O Liverpool completou dez rodadas de invencibilidade, sendo sete vitórias neste caminho. Mais importante do que isso, ficou a apenas uma vitória de entrar na zona de classificação da Liga dos Campeões. O triunfo suado sobre o Southampton dentro do Estádio St. Mary’s tem enorme valor. Por ser um confronto direto, claro, em que o golaço de Philippe Coutinho acabou abrindo o caminho por 2 a 0 no placar. Mas também pela entrega dos Reds. Se na maioria da arrancada a equipe se notabilizou pela intensidade ofensiva, desta vez o time de Brendan Rodgers deu sangue para uma grande atuação na defesa.

Os motivos para a preocupação em St. Mary’s eram evidentes. Se o Southampton vencesse, abriria sete pontos de vantagem sobre o Liverpool, uma distância considerável com 12 rodadas restantes. No entanto, os Reds tiveram a sorte de definir rapidamente. E de maneira magistral. Aos três minutos, Philippe Coutinho recebeu na intermediária e disparou um petardo, indefensável para o goleiro Fraser Forster. Mais uma prova concreta da fase espetacular do brasileiro, o jogador mais decisivo do elenco neste momento.

O problema é que o Southampton não aceitaria assim tão fácil o desperdício de pontos dentro de casa. E a pressão começou logo no lance seguinte, com Simon Mignolet operando um milagre com o pé direito para evitar o empate de Eljero Elia. O primeiro sinal da tônica que se seguiria durante o restante da partida. Os Saints mantinham a posse de bola e tinham amplo domínio do campo. Só não conseguiam atravessar as trincheiras dos Reds, que se protegiam de maneira magistral na entrada de sua área. Embora o meio-campo fosse mais leve, sem Lucas Leiva e Gerrard, conseguia evitar os maiores perigos e se esforçava demais. Porém, a grande noite era mesmo do tridente defensivo dos visitantes.

Skrtel comandava a proteção pelo alto, soberano nas bolas alçadas na área. Enquanto isso, a segurança pelos lados era muito bem garantida por Lovren e Emre Can – este, passando por um excelente momento no clube, também por sua qualidade na saída de bola. Por mais que o Southampton fosse agudo e explorasse bastante as suas pontas, não tinha tanto poder de criação. E ainda sofria com uma noite bastante segura de Mignolet.

O Liverpool passou 63 minutos sem sequer arriscar a gol. Concentrado na segurança de sua defesa, só voltou a ameaçar a meta de Foster aos 18 minutos do segundo tempo. A partir daquele momento, também contava com o cansaço do Southampton. E um erro dos anfitriões bastaria para os Reds definirem a vitória. Na verdade, vieram em dose dupla, a partir de um passe errado de Schneiderlin na intermediária e do escorregão de Targett ao tentar afastar o perigo da área. Na sobra, Sterling não perdoou e anotou o segundo tento aos 27, para definir o marcador em St. Mary’s.

A cada rodada, o Liverpool reforça o seu amadurecimento coletivo. Do time que sofreu com a venda de Luis Suárez, hoje os Reds possuem um conjunto ainda mais forte do que na temporada passada. Afinal, a dependência de um craque é ainda menor, por mais que os talentos individuais resolvam. E, recuperada a intensidade ofensiva, a consistência da defesa contra o Southampton confirma as credenciais da equipe em lutar pela Champions – algo que muitos davam como impossível até dezembro. Na sexta posição, o Liverpool está a dois pontos do Top Four. E somente o Arsenal consegue se aproximar do fôlego dos Reds em 2015. Neste momento, o time de Brendan Rodgers só depende de si, o que, nesta fase, é excelente. Embalo importante para pegar o Manchester City na próxima rodada.