Quando começou França x Holanda, a segunda partida do grupo 1 da liga A dentro da Liga das Nações da Uefa, a torcida francesa presente ao Stade de France neste domingo esperava que Kylian Mbappé fosse o previsível destaque para abrilhantar uma provável vitória da campeã mundial contra a Laranja. Até começou sendo assim. No entanto, o destaque da vitória por 2 a 1 coube àquele considerado o “patinho feio” da campanha vitoriosa na Copa recém-passada: Olivier Giroud, autor de um gol que evitou a decepção dos adeptos franceses.

Como já dito, no começo da partida, os Bleus justificaram plenamente a massiva manifestação da torcida, com mosaicos evocando a conquista de há menos de dois meses e festa para após o jogo (com direito à presença de Hugo Lloris e Steve Mandanda, dois goleiros presentes na Copa e ausentes na convocação atual). Mal havia transcorrido um minuto, e Mbappé quase marcou num contra-ataque, em chute defendido por Jasper Cillessen. Era o sinal de que o camisa 10 causaria muitos problemas à defesa holandesa, que já se planejava com três homens para tentar pará-lo (Daley Blind teria Ryan Babel para ajudar em algo no meio-campo, e Virgil van Dijk, para a sobra).

Essa tentativa de nada adiantou: com amplo espaço para os passes em profundidade, a França impôs um ritmo veloz nos primeiros 15 minutos de jogo. E ainda contou com “auxílio” holandês no primeiro gol, aos 13 minutos: ao tentar recuar uma bola para reiniciar a jogada, Quincy Promes apenas deixou Blaise Matuidi livre para cruzar. E com a defesa holandesa despreparada, Mbappé apareceu com o gol vazio para fazer 1 a 0. Em vantagem, os Bleus puderam deixar a Holanda com posse de bola. Só que a velocidade que sobrava nos franceses faltava nos visitantes: sem espaço nem rapidez, a Oranje simplesmente não deu um chute a gol nos 45 minutos iniciais. Aliás, sequer ameaçou as proximidades da área de Alphonse Aréola.

A seleção da casa nem precisava acelerar de novo o ritmo: mereciam algum destaque apenas as atuações de Matuidi, Mbappé e dos laterais Benjamin Pavard e Lucas Hernández (e no caso de Pavard e Hernández, apenas pela constante aparição recebendo a bola). Mas seguia dominando no começo do segundo tempo, tal a falta de pressão da adversária. Porém, a Holanda fez algumas mudanças úteis para si. Uma delas foi fartamente responsável pelo crescimento do time: Memphis Depay trocou de posição com Babel, que ficou mais na área. Na primeira jogada em que isso se viu, Georginio Wijnaldum chutou perto, aos 21 minutos. Um minuto depois, o empate, com Babel escorando cruzamento de Kenny Tete, cuja atuação era contestada até ali.

Crescia a esperança laranja para obter um resultado que alimentasse seu machucado ego – até porque, na defesa, Matthijs de Ligt se destacava ao evitar os avanços franceses. Todavia, aos 30 minutos, um personagem criticado desde a Copa, até vaiado em alguns momentos do jogo, foi quem conseguiu motivos para sorrir. Benjamin Mendy teve espaço dado por Tete para cruzar da esquerda, e Giroud se antecipou à marcação de Van Dijk para chutar forte e fazer o gol da vitória. Substituído por Ousmane Dembelé no final do jogo, Giroud pôde sorrir: quem esperava Mbappé como o herói do dia, viu sua imagem como símbolo da vitória francesa. De quebra, ainda pode se gabar de ter superado um certo Zinedine Zidane na lista histórica de goleadores da seleção francesa (32 gols, contra 31 de Zizou). À Holanda, resta o consolo: com as devidas melhoras (no ataque, por exemplo), terá um time capaz de performances dignas.