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Pênalti em movimento? É isso que Van Basten sugeriu que a Fifa aplicasse na Copa de 2026

Marco van Basten foi uma das bolas dentro da Fifa nos últimos tempos. A entidade ter nomeado o holandês como seu diretor de desenvolvimento técnico foi algo, a princípio, bastante positivo. O ex-jogador, no entanto, tem dado declarações polêmicas sobre possíveis mudanças técnicas em competições organizadas pela instituições. Como, por exemplo, a sugestão dada pelo fim do impedimento a partir da Copa do Mundo de 2026. A mais esquisita delas, porém, talvez seja a proposta de reviver a disputa por pênaltis ‘shootout’, que é uma espécie de cobrança de pênalti em movimento e foi usada nos Estados Unidos há umas décadas. O método seria utilizado para evitar empate nos número de pontos e saldo de gols nos grupos de três da Copa com 48 seleções.

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Van Basten foi nomeado para o cargo em setembro, com a responsabilidade de trazer inovação à entidade e, sobretudo, ao futebol. O fim do impedimento e da prorrogação, como ele também sugeriu, não seria um avanço, e sim um passo para trás em um esporte que pode e precisa se modernizar sempre mais dentro das quatro linhas, por isso a estranheza nas recomendações feitas pelo holandês. Quanto à disputa por pênaltis ‘shootout’, parece até mentira que isso de fato tenha sido sugerido. A invenção surgiu em meados dos anos 70 e foi aplicada primeiramente pela North American Soccer League (NASL), que era, na época, era a principal liga norte-americana.

Bem, talvez não fosse nem necessário dizer que o experimento não foi bem-sucedido. Se não, até hoje o ‘shootout’ seria adotado em competições de médio e grande porte, não é mesmo? Em suma, a variação da forma tradicional de bater pênalti consistia em posicionar a bola em uma linha a 32 metros do gol e, quando o árbitro autorizasse, o jogador poderia sair em direção ao gol fazendo quantos movimentos quisesse antes de chutar. Isso dentro de um espaço de cinco segundos. Era um procedimento bem semelhante ao usado no hóquei de gelo.

“Os ‘shootouts’ podem ser uma opção para um torneio com grupos de três componentes, em que você joga contra dois adversários apenas”, disse Van Basten em declarações feitas ao Sport Bild. “Se uma equipe, por exemplo, empata um jogo em 0 a 0 e vence o outro por 1 a 0, há um alto risco de que os três times fiquem nivelados em pontos e gols no final”, complementou. Esse é um dos problemas do formato de competição com três equipes por chave, e ele pode ser visto na edição de 2011 da Copa Kirin, disputada por Japão, República Tcheca e Peru. As três partidas terminaram sem gols.

Van Basten falou que também é uma possibilidade que o método de pênaltis básico seja mantido, mas os cobradores seriam posicionados a 25 metros da linha do gol e, então, teriam oito segundos para chutar. “Dessa forma, o goleiro não teria permissão para sair da área como no caso do ‘shootout’. E quando ele pegasse o chute, acabaria”, explicou. “Mas acredito que se existir a chance de disputar os ‘shootouts’ depois de 90 minutos e uma equipe marcar cinco vezes, outra quatro e uma terceira apenas três vezes, é muito mais fácil determinar o vencedor de um grupo”.

Nada quanto a isso está decidido ainda. A Fifa está estudando algumas opções para explorar na Copa do Mundo de 2026, que pode ser co-sediada pelos Estados Unidos, México e Canadá e terá 48 participantes, os quais serão divididos em 16 grupos com três seleções. Os ‘shootouts’ foram uma das alternativas que a entidade pensou para que não haja empate nos números de três times de uma determinada chave. “Shootouts são espetaculares para quem está assistindo, e muito interessante para os jogadores. A cobrança de um pênalti tradicional acaba muito rápido, mas na que era usada na NASL o atleta pode driblar, chutar e esperar a reação do goleiro”, finalizou Van Basten.

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Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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