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Bósnia-Herzegovina: logo na estreia, o time tem tudo para causar um impacto

Onde vai se dar bem

A quantidade de talentos da Bósnia não é abundante, mas vem em bom número para a Copa do Mundo. E é até impressionante como a maioria dos candidatos a protagonista do elenco se concentram no meio-campo. Tudo bem que Edin Dzeko e Vedad Ibisevic, principalmente por aquilo que fizeram nas Eliminatórias (18 dos 30 gols da equipe), são as principais referências do time. Mas não falta poder de decisão dos homens que vêm de trás. Miralem Pjanic é o mais credenciado de todos, pela visão de jogo e pelo desempenho recente com a Roma. Zvjezdan Misimovic já passou por momentos melhores na carreira, mas permanece como o grande maestro do time. Assim como Sejad Salihovic, Senad Lulic e Izet Hajrovic são outras boas peças para o setor. Os predicados dos bósnios para trabalhar a bola no campo ofensivo são muitos, e isso é vital para a efetividade que o time de Safet Susic demonstra no ataque, pressionando os adversários com bom passe e ocupação de espaços.

Onde vai se dar mal

O estilo de jogo ofensivo da Bósnia, até pelos jogadores que Safet Susic tem à disposição, é natural. O problema é que essa opção costuma deixar a defesa exposta demais aos adversários. E se o ataque não fizer mais gols do que a defesa sofrer, o problema é óbvio. Em um meio-campo que geralmente só conta com um cão de guarda (Muhamed Besic ou Haris Medunjanin deve exercer a função), o trabalho da linha de zaga é redobrado. E a rotação de nomes no setor também não ajuda, com Emir Spahic sendo o grande pilar. Se os bósnios sofreram apenas seis gols nas Eliminatórias, isso se deve mais à falta de desafio imposto pelos ataques adversários. Os testes contra adversários mais tarimbados apenas reforçaram essa impressão. Ao menos o bom goleiro Asmir Begovic garante confiança ao setor.

Quem pode desequilibrar

O grande nome da Bósnia é Edin Dzeko e o centroavante não parece fugir da responsabilidade de ser o principal ídolo de um país. Marcado pela guerra e pelo separatismo, assim como muitos de seus conterrâneos, o jogador mais tarimbado do elenco sabe da representatividade que esta Copa do Mundo tem para os bósnios. Uma consciência que pode reforçar suas qualidades dentro de campo, onde será o mais visado pelos adversários. As excelentes atuações pelo Manchester City na reta final da Premier League deram mostras de como o faro de gol de Dzeko está aguçado. Sua presença de área fará toda a diferença para uma equipe que deverá apostar bastante nas bolas alçadas.

A carta na manga

O jogador mais jovem no elenco convocado por Safet Susic é o lateral Sead Kolasinac. E, embora tenha apenas 20 anos, o jogador do Schalke 04 é uma das peças mais importantes na engrenagem da Bósnia. Nascido na Alemanha e com passagem pelas seleções de base do país, o defensor passou a ser chamado para a equipe nacional bósnia em 2013 e logo ganhou a posição no time. Consistente na marcação, não costuma primar tanto nas subidas ao ataque, com poucos cruzamentos. Entretanto, sua combinação com Senad Lulic torna o lado esquerdo da equipe bastante equilibrado, liberando o jogador da Lazio para avançar.

Até onde deve chegar

Passar de fase é mais do que palpável para a Bósnia. A equipe dos Bálcãs tem motivação suficiente para isso em seu primeiro Mundial e ainda deu a sorte de cair em um grupo no qual surge como segunda força, com a Nigéria longe de seus melhores tempos e o Irã sem impor grande desafio técnico. A partir das oitavas de final, terá que se superar. O cruzamento com o Grupo E não é dos mais simples, podendo colocar França ou Suíça no destino dos bósnios. Depois disso, a tendência é cruzar apenas com favoritos ao título. Não será tão simples repetir a Croácia de 1998, que derrubou a Alemanha nas quartas de final.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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