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Ginola concorrer à presidência da Fifa cheira apenas como golpe publicitário

Muita gente quer tirar Joseph Blatter da presidência da Fifa. Dá para dizer que todo mundo que gosta mesmo de futebol gostaria que o suíço deixasse o cargo para começar uma reformulação que o futebol precisa na sua gestão. Só que David Ginola parece tratar isso de maneira bem pouco séria. O ex-jogador francês se apresentou como uma alternativa por mudanças na Fifa e lançando a sua candidatura ao cargo. Falou de mudanças éticas e pede o futebol de volta. Só que fez isso recebendo £ 250 mil de um site de apostas conhecido por suas estripulias publicitárias, além de sequer cumprir os requisitos que a Fifa exige dos candidatos.

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“Eu estou me candidatando porque eu gosto de você, eu amo futebol. Esteja você em campos de terra ou grama, nós todos sabemos que o sistema da Fifa não está funcionando. O jogo precisa de mudança, mas eu não posso mudá-lo sozinho. Eu preciso que você se levante e mude o jogo comigo. Eu preciso de você no meu time. Ao aderir ao Time Ginola você está dizendo ‘sim’ para uma Fifa construída com democracia, transparência e igualdade. Você está dizendo ‘sim’ para uma Fifa que se importa com apenas uma coisa: futebol”, diz Ginola em vídeo que está sendo divulgado por seu site.

Um detalhe, porém, Ginola não parece levar em consideração. A Fifa mudou as regras para concorrer à presidente da entidade obrigando o candidato a ter trabalhado como dirigente dentro das federações por pelo menos dois dos últimos cinco anos. Isso porque Grant Wahl, jornalista da Sports Illustrated, se candidatou em 2011 e causou repercussão – chegou-se a temer que ele pudesse de fato concorrer, mas não recebeu nenhuma indicação de federação.

Só que Ginola não parece preparado para o cargo. Em entrevista coletiva nesta sexta, ele mostrou desconhecimento quando perguntado sobre os membros do Comitê Executivo, que é o mais alto escalação de decisões da Fifa e onde se decidiu, por exemplo, as sedes das últimas Copas do Mundo. Inclusive muitos deles acabaram saindo dos seus cargos por envolvimento em corrupção, coimo Jack Warner, ex-presidente da Concacaf e vice-presidente da Fifa. Ginola não trabalhou em federação alguma.

Ginola também não soube responder perguntas sobre a International Football Association Board (IFAB), conhecida também como International Board, que define as mudanças de regras no futebol. O francês admitiu que precisa aprender muito sobre como funciona a Fifa e que ainda não tem o apoio de nenhuma federação – é preciso pelo menos cinco para que ele seja oficializado como candidato. Ele mostrou entusiasmo em relação a mudar a Fifa, mas parece desconhecer muito de um meio que é cercado de tubarões e passa a impressão de ser só o rosto de uma manobra publicitária da Paddy Power, uma casa de apostas. Todo mundo concorda que a Fifa precisa mudar, mas é difícil acreditar nisso quando se mostra tão pouco conhecimento sobre a entidade e tem um enorme banner de uma casa de apostas fanfarrona por trás.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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