Aos 48 minutos do segundo tempo, Rony conseguiu dar uma cabeçada de dentro da área e despertou Paulo Victor do seu sono profundo. Aquela, no apagar das luzes da semifinal da Copa do Brasil, foi a primeira vez que um arremate do Athletico Paranaense encontrou o quadrilátero, apenas um sintoma do domínio total do Grêmio, na defesa e no ataque, na vitória por 2 a 0 que lhe abre vantagem na briga por uma vaga na decisão.

Abriu apenas vantagem e não decidiu a eliminatória na primeira partida porque o Grêmio falhou na conclusão de oportunidades que poderiam ter ampliado ainda mais o placar. Cascudo, experiente em mata-mata pelos sucessos dos últimos anos, os gaúchos aproveitaram muito bem a fragilidade do Athletico Paranaense fora de casa.

O Furacão tem apenas seis vitórias nos últimos 35 jogos fora de casa pelo Campeonato Brasileiro, e duas delas são recentes, contra CSA e Cruzeiro. E esse problema tem se estendido aos torneios de mata-mata. Nesta Libertadores, foram quatro derrotas como visitante. Na Copa do Brasil, saiu vencedor apenas uma vez nos seus últimos 21 jogos – contra o próprio Grêmio, em 2016, sem consequências porque caiu nos pênaltis.

Então, era de se esperar problemas na Arena do Grêmio. Talvez não tantos. Os donos da casa tiveram 55% de posse de bola no primeiro tempo e conseguiram dar seis chutes a gol. Everton era ameaça constante pela esquerda e quase abriu o placar com um chute colocado, que acabou saindo meio torto. Mas foi dali que o placar foi aberto: Cebolinha deu um passe na cabeça de André, que desviou com qualidade e fez 1 a 0.

O segundo tempo foi diferente, em dinâmica, com o Athletico Paranaense ficando com a bola 57% do tempo, mas isso não se traduziu nem em chances de gol para os visitantes, nem em controle. O Grêmio continuou senhor do jogo, sempre perigoso no contra-ataque. Quase ampliou quando André saiu cara a cara com Santos, mas se enrolou com a bola e perdeu a chance de finalizar.

Aos 26 minutos, Santos armou mal a sua barreira. Deixou todo o canto esquerdo aberto. Jean Pyerre foi esperto para colocar a bola por ali. O goleiro do Furacão ainda tentou buscar, mas, obviamente, chegou atrasado. Alisson, em excelente jogada individual, se colocou em boa situação para marcar o gol, mas falhou na hora de chutar. Uma rápida troca de passes entre Thaciano, Luan e Tardelli deixou o último na cara do gol. A bola, porém, saiu pela esquerda.

Foram apenas as melhores chances que o Grêmio teve de matar uma partida dominada por completo. Os gaúchos deram um passo à frente importante para chegar à final da Copa do Brasil, na qual pode encontrar o Internacional. Lembrando que o Grenal ainda pode acontecer também na Libertadores, o que colocaria Porto Alegre abaixo (metaforicamente, por favor).