O Cerro Porteño é um dos clubes de história mais rica na América do Sul. Segundo maior campeão paraguaio e terceiro em número de participações na Libertadores, o Ciclón, no entanto, nunca disputou sequer uma decisão de torneio continental. O jejum serve de chacota aos rivais, mas também de motivação à obsessão constante dos azulgranas. E, nesta quinta, o clube conquistou uma classificação na Copa Sul-Americana com uma atuação para referendá-lo como candidato ao título. O Cerro eliminou o Independiente Santa Fe, dono da última taça. Após a derrota por 2 a 0 em Bogotá, os paraguaios tinham uma missão difícil em Assunção. Venceram por 4 a 1, em noite cardíaca, com o gol decisivo saindo apenas aos 44 do segundo tempo. Em meio à loucura da torcida no Estádio Olla Azulgrana, fecharam com o maior drama a emocionante rodada das oitavas de final do torneio continental.

O primeiro tempo contou com uma exibição fantástica do Cerro Porteño. Em apenas 10 minutos, o Ciclón já havia revertido o placar da ida e garantido ao menos a disputa por pênaltis. Cecílio Domínguez anotou os dois tentos do time da casa, aumentando a pressão vinda das arquibancadas. E a festa parecia completa aos 44, quando Domínguez ainda serviu Silvio Torales, para marcar o terceiro. Naquele momento, a classificação estava com os azulgranas, em situação parecida com a do Santa Cruz diante do Independiente Medellín, nesta quarta.

Assim como no Arruda, o Santa Fe deu um banho de água fria na torcida já na parte final do segundo tempo. Aos 33, Jonatan Gómez converteu pênalti e ia retomando a vaga nas quartas de final aos colombianos. Porém, o Cerro conseguiu encontrar forças para concretizar o milagre. Ele veio aos 43, novamente com o herói Cecílio Domínguez. O chute de primeira passou pelo goleiro Robinson Zapata e morreu nas redes. A partir daquele momento, já não havia mais como derrubar os azulgranas.

cerro

Apenas quinto colocado no Campeonato Paraguaio, o Cerro Porteño vem de sete vitórias nos últimos nove jogos e possui um elenco de nomes conhecidos. Entre os mais experientes estão Marcos Cáceres, Álvaro Pereira, Carlos Bonet, Pablo Velázquez, Marcelo Estigarribia e José Maria Ortigoza. Além disso, o técnico Gustavo Florentín conta com uma dupla talentosíssima de meias: Silvio Torales, vice-campeão da Libertadores com o Nacional em 2014, e o próprio Cecílio Domínguez, jovem de 22 anos trazido do Sol de América, autor de 12 gols na atual edição da liga nacional. Não à toa, ambos decidiram nesta quinta.

Dá para confiar em uma boa campanha do Ciclón. Nas quartas de final, o adversário e outro colombiano, o Independiente Medellín. E, por aquilo que apresentaram nas oitavas, a vantagem é azulgrana.