12 de dezembro de 2012. Para os supersticiosos, esta é uma data cabalística, para os céticos apenas uma coincidência numérica. Mas, para os torcedores do Boca Juniors, trata-se do “Día de la Hinchada Más Grande del Mundo”, como batizaram os próprios Xeneizes, que nesta quarta-feira pretendem invadir o Obelisco, monumento histórico de Buenos Aires, para comemorar.

A princípio, festeja-se o orgulho de ser Boquense, mas as celebrações podem ganhar ares nostálgicos com o possível retorno de Carlos Bianchi ao comando técnico da equipe. O secretario geral do clube, Marcelo London, adiantou que nesta quarta haverá uma reunião entre o presidente, Daniel Angelici, e o Virrey, na qual o mandatário apresentará uma proposta ao sonho de consumo da torcida.

Politico, Angelici jogou a responsabilidade para a torcida. Primeiro, em demitir o técnico Julio Cesar Falcioni, depois de anunciar que não renovaria seu contrato e de ter começado uma negociação; Segundo, em ir atrás de Bianchi, vide sua preferência ser Guillermo (e Gustavo) Barros Schelotto, que já informou que cumprirá seu contrato até junho de 2013.

Agora, os planos iniciais tornaram-se alternativas a recusa de Carlitos. O plano B seria Rodolfo Arruabarrena ou Jorge Ribolzi e Hugo Ibarra assumindo interinamente, como terceira opção. Só para constar: os Mellizos Schelottos, o Índio Ibarra e o Vasco Arruabarrena são discípulos do técnico mais vencedor do clube. Caso aceite, esta será a terceira Era Bianchi no clube.

Independente das opções escolhidas, o Boca Juniors terá um pouco de Carlos Bianchi. Mas, diante da grandeza, sejam eles supersticiosos, céticos ou apenas Boquenses, o que todos querem de presente neste “Dia do Torcedor Xeneize” é o retorno do Virrey.

Maurício Macri

O ex-presidente do clube e atual prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri, acredita que o Boca Juniors é um dos Ministérios do seu governo. Mesmo a distância se prontificou em afastar Juan Román Riquelme e Carlos Bianchi, ambos seus desafetos, da equipe. Quando percebeu que as tentativas contra o Virrey seriam em vão, mudou o discurso dizendo que não será um obstáculo. Quanto a Román, disse que merecia uma partida de despedida, somente.

Juan Román Riquelme

O ídolo Xeneize, JR Riquelme, sabe muito bem sua importância para o clube, talvez seja esse o grande problema. Afinal, ele tem se mostrado bem oportunista em suas aparições e, sobretudo, nas declarações. Transfere a culpa de sua saída do clube para o ex-técnico e para o presidente do clube, com a maestria de quem sabe tumultuar qualquer ambiente que já não precisa de centelha para incendiar.

Julio Cesar Falcioni

O ex-técnico do Boca Juniors, Julio Cesar Falcioni, não agradou aos Boquenses. Fato. Talvez por sua personalidade ou atitude com algumas estrelas do plantel – incluso a saída de Román -, mas não pelo desempenho da equipe, que voltou a brigar por títulos. JC comandou a equipe em 99 jogos oficiais, com 47 vitórias, 37 empates e 15 derrotas, ou seja, obteve 60% de aproveitamento. Conquistou o Apertura 2011 e a Copa Argentina 2012, ambos invicto. Também alcançou uma sequência de 33 partidas sem perder. Além disso, foi vice-campeão da Copa Libertadores e Supercopa Argentina, ambos neste ano.

Eras Bianchi

Em sua primeira passagem pelo Boca Juniors, entre 1998 e 2001, Bianchi disputou 250 partidas, vencendo 133, empatando 70 e perdendo 47. Obteve 62,5% de aproveitamento. Conquistou os títulos do Apertura 1998, Clausura 1999 e Apertura 2000, além das Copas Libertadores 2000 e 2001 e Copa Intercontinental 2000. Já aqui, elevou o clube de patamar.

Na última passagem, entre 2003 e 2004, o técnico comandou a equipe em 90 partidas oficiais, das quais venceu 52, empatou 22 e perdeu 16, com 65% de aproveitamento. Foi campeão do Apertura, Copa Libertadores e Copa Interamericana, ambas em 2003. Vice-campeão do Clausura 2003 e 2004 e da Copa Libertadores 2004 e Recopa Sul-Americana 2004.

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