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Gianni Infantino aposta em aumento de seleções na Copa para vencer eleições da Fifa

A suspensão provisória de Michel Platini de suas atividades relacionadas ao futebol imposta pelo Comitê de Ética forçou a Uefa a alçar um novo candidato à presidência da Fifa, cujas eleições emergenciais acontecem em fevereiro de 2016. Gianni Infantino, atual secretário-geral da entidade europeia, é o nome que a instituição apoia para o pleito, e seu apontamento representa uma mudança política muito pequena na plataforma sustentada pela entidade. Assim como Platini fez com a Eurocopa, por exemplo, Infantino quer aumentar o número de países na Copa do Mundo, e essa é uma de suas cartas na manga para ser eleito.

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Em entrevista à agência de notícias AP, Infantino revelou seu plano de aumentar o número de competidores no Mundial de 32 para 40 seleções, assim como Platini aumentou os participantes da Eurocopa de 16 para 24, com a primeira edição sob esse novo formato acontecendo em 2016, na França. “Eu acredito em expandir a Copa do Mundo, baseado na experiência que tivemos na Europa com a Eurocopa. Olhe para as Eliminatórias, em que alguns times que nunca haviam se classificado conseguiram e outros que sempre se classificaram não conseguiram. (O maior número de vagas) Criou uma dinâmica completamente nova na classificação. Criou um novo entusiasmo. Se você fala sério sobre desenvolver o futebol, isso deve envolver mais associações no melhor evento de futebol do mundo: a Copa do Mundo”, argumentou o secretário-geral da Uefa.

Infantino foi anunciado como candidato à presidência da Fifa horas antes do prazo final de inscrição de candidaturas. Antes disso, mesmo após a suspensão de Platini, a Uefa dava completo apoio a Platini, afirmando que suas 54 federações associadas, de maneira unânime, votaram por essa posição, durante reunião do Comitê Executivo. Caso o presidente afastado da Uefa possa retomar suas atividades antes das eleições de 26 de fevereiro, Infantino deverá retirar sua candidatura, apoiando a do ex-jogador da seleção francesa. Entretanto, afirma que tem suas próprias ideias, ainda que reconheça que espera que Platini apoie todas elas.

“Espero que ele concorde com todas elas, mas talvez em relação a algumas delas não tenhamos a mesma opinião, algumas de nossas prioridades talvez não sejam as mesmas. Trabalhei com o Michel Platini pelos últimos nove anos. Compartilhamos muitas visões e ideias. É óbvio que temos a mesma filosofia acerca de muitas coisas, mas sou um candidato próprio, terei ideias por conta própria”, afirmou Infantino, que assegurou que não deixaria uma hipotética presidência na Fifa para abrir espaço para o antigo chefe.

No melhor cenário possível para Infantino, em que ele de fato seja eleito e consiga levar adiante o plano de ampliação da Copa do Mundo, os planos precisariam esperar pelo menos até 2026, já que a Copa do Mundo de 2018 está muito próxima, com suas Eliminatórias já em disputa, e a de 2022 ainda terá o desafio de, com 32 equipes, jogar em um período já encurtado para 28 dias.

Até esse cenário hipotético, há muito chão pela frente, e decisões mais sensatas podem surgir. Porém, considerando a janela que isso abriria para seleções menores, não é difícil imaginar um possível apoio de diversos países à candidatura de Infantino e à sua ideia de expansão, à revelia dos interesses esportivos de uma Copa do Mundo.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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