Em seus dois primeiros jogos pelas eliminatórias para a Copa do Mundo, a Alemanha voltou umas dez casas no jogo da vida e reviveu um cenário comum até a metade dos anos 2000. Na época, o time não jogava nada, mas ganhava os jogos na inércia da tradição contra adversários mais fracos e assim se classificava para o Mundial. Foi assim contra Ilhas Faroe e Áustria. O Nationalelf somou seis pontos na tabela, mas não convenceu ninguém.

Contra as Ilhas Faroe, a vitória era o curso natural das coisas. E veio com alguma dificuldade. A perspectiva era a de uma goleada histórica, uma surra daquelas de lavar a alma. Mas não. Foi um 3 a 0 bem protocolar, com um belo gol de Mario Götze e dois de Mesut Özil. Ninguém se atreveu a se empolgar na AWD Arena, em Hannover. Foi um trabalho feito com má vontade, por mais que o goleiro das Ilhas Faroe tenha sido um dos melhores jogadores em campo.

Contra a Áustria, um time que mais parece um combinado das equipes intermediárias da Bundesliga, a coisa foi ainda pior. Os alemães foram dominados durante a maior parte do primeiro tempo e correram um sério risco de perder a partida. Acharam um gol no fim, em um chute de Marco Reus que contou com a falha do goleiro Robert Almer, e outro no início da segunda etapa, com um pênalti estúpido cometido por Martin Harnik em Thomas Müller. Tomou um gol depois e só não levou o empate porque a bola do jogo caiu nos pés de Marko Arnautovic, sem goleiro, na pequena área. O atacante do Werder Bremen perdeu o gol de maneira bizarra, quando o relógio marcava 44 minutos do segundo tempo.

De positivo contra a Áustria, fica a atuação de Mats Hummels, que salvou o time. Mesut Özil, com um passe e um gol, ainda mostrou que manda naquele meio-campo. Isso, é claro, quando resolve sair do esconderijo em que se encontra na região central para produzir algo útil. Marco Reus, apesar do gol, esteve mal, assim como Thomas Müller. E Mario Götze, que teve um tempo inteiro para convencer Joachin Löw a entrar no time titular, não convenceu ninguém. Parado na esquerda, perdeu quase todas as jogadas que tentou.

No ataque, Miroslav Klose foi completamente inoperante. Com os pés e com a cabeça. Mas pode ser absolvido, já que a bola não chegou em nenhum momento em boas condições para que ele pudesse finalizar. Lukas Podolski até tentou alguma coisa, mas pouco produziu como centroavante no lugar de Klose. Sami Khedira e Toni Kroos tiveram participação discreta, assim como Holger Badstuber. Philipp Lahm e Marcel Schmelzer foram mal. O primeiro errou uma saída de bola e quase deu o gol de empate para a Áustria. Foi salvo por Manuel Neuer, que saiu nos pés de Harnik e ficou com a bola.

Schmelzer, por sua vez, errou quase tudo o que tentou. Falhou no gol austríaco ao levar um drible comprometedor de Arnautovic e praticamente não deu opções no ataque. Muito diferente do jogador que chega sempre bem na frente no Borussia Dortmund e, justamente por isso, é pedido na seleção. Do outro lado, o excelente Christian Fuchs, do Schalke 04, fez grande partida pela Áustria, que além dele possui David Alaba para a posição.

Outra coisa positiva desses dois jogos é que o time conquistou os seis pontos. Em um grupo com a Suécia, tropeçar contra times menores significa correr alguns riscos desnecessários de ir para a repescagem. Mas já ficou bem claro que o declínio após a semifinal da Eurocopa é visível. Joachin Löw precisa fazer com que sua equipe recupere a motivação e a vontade de passar por cima dos adversários sem anotar a placa. Se não fizer isso, o time pode perder o status de favorito à Copa do Mundo de 2014, e descer para o segundo escalão do futebol mundial.