventus estão lá e isso, junto à campanha feita até aqui, coloca o time como o favorito, ainda que menos que nos últimos anos. E nos últimos 25 anos, o time que virou o turno na primeira posição só não conquistou o título em seis. Mais um dado positivo para a Velha Senhora.

Inter sofre com irregularidade

Antonio Conte com Romelu Lukaku (Getty Images)

Antonio Conte foi a principal contratação da Internazionale para voltar a brigar pelo título da Serie A e ele entrega, até aqui, o que se esperava: um time competitivo, que está perto da Juventus e é definitivamente candidata ao título, ao menos do que vimos até aqui. Esta é a parte boa do primeiro turno da Inter. A parte ruim é que o time teve um desempenho inconsistente e conseguiu muitas vitórias sem jogar bem e a falta de consistência é a principal razão dos tropeços da equipe.

O técnico reclama da falta de opções no elenco, o que ficou agravado pelas lesões. Duas das principais contratações, Stefano Sensi e Nicolò Barella, se lesionaram e o time perdeu muito da sua qualidade no meio-campo. Alexis Sánchez, outro que chegou para encorpar o elenco, foi outro a se machucar só retornar recentemente. Isso complicou os planos de Conte para rodar o time e substituir. Assim como a perda de Kwadwo Asamoah, levando à promoção de Cristiano Biraghi como titular. A iminente chegada de Leonardo Spinazzola é justamente para suprir esse problema.

O retorno dos dois jogadores de lesão na última rodada e também a possível chegada de Christian Erikssen certamente melhoram a qualidade do elenco, dando opções para o meio-campo. Entre os meias, Sensi não tinha substituto, assim como Barella. Eriksen seria uma opção importante, até para o time titular. O técnico também quer um centroavante e Olivier Giroud é o principal nome – e Gabriel Barbosa, vulgo Gabigol, segue vinculado ao time, mas não será aproveitado.

Os reforços serão importantes para Conte tornar o time mais consistente e mais próximo de ter um desempenho que faça brigar pela ponta da tabela. O trabalho de Conte tem muitos méritos, mas também tem problemas. A reclamação de falta de elenco reverbera quando vemos que nenhum gol do time foi marcado por um jogador que veio do banco.

Por outro lado, o time tem sofrido demais para manter o mesmo desempenho ao longo dos 90 minutos. Tanto que, se considerarmos apenas os placares do primeiro tempo na Serie A, a Inter seria líder com 12 pontos de vantagem para os rivais. Está na hora do técnico conseguir corrigir esse problema para, enfim, ser a anti-Juve que pretende. Porque saber como conquistar o título, ele sabe.

FUORICLASSE

Inspiração divina

A Lazio surpreende pela campanha, mas não dá para dizer isso da Atalanta. A Dea de Gian Piero Gasperini é a quarta colocada, repetindo o que vinha fazendo na temporada passada. Já goleou alguns times, incluindo o Milan, e é o melhor ataque da Serie A, com 49 gols (o segundo, a Lazio, tem 41). Além do maestro Alejandro Papu Gómez, Jjosip Ilicic tem sido decisivo e Luis Muriel tem guardado seus gols – são 10 até aqui.

Cagliari com cores brasileiras

O Cagliari faz uma ótima campanha na Serie A, em sexto na tabela, com 29 pontos, mas vem sofrendo nas últimas rodadas. São quatro derrotas consecutivas, que colocam o time em estado de alerta. Apesar disso, o time segue no alto, embora já com o Parma no retrovisor, um ponto atrás. Quem tem sido o destaque até aqui é o João Pedro, brasileiro formado no Atlético Mineiro, ex-Palermo, que já fez 11 gols em 19 jogos.

O outro Inzaghi

Simone Inzaghi tem feito um trabalho de muito sucesso na Serie A pela Lazio, mas seu irmão tem conseguido brilhar também. Pippo Inzaghi, que na carreira de jogador conseguiu mais destaque atuando por Juventus e Milan, é o técnico do Benevento. O clube vai dominando a Serie B, com 46 pontos em 19 jogos. É o campeão de inverno da Serie B e encaminha a sua promoção. O Pordenone, segundo colocado, tem 34 pontos, 12 atrás do líder. Será que teremos os dois Inzaghi se enfrentando na Serie A na próxima temporada?