O Campeonato Espanhol anunciou seu retorno e apresentou o calendário para a conclusão da temporada. La Liga recomeça no próximo dia 11, com mais 11 rodadas pela frente, em encerramento previsto para 19 de julho. Para evitar o contágio do coronavírus, os jogadores precisarão seguir um protocolo sanitário e todas as partidas acontecerão com portões fechados. Assim, diversas torcidas ao redor do país resolveram se posicionar e protestar contra a retomada. Questionam a real importância do futebol neste momento e também a validade de realizar os jogos sem ninguém presente.

“Não volta o futebol, volta o negócio de vocês” foi o lema repetido em diversas cidades. A frase faz referência ao próprio slogan da competição, que diz “não é futebol, é La Liga”. As faixas foram colocadas diante dos centros de treinamento, mas não apenas por lá, ocupando também vias públicas na Espanha. O envolvimento foi mais forte principalmente entre os ultras de clubes médios, a exemplo de Valencia e Sevilla.

Vale dizer que não foram apenas as torcidas da primeira divisão que protestaram, mas também algumas da segundona. No acesso, existe a possibilidade de que o Las Palmas abra seus portões e receba um público limitado. Segundo o presidente do clube, Miguel Ángel Ramírez, o governo das Ilhas Canárias teria dado permissão à presença de espectadores. Entretanto, a questão não deve ser tão simples, diante da discussão sobre o benefício esportivo que poderá se resultar – quando o restante do país mantém seus estádios fechados.

O plano atual na Espanha estima que La Liga só receba um terço do público quando a próxima temporada começar, entre agosto e setembro. A capacidade seria ampliada para metade dos assentos no final do ano e somente em 2021 existiriam perspectivas de casa cheia no Campeonato Espanhol. Obviamente, tal projeção depende diretamente do controle da pandemia no país, evitando novas ondas de contágio.

A prioridade de La Liga em sua retomada é evitar um rombo financeiro maior aos clubes e demissões em massa. O presidente Javier Tebas esteve entre os dirigentes mais ativos para apontar o prejuízo e pleitear o retorno das competições profissionais junto ao governo. A primeira e a segunda divisão na Espanha retornarão integralmente. Já na terceira e na quarta, a federação optou por antecipar os playoffs e realizar um modelo reduzido para definir o acesso, sem descenso. A decisão da Copa do Rei entre Athletic Bilbao e Real Sociedad, por sua vez, deverá aguardar a permissão ao público para que aconteça.