Por Gabriela Abrunheiro*

A primeira fase da Copa do Mundo de Futebol Feminino da Fifa terminou com dois recordes que muitos brasileiros não viram. No dia em que a seleção masculina demonstrou toda a sua fragilidade e não conseguiu manter a sequência de 11 jogos sem derrotas, perdendo para a Colômbia, por 1 a 0,  na segunda rodada da Copa América, a seleção feminina confirmou o bom desempenho e a classificação para as oitavas de final do Mundial com 100% de aproveitamento.

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Foram três jogos, três vitórias, quatro gols marcados e nenhum sofrido, em nove dias de competição. Um retrospecto de dar inveja em qualquer time. Ainda mais quando somado com dois recordes alcançados em uma única partida. Logo na partida de estreia.

Quando o Brasil entrou em campo para enfrentar a Coreia do Sul, o Japão já tinha superado a Suíça por 1 a 0, os Estados Unidos já tinham vencido a Austrália por 3 a 1, e a Alemanha goleado a Costa do Marfim por 10 a 0, três das seleções favoritas. Mas nada disso intimidou a baiana Formiga. Ao abrir o placar aos 33 minutos da primeira etapa, num lance de oportunismo, a veterana de 37 anos, se tornou a jogadora mais velha a marcar em Copas do Mundo. E não foi só isso.  A camisa 20, que há duas décadas veste a camisa verde e amarela, ainda sofreu o pênalti convertido por Marta.

Assim, além do resultado final, o 2 a 0 mostrado pelo placar eletrônico indicava também o número de marcas importantes conquistadas pelas jogadoras brasileiras até aquele momento. Com mais um tento na conta, a atacante escolhida por cinco vezes como a melhor do mundo garantiu o feito de maior artilheira em Mundiais. São 15 gols em 15 partidas, aos 29 anos. Um a menos que o alemão Miroslav Klose, artilheiro entre os homens. Em comparação, Klose, que se aposentou da seleção aos 36 anos, após o título da Copa de 2014, marcou 16 vezes em 23 partidas disputadas.  Pouco se falou, pouco se mostrou.

As outras duas vitórias brasileiras foram por placares simples. Diante da Espanha, o time do técnico Vadão sofreu com a forte marcação, mas contou com o fôlego e com a agilidade de Andressa Alves para fazer 1 a 0 e conquistar a classificação antecipada. Com metade do time poupado, a maior dificuldade diante da Costa Rica foi a criação e a finalização. No terceiro e último jogo da fase classificatória, a salvação veio dos pés de Raquel, que tocou na saída da goleira e definiu o placar. A cada chance perdida, à beira do gramado, Marta se levantava, gritava, apoiava. Como uma líder tem que ser.

Com o resultado, as próximas adversárias da Seleção Brasileira serão as australianas. Um time rápido e bem disciplinado taticamente, que se classificou em segundo lugar no grupo D, atrás apenas dos Estados Unidos.  A partida decisiva acontece no próximo domingo, às 14 horas, no horário de Brasília (Bandeirantes, TV Brasil, Bandeirantes). Data em que a camisa 10 pode continuar a fazer história, superar as barreiras de gênero e se tornar a jogadora com mais gols marcados na história de Copa do Mundo, tanto masculina, quanto feminina e mostrar que o Brasil das mulheres é também o Brasil dos recordes.

Na TV: Brasil x Austrália, domingo, 21/06, 14h (Bandeirantes, TV Brasil, Sportv)

*Gabriela Abrunheiro,
Jornalista.  Apaixonada por esportes. Acompanha futebol e surfe. Adora boas histórias e piadas ruins. Já teve passagens por Lance! e Esporte Interativo. Torcedora de estádio e corneta profissional nas horas vagas.

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