Time com bom desempenho em mata-matas, elenco recheado, tradição na competição. O Cruzeiro começa a Libertadores como um dos candidatos ao título. E a Raposa estreou com o pé direito nesta quinta-feira, conquistando uma importante vitória fora de casa. O desafio contra o Huracán não era dos mais simples. Que o Globo não venha em boa fase, tende a ser o principal adversário no Grupo B. Além disso, o gramado encharcado pela chuva tornava as coisas mais difíceis no Estádio El Palacio. Independentemente dos obstáculos, os cruzeirenses prevaleceram. Em uma atuação vibrante da equipe, o time fez um bom primeiro tempo, saindo em vantagem. Já na etapa final, embora tenha recuado demais e chamado os argentinos para o ataque, o time de Mano Menezes segurou o triunfo por 1 a 0, com a participação decisiva de Fábio.

A bola começou rolando sob uma chuva torrencial em Buenos Aires. E mesmo com o campo encharcado, o Cruzeiro conseguiu ser superior, controlando o ímpeto inicial dos anfitriões. Teve o domínio da partida durante a maior parte do primeiro tempo, especialmente pela cadência de Robinho, e não levou grandes sustos do Huracán. Melhor ainda, não demorou a criar suas oportunidades, explorando a faixa central. Aos 12 minutos, quase o gol saiu a partir de um escanteio. Rodriguinho cabeceou e o goleiro Antony Silva defendeu. O Globo possui um time experiente, mas que mostrou suas limitações, até pelas condições do duelo. Confiava demais nas bolas longas e nos cruzamentos em direção a Lucas Barrios, sem grande sucesso.

O gol da vitória aconteceu aos 29 minutos. O bom trabalho do Cruzeiro com a bola deu resultado. Em uma jogada envolvente, Robinho deu um belíssimo passe por elevação, encobrindo a defesa. Rodriguinho infiltrou na área e se livrou de Israel Damonte, antes de tirar do alcance de Antony Silva. Belo tento que garantia a tranquilidade à Raposa. Com a vantagem estabelecida, os celestes não conseguiram manter totalmente o ritmo e viram o Huracán assustar um pouco mais antes do intervalo. Fábio realizou sua primeira defesa, antes que Omar Alderete assustasse. Mesmo assim, o segundo poderia ter vindo nos acréscimos, quando Egídio ficou de frente para Antony Silva e parou no arqueiro.

Problema maior aconteceu no segundo tempo. O Cruzeiro até fez uma graça nos primeiros minutos, com direito a boa oportunidade de Fred. Só que o time se retraiu, permitindo que o Huracán pressionasse. O Globo insistia principalmente pelas pontas, confiando no insistente chuveirinho. Foi então que os cruzeirenses precisaram demonstrar mais sua solidez e sua vontade no duelo. Pouco a pouco, o jogo passou a se desenrolar na área celeste e Fábio se transformou em figura central, sobretudo na ausência de Dedé. O primeiro aviso veio aos 25 minutos, quando Carlos Auzqui passou por Fábio e finalizou, mas viu Murilo fazer o corte salvador. Quase Barrios marcou no rebote, diante da indecisão dos adversários.

Uma cena patética aconteceu pouco depois. O sistema de irrigação do gramado ligou do nada e molhou um pouco mais o campo pesado. Problema resolvido, o Globo permaneceu incomodando, levando Mano Menezes a colocar Fabrício Bruno, mais um zagueiro, no lugar de Rodriguinho. Javier Mendoza poderia ter feito melhor ao sair nas costas de Edílson, batendo para fora. E o desespero maior ocorreu nos acréscimos, pouco depois da expulsão de Mano Menezes por reclamação. Lucas Barrios até marcou, em tento bem anulado por impedimento. Por fim, duas ótimas defesas de Fábio. Depois de soltar um chute de Alderete, negou o tento a Barrios com as pernas. Depois, outra intervenção vital, barrando a cabeçada de Saúl Salcedo. Alívio ao apito final.

Como um todo, foi uma atuação apenas razoável do Cruzeiro. O primeiro tempo favorável não se sustentou nos 45 minutos finais, com o tradicional recuo do time de Mano Menezes, e algumas falhas pontuais poderiam ter custado caro. Por sorte, o Huracán também não demonstrou tanta eficiência para converter sua pressão final em gols. E no que vale à tabela, os três pontos, o saldo é excelente aos mineiros. Garantem a vitória em um dos jogos teoricamente mais difíceis da fase de grupos.