BrasilMundo

Encontro entre Zico e Del Nero reforça a ideia de que pouca coisa mudará na Fifa

Michel Platini lançou sua candidatura à presidência da Fifa há dois dias e as projeções já o colocam como favorito na disputa. Dirigente já estabelecido, tem bom trânsito com colegas europeus e alguns de outros continentes. É um político que não tem pudor em realizar mudanças inesperadas, nem de trocar favores para ganhar votos. Mas o maior sinal de que é pequena a perspectiva de grande mudança na Fifa veio do Rio de Janeiro, no momento em que Zico se reuniu, posou para fotos e pediu uma indicação a Marco Polo Del Nero.

PODCAST: Platini e os candidatos na eleição da Fifa

O Galinho lançou sua intenção de governar o futebol mundial de forma frugal e ninguém o considera um candidato realmente viável à vitória. Talvez nem consigue oficializar sua candidatura. Então, o conteúdo de seu bate-papo com o presidente da CBF, incluindo eventual troca de favor ou promessa que Zico tenha feito, dificilmente mudará alguma coisa. Mas o fato de a conversa ter existido diz muito sobre como a Fifa gira em círculos.

A entidade internacional vive um momento de completo descrédito e precisaria ser refundada. Não basta colocar uma pessoa diferente no topo, é preciso mudar a forma de encarar o trabalho da Fifa e suas práticas internas. Trazer alguém de fora do meio da cartolagem seria fundamental, mesmo que essa pessoa perdesse a eleição. No mínimo, traria para o debate novas questões, que poderiam forçar os demais candidatos a ajustarem seus discursos.

No entanto, a velha política da troca de favores continua nas entranhas da Fifa e um dos grandes sinais disso é ainda exigir que o candidato à presidência receba indicação de cinco federações nacionais. Esse tipo de ajuda só chega após conversas e promessas, o que força qualquer pretendente, por mais desapegado que ele seja da cartolagem (como Zico se apresenta), a rezar pela cartilha escrita pelos dirigentes tradicionais.

Zico resolveu tentar a sorte e arcar com o custo de imagem de tirar foto sorridente ao lado de Marco Polo Del Nero. Mas quantos gestores capazes de trazer algo novo ao futebol nem se apresentaram para a disputa por simplesmente achar que não valia a pena fazer esse tipo de jogo de cena?

Mostrar mais

Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo