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Carli Lloyd é craque, mas foi uma escolha contestável por aquilo que outras jogaram em 2016

Passam-se as datas festivas de final de ano, e os apaixonados por futebol continuam bem animados. Isso porque é no começo de janeiro que ocorre a cerimônia de gala da Fifa, onde os melhores jogadores do mundo são premiados por seus méritos ao longo do ano que passou. A entidade costuma avaliar os atletas durante o período de setembro de um ano e o de outro para, no início do ano seguinte, distribuir honrarias aos futebolistas que se destacaram em suas categorias. Os escolhidos, no entanto, nunca são unanimidade, e às vezes fazem o número de pessoas que assistem ao evento, acompanham o esporte e contestam as opções da Fifa ser bem superior ao das que fazem o contrário. Um exemplo claro disso veio junto com a premiação à Carli Lloyd, nomeada a melhor jogadora do mundo em 2016.

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A americana manteve o status de melhor jogadora do ano sob a ótica da entidade que cuida do futebol internacionalmente. Este ano, a disputa esteve novamente entre ela e Marta. A novidade foi a eleição de Melanie Behringer, do Bayern de Munique, para compor o top 3, alemã que nunca antes havia sido nomeada, mas que mereceu estar na lista final por ter sido artilheira nos Jogos Olímpicos do Rio e levado a medalha de ouro com sua seleção. E havia muita gente boa entre as três finalistas, quando foram selecionadas dez entre tantas que jogam bola pelo mundo. Dá para citar Saki Kumagai, jogadora do Lyon que levantou o caneco na Champions League 2015/16. Até sua companheira de equipe, Camille Abily. Ambas estiveram na seleção do torneio. E também mencionar Dzsenifer Marozsán, que fez uma ótima temporada pelo Frankfurt e foi contratada pelo próprio Lyon.

Lloyd é craque e com certeza tem bola para estar entre as dez finalistas. Entre as que estiveram em Zurique para concorrer ao prêmio, porém, essa convicção passa a não existir mais. Estar concorrendo com Marta e Behringer já foi bastante contestável. Ganhar, então, nem se fale. As americanas, no geral, foram responsáveis pelo adeus precoce da seleção feminina dos Estados Unidos nas Olimpíadas, o qual foi denominado como fracasso em função do histórico e da proeminência da equipe nacional na modalidade. Mas é preciso salientar que pela qualidade que ela tem, a camisa 10 teve atuações muito abaixo do que se espera dela, ainda que tenha marcado o primeiro gol do futebol feminino nos Jogos de 2016 e tenha sido autora do tento que praticamente classificou os Estados Unidos para as quartas de final, contra a França.

Sua contribuição abaixo do esperado foi ainda mais notória ante a Suécia, na segunda fase. Lloyd definitivamente não jogou bem. A partida foi um reflexo de algumas atuações que teve pelo Houston Dash na NWSL (National Women’s Soccer League), time em que também joga Andressinha, da seleção brasileira, quem compõe o meio-campo da equipe com ela. Algumas de poucas, já que a americana ficou lesionada durante a maior parte da temporada. No segundo jogo do campeonato, ela machucou o joelho e ficou meses longe dos gramados, voltando a tempo para disputar as Olimpíadas. Assim como o fator lesão pode ter sido o mote de suas performances sem muito sucesso no torneio olímpico, deveria ser levado em conta pela Fifa, afinal, foram quatro meses sem jogar futebol.

Em síntese, a escolha de Lloyd foi um tanto discutível. A meia ficou com 20,6% dos votos, enquanto Marta, aparecendo em segundo lugar em sua 12ª edição desde que o troféu foi inventado (ele tem 13 edições), recebeu 16,6% deles. Behringer não ficou muito atrás da brasileira, com 12,3% de aprovação. O curioso é que caso a votação fosse feita apenas por torcedores (público geral), Marta venceria o prêmio de melhor jogadora do mundo do ano, uma vez que recebeu quase 2% a mais de votos do que Lloyd. Porém, se a seleção ficasse apenas a cargo da imprensa, Behringer seria a escolhida para receber a honraria, conforme apontam estes dados fornecidos pela Fifa. Ou seja, foram basicamente pessoas do meio que fizeram Lloyd vencer – e, assim como muita gente, se surpreender com a nomeação.

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Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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