Protagonismo. Esta palavra foi muito usada para descrever a transferência de Neymar do Barcelona para o Paris Saint-Germain. Na sua coletiva de apresentação ele negou que esse tenha sido um motivo. Seja como for, o que se viu no seu primeiro jogo com a camisa do clube – e a camisa amerela, aliás – foi um time que gira em torno do brasileiro. A vitória sobre o Guingamp por 3 a 0 poderia ter ocorrido com ou sem o brasileiro, claro, dada a diferença entre os times. Mas o que se viu em campo foi um time que passou a olhar para o seu principal jogador em busca de jogo.

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Camisa 10, ele atuou na mesma posição da época de Barcelona, na esquerda do ataque, mas uma função diferente. Por vezes ele veio para o meio buscar o jogo, armar jogadas e não só finalizar. O jogo passou muito por ele. Nos primeiros 45 minutos, ele tentou chute de fora, deu passe para Marquinhos acertar uma bola na trave de peixinho e levou perigo.

O primeiro gol da partida saiu no segundo tempo, com uma falha terrível da defesa do Guingamp. Jordan Ikoko, livre no meio da área, recuou para o goleiro em um movimento incompreensível. O goleiro tentou evitar a tragédia, mas não conseguiu. Com tanta preocupação com o ataque adversário, o goleiro Karl-Johan Johnsson não esperava que tivesse que defender um chute do lateral direito Ikoko, aos sete minutos da etapa final.

Neymar, então, fez o que se espera dele no PSG: foi o craque. Ele deu uma enfiada de bola perfeita para Edinson Cavani sair na cara do gol e o camisa 9, com tranquilidade, tocou no canto para marcar 1 a 0, aos 17 minutos. O time de Paris encontrava espaços, inclusive no contra-ataque.

Com o placar em 2 a 0, o jogo ganhou um ritmo menos acelerado. O PSG continuou forçando o jogo com Neymar, o mais criativo jogador em campo. O brasileiro tentou o seu gol aos 336, em um chute bem feito, rasteiro, mas que o goleiro Johnsson defendeu.

O gol acabou por sair logo em seguida. Ele tocou para Cavan na esquerda, Kurzawa tentou de cabeça, a bola sobrou para Cavani na esquerda, que tocou para trás, rasteiro, para Neymar completar com o gol vazio: 3 a 0. Se no gol anterior foi Neymar para Cavani, desta vez foi Cavani para Neymar.

Como era a principal atração do jogo, Neymar tocou muito na bola. O construtor de jogadas é Verratti e, por isso, foi ele quem mais deu toques na bola ao longo da partida, com 140. Thiago Motta, primeiro volante e que faz a saída de bola, foi o segundo a mais tocar com 135 toques. Neymar foi o terceiro na lista: 127 toques na bola.

O primeiro jogo de Neymar pelo PSG tem pouco que pode ser analisado em termos técnicos e táticos, dada a diferença entre os dois times. O que deu para ver é que a diferença entre o Neymar do Barcelona e o do PSG é que neste segundo ele é o centro, os outros jogadores o procuram mais, ele é de quem se espera o coelho na cartola. Foi só o primeiro jogo, mas já foi o PSG de Neymar.