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11 momentos marcantes da história da Copa das Confederações

A Copa das Confederações está longe de ser o torneio mais atrativo do calendário internacional, mas possui suas grandes histórias. Desde a antiga Copa Rei Fahd, reconhecida oficialmente pela Fifa como precursora da competição, a lista de momentos marcantes é vasta. Nem todos necessariamente bons, como o falecimento de Marc-Vivien Foé e as sentidas homenagens ao camaronês em 2003. De qualquer maneira, existem várias lembranças positivas relacionadas ao certame.

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A última edição, por exemplo, foi ótima – ao menos em campo. Vários bons jogos aconteceram pelo Brasil desde a primeira fase, enquanto os craques presentes mostraram serviço. Em 2017, a Rússia não contará com tantas estrelas. Todavia, a importância da taça à maioria absoluta das seleções classificadas pode aumentar o nível de interesse. É esperar para ver o que acontecerá nas próximas semanas.

Abaixo, fizemos uma seleção de 11 momentos das edições anteriores da Copa das Confederações, todos relacionados ao futebol. Confira:

– A consagração de Michael Laudrup

Ao contrário do que muitos pensam, Michael Laudrup não esteve presente na conquista da Euro 92. Justamente o maior talento nascido na Dinamarca, o símbolo de gerações mágicas do país. Se o craque foi privado da maior façanha, ao menos teve o gosto de erguer uma taça em 1995. Na segunda (e última) edição da Copa Rei Fahd, o maestro orquestrou seu país rumo ao topo do pódio. Foi o protagonista dos dinamarqueses, abrindo o caminho na decisão contra a Argentina, com um gol de pênalti, e também dominando o meio-campo. Dono da braçadeira de capitão, liderou a comemoração de sua seleção, a última em competições internacionais.

– Ronaldo e Romário imparáveis

A primeira edição da Copa das Confederações com a chancela da Fifa recebeu também a estreia do Brasil, então campeão do mundo e coroado meses antes na Copa América. E a fome de bola do ataque brasileiro na Arábia Saudita foi incessante. O empate por 0 a 0 com a Austrália na fase de grupos poderia até enganar, diante do que aconteceu nos mata-matas. Primeiro, Romário e Ronaldo decidiram diante da República Tcheca (representante europeia após o convite declinado pela Alemanha), com um gol de cada na vitória por 2 a 0. Já na decisão, reencontrando os australianos, um verdadeiro massacre: 6 a 0, com uma tripleta para cada craque. Uma pena que a parceria não tenha se repetido seis meses depois, na Copa do Mundo.

– A noite de Blanco diante de 110 mil no Azteca

O Brasil não levou o seu melhor time para a Copa das Confederações de 1999. Entretanto, não era uma equipe de se jogar fora, principalmente por preparar alguns talentos pensando nos Jogos Olímpicos de 2000 – como o inspirado Ronaldinho e Alex. Algo que serve para dar o devido valor à única conquista mundial do México com sua seleção adulta. E em uma equipe de El Tri cheia de figurinhas carimbadas, como Jorge Campos, Rafa Márquez, Francisco Palencia e Pável Pardo, ninguém brilhou mais do que Cuauhtémoc Blanco. O camisa 10 já tinha anotado quatro tentos em uma mesma partida na primeira fase e garantido o gol de ouro no clássico ante os Estados Unidos na semifinal. Nada comparado à atuação na decisão, diante de um Azteca abarrotado. O meia chamou a responsabilidade e infernizou a defesa brasileira. O drible com a bola presa entre os pés é a cena clássica, mas ele também fez o gol que ratificou o triunfo por 4 a 3.

– Fracasso que veio para bem

Leomar

É difícil encontrar uma seleção brasileira mais modesta do que a convocada para a Copa das Confederações de 2001. Em um péssimo momento da equipe nacional, Emerson Leão apostou em um time C. Aos trancos e barrancos, o grupo passou na segunda colocação da fase de grupos, perdeu para a França nas semifinais e acabou superado pela Austrália na decisão do terceiro lugar. Leão foi demitido na volta ao Brasil, enquanto Leomar nunca mais foi convocado. Na sequência, Felipão assumiu o time para a reta final das Eliminatórias. O final do filme vocês já sabem.

– Adeus, Foé

Não há momento mais desalentador na história das competições internacionais que a morte de Marc-Vivien Foé, em 2003. O camaronês de 28 anos construiu uma carreira bastante respeitável, especialmente no futebol francês, campeão nacional por Lens e por Lyon. Além disso, somava 63 partidas internacionais no currículo, presente em duas Copas do Mundo e duas vezes campeão da Copa Africana de Nações. Aos 27 minutos do segundo tempo da semifinal contra a Colômbia, justamente no Estádio Gerland onde se consagrou, o meio-campista sofreu um ataque cardíaco. Foé foi levado com vida ao centro médico do estádio e os médicos passaram 45 minutos tentando ressuscitá-lo, mas ele não resistiria.

Camarões, que havia aberto o placar aos nove minutos, avançou à final. E o clima no Stade de France para o jogo decisivo contra os anfitriões era de enorme luto. Os dois times entraram em campo carregando um retrato de Foé. Henry marcou o gol de ouro na prorrogação, em comemoração bastante contida. Já na entrega da taça, Marcel Desailly recebeu junto com o capitão camaronês, Rigobert Song. Além disso, Foé ganhou postumamente a Bola de Bronze, eleito o terceiro melhor jogador da competição.

– O domínio da França

Apesar da tristeza no bicampeonato, o início da década marcou um ótimo período da França na Copa das Confederações. Favoritíssima em 2001, contou com o brilho de Patrick Vieira e Robert Pirès para conquistar o seu primeiro título, batendo o Japão na final. Só não cumpriu as expectativas um ano depois, com o time completo, na Copa do Mundo. Já em 2003, outra vez os Bleus usaram a competição para testes. Uma das raras estrelas era justamente Thierry Henry, que destoou e fez um torneio brilhante, anotando quatro gols em quatro jogos, o que lhe valeu a Bola de Ouro do certame e a Chuteira de Ouro. Mais marcante foi a comemoração do primeiro gol nas semifinais contra a Turquia, pouco depois da morte de Foé. O artilheiro apontou para os céus, ao lado dos demais companheiros, em homenagem ao camaronês.

– A noite mágica do Brasil

Quem viu aquela partida fantástica em Frankfurt certamente ficou com as imagens gravadas na memória. Poucas vezes em sua história a seleção brasileira teve uma atuação tão espetacular. Aconteceu justamente contra a Argentina, em uma decisão: a final da Copa das Confederações de 2005. Ronaldinho, Kaká e (sobretudo) Adriano estavam impossíveis diante da Albiceleste. O centroavante, inclusive, já tinha acabado com a Alemanha, em um jogo de altos e baixos nas semifinais, até demolir os maiores rivais. Goleada simbólica, que, entretanto, acabou inflando os egos e as expectativas – estas, não cumpridas quando a coisa realmente valia. Em 2006, ficou o oba-oba e a decepção pela queda de um elenco que tinha muito mais potencial.

– A copa de Papai Joel

Em 2009, o mundo conheceu o barulho ensurdecedor das vuvuzelas e a paixão dos sul-africanos nas arquibancadas. E os Bafana Bafana tiveram um papel digno na Copa das Confederações, algo que não se repetiria no Mundial. Treinados por Joel Santana, os anfitriões avançaram na fase de grupos, antes de darem trabalho ao Brasil nas semifinais e forçarem a prorrogação contra a Espanha na decisão do terceiro lugar, em partida emocionante. A única aventura internacional de Papai Joel, que deixou como legado suas emblemáticas entrevistas em inglês, mas não resistiria até a Copa do Mundo, substituído por Carlos Alberto Parreira meses depois.

– A zebra americana

Os Estados Unidos também tiveram uma participação marcante em 2009. Passaram na fase de grupos na bacia das almas, mas deixando a Itália para trás. O grande feito veio nas semifinais, derrotando a favoritíssima Espanha, com Jozy Altidore e Clint Dempsey resolvendo na frente. E por muito pouco o US Team também não aprontou diante do Brasil de Dunga, depois de encerrar o primeiro tempo com dois tentos de vantagem. Cedeu a virada por 3 a 2, mas, mesmo assim, teve um motivo para se orgulhar. Nada, porém, que se cumprisse na Copa do Mundo de 2010.

– A final da ilusão

Luiz Felipe Scolari viveu o seu ápice na segunda passagem pela Seleção na final da Copa das Confederações. Tudo aconteceu perfeitamente no Maracanã. A torcida empurrou o time e o Brasil jogou muita bola para atropelar a Espanha. Neymar estava inspiradíssimo, Fred resolveu até deitado. O meio-campo anulou a magia de Iniesta e Xavi, com Luiz Gustavo e Paulinho trancando a porta na cara dos craques adversários. Até David Luiz fez uma grande apresentação, com seu inesquecível carrinho para salvar uma bola em cima da linha. Pena que essa consistência toda não se repetiria no ano seguinte. Este filme, ainda mais, não preciso lembrar a vocês.

– Orgulho, Taiti!

Taitianos após a derrota para o Uruguai: eles não esperavam tanto apoio do povo brasileiro

Por fim, o maior momento da história da Copa das Confederações está em sua pequenez. O Taiti teve o prazer de disputar sua primeira competição internacional com a seleção adulta, levando um time repleto de amadores. E os visitantes simpáticos acabaram acolhidos pelo povo brasileiro. Os gritos de olé a favor dos polinésios ecoaram em todos os estádios, independentemente das goleadas sofridas. Não teve tento mais comemorado que o de honra na estreia, contra a Nigéria. Já no massacre da Espanha, outro momento épico ficou por conta pelo pênalti desperdiçado por Fernando Torres, igualmente festejado como um gol dos nanicos. A gratidão dos visitantes era visível em cada gesto, principalmente nas coletivas do técnico Eddy Etaeta – que chegou a doar ingressos para crianças de comunidades carentes na região do Maracanã. Após a derrota derradeira para o Uruguai, ficou a imagem do elenco aplaudindo as arquibancadas, carregando bandeiras do Brasil e erguendo uma faixa de agradecimento em português. Campeões do carisma.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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