As seleções asiáticas disputam eliminatórias para a Copa do Mundo desde a primeira edição do qualificatório, em 1934. Porém, até 1986, os países do continente tiveram de enfrentar adversários africanos e da Oceania para alcançar a fase final da competição da Fifa. A partir daí, a Oceania criou seu próprio torneio (os africanos já haviam se desmembrado em 1966) e os asiáticos passaram a também ter competição própria. Ao longo das oito edições de eliminatórias, os grandes do continente, como Japão, Irã, Coreia do Sul e Arábia Saudita já tiveram de enfrentar seleções totalmente inexpressivas, o que resultou em goleadas enormes.

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Ao longo do tempo, a própria Confederação Asiática percebeu a improdutividade dessas partidas e criou as fases preliminares, onde apenas as seleções mais fracas segundo o Ranking da Fifa participam. Nas eliminatórias para a Copa do Mundo 2018 também está sendo assim, mas as surpresas da fase preliminar colocaram Butão (eliminou Sri Lanka), Timor Leste (superou a Mongólia), Camboja (passou por Macau) e Taiwan (deixou Brunei para trás) na segunda fase da competição, dividida em grupos. Assim, a partir do próximo dia 11 de junho (duas rodadas serão disputadas, a outra dia 16), algumas partidas estão cercadas de grande expectativa não pelo embate justo entre dois adversários, mas pela possibilidade de haver goleadas extremas.

Austrália. No Grupo B, a Austrália visitará o Quirguistão, em 16 de junho, no primeiro confronto entre as seleções.

China. No mesmo dia, a China entrará em campo pelo Grupo C e, apesar de estar longe de figurar no primeiro escalão asiático, a equipe vai jogar fora de casa diante de Butão, candidato-mor a saco de pancadas no grupo.

Japão. Uma das mais fortes seleções asiáticas, mesmo com a má campanha na Copa da Ásia 2015, o Japão também estreará no Grupo E no próximo dia 16 de junho, mas em casa. Encara a fraca seleção de Cingapura, com histórico bastante favorável: 23 vitórias, 1 empate e 4 derrotas, a última em 1978.

Coreia do Sul. Franca favorita a avançar com a primeira posição, a Coreia do Sul vai estrear fora de casa no Grupo G, diante de Mianmar, na mesma data. Só que os birmaneses não atuarão em seu país, pois foram punidos por confusão da torcida num jogo da fase preliminar das últimas eliminatórias. Com a partida na Tailândia, mais possibilidade de goleada sul-coreana.

Irã. A seleção persa agradou na Copa do Mundo 2014 e vai estrear diante do Turcomenistão, no Grupo D, fora de casa. Num primeiro momento não parece que os iranianos vão superar as goleadas dos adversários, até porque os turcomenos não fazem parte do último escalão asiático.

Goleadas nas Eliminatórias Asiáticas

Quais foram as dez maiores goleadas na história do qualificatório da Ásia para a Copa do Mundo? Veja a lista a seguir, mas certamente ela vai mudar até o final da segunda fase das eliminatórias asiáticas para a Copa do Mundo 2018.

TOP 10 | Síria 11×0 Laos. Em 7 de maio de 2001, a Síria encarou Laos no Grupo 1 e não teve piedade do estreante em eliminatórias: jogando em Aleppo, 9 mil pessoas viram os donos da casa humilhar o adversário por 11 a 0, num passado em que a Síria podia sediar partidas.

TOP 9 | Turcomenistão 11×0 Afeganistão. Na estreia dos afegãos em eliminatórias, o país em 2003 ainda vivia guerra civil e o futebol começava a engatinhar. Diante dos turcomenos, não teve jeito: no embate de mata-mata valendo pelo qualificatório de 2006, o Turcomenistão jogou em casa a primeira partida e fez 11 a 0, com 12 mil pessoas no estádio. Na volta apenas 2 a 0, pois o confronto já estava resolvido.

TOP 8 | Ilhas Maldivas 12×0 Mongólia. Os maldivos já levaram várias goleadas em eliminatórias, mas também já humilharam os adversários. Quem pagou caro foi a Mongólia, em sua segunda edição de eliminatórias. Num mata-mata, Ilhas Maldivas jogou em casa, na capital Malé, e humilhou o adversário sob os olhares de 9 mil torcedores. Claro, os maldivos foram lanternas na fase seguinte.

TOP 7 | Omã 12×0 Laos. A seleção de Omã evoluiu nos últimos anos, alcançando a fase final nas eliminatórias 2014. Mas no qualificatório de 2002 ainda era incipiense, mas muito superior a Laos, que estreava em eliminatórias. Atuando em casa pelo Grupo 1, os omanis fizeram os 2 mil torcedores no estádio se levantar 12 vezes. Ao fim de seis rodadas, Omã ficou com a liderança da chave.

TOP 6 | Síria 12×0 Filipinas. Os sírios nunca jogaram a Copa do Mundo, mas já humilharam muita gente. No mesmo Grupo 1 de Omã, a Síria recebeu Filipinas em Aleppo, cidade hoje devastada pela guerra civil, vencendo o adversário por 12 a 0 e com 20 mil pessoas no estádio. Pena que a Síria perdeu para Omã no confronto direto e foi eliminada. Foi a segunda participação filipina em eliminatórias.

TOP 5 | Síria 12×0 Ilhas Maldivas. Em 4 de junho de 1997, em jogo válido pelo qualificatório de 1998, a Síria nem tomou conhecimento de Ilhas Maldivas,  na estreia do oponente em eliminatórias, fazendo 12 gols com 15 mil torcedores em Damasco, capital do país. Naquela época os maldivos perderam todos os jogos, não marcaram gols e levaram 59.

TOP 4 | Ilhas Maldivas 0x12 Síria. Parece mentira, mas não é. Cinco dias depois, as duas seleções voltaram a se enfrentar, em solo iraniano, com 25 mil pessoas vendo mais 12 gols da Síria sobre Ilhas Maldivas, mandante da partida. Detalhe que os sírios somaram apenas sete pontos, ficando em terceiro lugar, atrás de Irã e Quirguistão.

TOP 3 | Tadjiquistão 16×0 Guam. No mesmo qualificatório de 2002, Guam era tão fraco que até o débil Tadjiquistão conseguiu goleá-lo. No fim de 2000, os tadjiques atraíram 5 mil torcedores e fizeram 16 gols em cima do adversário (seis no primeiro tempo), mas foram eliminados por causa de derrota de 2 a 0 para o Irã, fora de casa.

TOP 2 | Ilhas Maldivas 0x17 Irã. Quatro anos antes, o Irã também passou fácil em sua chave, deixando para trás Síria, Quirguistão e Ilhas Maldivas, com cinco vitórias e um empate, 39 gols a favor e três contra. Diante dos maldivos, que ainda engatinhavam internacionalmente, o Irã humilhou, em jogo disputado na Síria. Karim Bagheri fez sete. Mahdavikia, lenda iraniana que jogava no Hamburgo à época, deixou o seu.

TOP 1 | Irã 19×0 Guam. Nas eliminatórias de 2002, o Irã teve muita facilidade no Grupo 2 da primeira fase. A estreia foi justamente diante de Guam, que era uma das seleções mais fracas do continente, em casa. Não deu outra: 19 gols a favor, com quatro de Ali Karimi, ex-Bayern Munique e aposentado desde 2014, e três de Ali Daei, lenda viva no país, que está na carreira de técnico desde 2006.

Curtas

– Outras seleções periféricas futebolisticamente também correm risco de levar goleadas nas eliminatórias asiáticas para a Copa do Mundo 2018, pois enfrentarão as grandes seleções durante a segunda fase. Por exemplo, Timor Leste contra Arábia Saudita, Bangladesh diante da Austrália, mais uma vez Guam contra Irã, Camboja e Afeganistão versus Japão, Laos enfrentando Coreia do Sul e Filipinas contra Uzbequistão.

– A primeira partida da segunda fase do qualificatório asiático aconteceu há algumas semanas. Em 24 de maio, a Tailândia jogou em casa diante do Vietnã, pelo Grupo F, vencendo por 1 a 0. Nesta chave está a Indonésia, excluída pela Fifa em 30 de maio, por interferência política do governo na federação local.