Na primeira quinta-feira de dezembro, a torcida do Flamengo mais queria viver o seu carnaval. E por mais que a chuva tenha atrapalhado a multidão que lotou o Maracanã, seria mesmo dia de festa. O bonde não estava completo. Jorge Jesus preferiu escalar um “bondinho”, com apenas quatro titulares. Pois a fase anda tão boa que os rubro-negros, de novo, aplicaram uma goleada impiedosa sobre o Avaí. Os titulares mantidos seguiram gastando a bola, a garotada aproveitou a brecha e a voracidade do time se manteve até com o campo pesado. Resultado: 6 a 1 no marcador, numa despedida pra lá de gloriosa da magnética neste Brasileirão.

Depois da cerimônia de entrega das faixas pelos títulos nacionais, que incluiu também o sub-17 e o sub-20, o Flamengo parecia disposto a cumprir a vontade de sua torcida. Desde os primeiros minutos, jogou com uma vontade de quem desejava golear. E o primeiro gol precisou de apenas dez minutos para sair, na jogada ensaiada que tanto vem dando certo ao time de Jorge Jesus. Em cobrança de falta na faixa central, Rafinha se projetou sozinho pela direita. Teve liberdade para fazer o cruzamento e conectou com Lincoln, que só ajeitou para Arrascaeta. O uruguaio acertou um bonito chute para vencer Vladimir.

Mesmo com a vantagem, o Flamengo continuou martelando e Everton Ribeiro chegou a carimbar o travessão. O Avaí, do outro lado, cometeu a ousadia de provocar os rubro-negros. O empate saiu aos 21 minutos. Lourenço arriscou de longe, a bola bateu na trave e nas costas de César. Um gol de sorte que não abateu o Fla, mantendo sua fúria. Vladimir adiava o segundo gol, até que não tivesse o que fazer aos 36. Diego arriscou de fora da área e contou com um desvio para acertar o ângulo.

Gabigol era o grande personagem da noite antes que a bola rolasse. A permanência do artilheiro para 2020 é uma das principais questões na Gávea. E, diante daquela que poderia ser a sua despedida no Maracanã, o herói da Libertadores fez valer a plaquinha: teve gol do Gabigol. Saiu aos 38, num chute de longe que quicou e matou Vladimir. O atacante ainda ficou próximo de fazer o quarto antes do intervalo, tirando tinta da trave.

Num jogo com ritmo de amistoso, o Flamengo não se cansou de balançar as redes. O Avaí até deu trabalho a César durante o segundo tempo, mas os 45 minutos finais seriam dos Garotos do Ninho. Lincoln comemorou o dele aos 11. Arrascaeta brigou pela bola e o centroavante mandou no canto de Vladimir, num plástico sem-pulo. Logo depois, deixaria o campo para dar lugar a Reinier, que roubaria a cena na reta final do confronto.

Gabigol bem que tentou ampliar sua contagem no Brasileirão. Preciosista em diversos momentos, o centroavante desperdiçou alguns bons lances, enquanto Vladimir teve méritos em outros. O matador acumula 25 tentos no Brasileirão. É a maior marca do Brasileirão de pontos corridos com 20 times (desde 2006) e também a oitava maior marca da história da Série A, independentemente do formato da competição. Nesta quinta, Gabigol igualou os números de Careca no Brasileiro de 1986. E a impressão é de que poderia ter se aproximado dos 28 de Reinaldo em 1977 e de Guilherme em 1999.

César operaria uma defesa impressionante numa bomba à queima-roupa de Vinícius Araújo, aos 21 minutos. E a fonte de gols voltou a brotar nos minutos finais, duas vezes com Reinier. O substituto marcou seu primeiro aos 38, numa envolvente troca de passes, de pé em pé. O adolescente recebeu de Diego, dominou e bateu de bico para superar Vladimir. Por fim, repetiria o placar da maior vitória do Flamengo no campeonato aos 43, ao se esticar para completar o cruzamento de Rafinha. O árbitro sequer deu acréscimos. Se rolassem, dava para imaginar que o sétimo viria, diante de um adversário já entregue.

A goleada em campo complementava a festa nas arquibancadas. Luzes de celulares e cânticos embalavam o esperado carnaval. Os rubro-negros pediam o “fico de Gabigol”. Além disso, também poderiam viver plenamente sua despedida do time no Maraca antes do Mundial de Clubes. Neste momento, tudo é alegria ao clube. E o que acontecer em Doha poderá ser um complemento ao ano já impecável, com os títulos da Libertadores e do Brasileirão. Já na tabela, se amplia a história dos recordes. São 90 pontos, com 86 gols marcados e 28 vitórias acumuladas. A celebração não tem hora e nem motivo para terminar.

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