O primeiro jogo do Mundial de Clubes é aquela velha história do campeão do país-sede contra um time que é legitimamente merecedor de estar no Mundial por ser campeão da Oceania, mas é amador, e, por isso, sofre um bocado para estar no nível dos demais times. Ainda assim, é um jogo que costuma dar caldo. Raramente o time da Oceania é atropelado, ainda que amador, ou ao menos parcialmente amador. Nesta quarta-feira, o Team Wellington estreou no Mundial de Clubes fazendo bonito: chegou a abrir 3 a 0, mas sofreu o empate e caiu diante do Al Ain, o time da casa nos Emirados Árabes, e foi eliminado.

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O Team Wellington estreia no Mundial porque derrubou o hegemônico Auckland localmente e ficou com o título continental. E passou longe de ser facilmente batido. Ao contrário: com os três gols que marcou ainda no primeiro tempo tornou o jogo muito mais interessante e emocionante. A eliminação, porém, vai doer, pela proximidade de conseguir a vaga e avançar às quartas de final.

Nos primeiros 10 minutos de jogo, o Al Ain fez o que se esperava dele e tentou pressionar. Quase todos os lances de ataque eram do time dos Emirados Árabes. Na marca de 10 minutos, o Team Wellington chegou despretensiosamente ao ataque. Barcia recebeu na intermediária e, com muito espaço, ajeitou e mandou o chute dali mesmo. Acertou o ângulo. Um golaço para abrir o Mundial de Clubes com estilo.

Zebra? Era o que parecia. O Al Ain foi para o ataque, levando perigo logo no lance seguinte. Só que logo apareceria outra chance. No ataque seguinte do Team Wellington, uma bela troca de passes no meio da defesa adversária e Aaron Clapham recebeu pelo meio, livre, e tocou de pé esquerdo para marcar 2 a 0. A comemoração ensandecida refletia o que aquele gol significava.

O Al Ain pareceu se recuperar na partida aos 29 minutos. Mohanad deu uma entrada dura em Watson, que tinha a posse da bola. O árbitro não marcou a falta e, no contra-ataque, o brasileiro Caio recebeu um passe em profundidade para tocar com categoria e diminuir o placar em 2 a 1. A comemoração, porém, não durou nem um minuto: o árbitro não confirmou o gol, chamado pelo assistente de vídeo. O árbitro do jogo, Ryuji Sato, foi à beira do gramado revistar o lance e anulou o gol, marcando falta na origem da jogada. Um erro consertado pelo uso do VAR.

No final do primeiro tempo, dois gols movimentaram a partida. Primeiro, o Team Wellington conseguiu ampliar o placar em uma jogada ensaiada, aumentando o tamanho da surpresa. Em uma jogada na área, Ilich completou para marcar um estrondoso 3 a 0 no placar, aos 44 minutos.

Só que logo depois, na marca de 45, o lateral Shiotani recebeu uma bola pela esquerda, se antecipando à marcação, e chutou cruzado para vencer o goleiro Scott Basalaj, descontando para 3 a 1. O jogo foi para o intervalo com boas expectativas para o segundo tempo, considerando que o placar, ainda que muito favorável aos neozelandeses, ainda era alcançável.

Logo no início do segundo tempo, o Al Ain conseguiu o que queria: um gol cedo. Aos três minutos, o brasileiro Caio recebeu boa bola na esquerda, foi à linha de fundo e cruzou para trás. Doumbia, no meio da área, tocou para o gol e marcou, diminuindo a vantagem para apenas um gol: 3 a 2. O jogo estava aberta.

O Al Ain tinha mais volume de jogo, mas a qualidade das chances não era tão grande. O time dos Emirados tentava pressionar, mas não conseguia nada além de cruzamentos e chutes sem tanto perigo. A impressão do início do segundo tempo era que o Al Ain conseguiria uma reação melhor do que efetivamente teve. O Team Wellington raramente chegava ao ataque, mas à medida que o tempo passava, o time da Oceania parecia ter mais tranquilidade, inclusive para jogar com a bola.

Duas chances seguidas, um para cada lado. Primeiro, o Team Wellington ameaçou em um lançamento longo, que obrigou o goleiro Khalid Eisa a sair rapidamente do gol, dar um tapa na bola e, já fora da área, dar um chute quando já estava caindo para afastar dali. Aos 32 minutos, o Al Ain teve uma grande chance. Caio recebeu no lado esquerdo e finalizou firme, mas a bola bateu no pé da trave e saiu.

O time neozelandês valorizava cada lance, demorando a fazer desde cobranças de laterais até saída do gramado em substituições. O tempo passava e o nervosismo do Al Ain aumentava. Na sua última substituição, o treinador do Al Ain, Zoran Mamic (sim, irmão do ex-presidente da Federação Croata e um picareta de marca maior), colocou em campo o seu jogador mais famoso: Marcus Berg, aos 33 minutos. O camisa 9, jogador da seleção sueca, levou muito perigo.

Em dois lances, Berg chegou perto de marcar. Ambas em cruzamentos para a área. Primeiro, um lance na esquerda que encontrou Berg em boa posição dentro da área e o centroavante cabeceou colocando a bola no canto contrário ao goleiro, o deixando sem ter o que fazer, mas a bola saiu. Depois, da direita, novo cruzamento, nova cabeçada de Berg, mais uma vez fora do alvo.

Aos 39 minutos, Berg mais uma vez mostrou o seu valor. Bola para dentro da área, a zaga do Team Wellington tirou, a bola sobrou para Diaky, que ajeitou de cabeça para Berg. O camisa 9 girou bonito, acertando o canto, indefensável: 3 a 3 no placar. Nos minutos finais, o Al Ain ficou mais perto de chegar ao quarto e decisivo gol. Berg teve nova chance em um ataque rápido, mas acabou chutando para fora. O placar acabou mesmo em 3 a 3 e foi para a prorrogação.

Berg, então, voltou a se destacar. No primeiro lance de perigo, antes dos dois minutos do tempo extra, ele tabelou com Diaky e chutou, frente a frente com o goleiro, mas Basalaj fez a defesa. Com os dois times cansados, as chances foram rareando e o Team Wellington se segurou como pode. E jogou. Os dois times tentaram jogar, mas fisicamente sentiu muito. O Al Ain também cansou e o jogo acabou se arrastando na direção dos pênaltis.

Diaky cobrou o primeiro pênalti para o Al Ain e marcou. Allen cobrou o primeiro pelo Team Wellington e empatou. O astro Berg cobrou o segundo pênalti pelo Al Ain e isolou: chutou por cima do gol e deixou os torcedores com a mão na cabeça. Kilkolly foi o próximo a cobrar, bateu cruzado, e o goleiro do Al Ain, Khalid Eisa, defendeu. Manteve o empate. Elshahat foi quem cobrou em seguida, e muito bem: 2 a 1. Ilich, autor do terceiro gol do Team Wellington, cobrou em seguida e marcou, com categoria, empatando em 2 a 2.

A quarta cobrança do Al Ain veio com o japonês Shiotani, outro que marcou gol na partida, e foi no alto, indefensável: 3 a 2. Watson foi com responsabilidade para a bola e cobrou com emoção. Foi muito bem: apesar do frio na espinha, a bola bateu no travessão e entrou. O brasileiro Caio foi o cobrador seguinte e colocou novamente o Al Ain em vantagem, 4 a 3. O batedor do Team Wellington precisava marcar para evitar a eliminação do seu time. O capitão Gulley foi o responsável, mas cobrou no canto e o goleiro Khalid Eisa defendeu.

O Al Ain avança. O Team Wellington, na sua primeira participação, e eliminado no primeiro jogo. Gulley ficou parado perto da marca do pênalti, arrasado pela perda do pênalti. Todo o time neozelandês veio ao seu encontro para apoiá-lo, apesar da derrota.

O Al Ain enfrentará o Esperance Tunis, da Tunísia, no sábado, às 14h30 (horário de Brasília). Antes, o outro confronto das quatas de final envolvendo o Chivas, do México, campeão da Concacaf, contra o Kashima Antlers, do Japão, campeão da Ásia.