Por Paulo Silva Junior

É inédito: pela primeira vez a reta final de uma Copa do Mundo de Futsal não terá a seleção brasileira, cinco vezes campeã, uma vez vice e uma vez terceira colocada nas sete edições do torneio organizado pela Fifa. Na noite desta quarta-feira, o jogo de oitavas de final contra o Irã acabou decidido nos pênaltis após empate por 4 a 4. E a festa foi iraniana, acertando as três cobranças e vendo o experiente Ari parar na trave do goleiro Samimi.

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Com o resultado, o Irã enfrenta o Paraguai nas quartas de final, sábado. Já o futsal brasileiro, além de terminar a Copa com a pior campanha de sua vitoriosa história, provavelmente se despede de Falcão, que aos 39 anos teve atuação decisiva e marcou três gols no último jogo de sua carreira em Mundiais, onde é recordista de partidas e gols.

O Irã, grande força do esporte na Ásia, repete o resultado de 2008, quando ficou entre os oito melhores, e supera o de 2012, edição em que foi eliminado pela Colômbia na própria fase de oitavas de final.

O jogo

A seleção brasileira começou com uma formação diferente, com Tiago no gol e um time de linha composto por Ari, Rato, Fernandinho e Dyego – esse último foi a grande surpresa ao ocupar a vaga de Bateria, que entrou em quadra só aos 13 minutos de jogo, como opção após a rotação dos dois quartetos. E o início da partida foi bastante equilibrado, com pouquíssimos ataques de ambos os lados.

Passados os primeiros cinco minutos, Serginho fez a troca para Rodrigo, Xuxa, Falcão e Dieguinho. A nova escalação foi para cima, dando trabalho para o goleiro Samimi desde os primeiros instantes em quadra. Até que aos 9 minutos Falcão mostrou porque ainda faz a diferença no poder de finalização e pegou de primeira, cruzado, após cobrança de escanteio, para abrir o placar em Bucaramanga.

Pouco depois, aos 11, Falcão quase ampliou no contra-ataque, e o segundo dele veio aos 13. Ari sofreu falta na entrada da área e Serginho colocou Rodrigo e Falcão para uma cobrança ensaiada. O fixo ameaçou bater e tocou no pé da trave para o camisa 12 marcar de letra. Um golaço.

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A parte final do primeiro tempo teve o Irã vivendo grande momento. Aos 14 minutos, o Brasil pediu falta em Bateria, mas a arbitragem deixou seguir e Tayebi mostrou categoria para limpar Tiago e diminuir. Os iranianos seguiram no ataque, e depois de um lindo drible de Tavakoli, por baixo das pernas de Rodrigo, o próprio Tayebi foi travado na hora do chute. Alívio para o Brasil, que foi para o intervalo em vantagem mínima.

O duelo seguiu bem equilibrado no segundo tempo, e os números comprovam isso. Faltando 11 minutos para terminar, o número de finalizações estava empatado em 29 a 29, sendo que cada lado havia acertado 10 vezes a meta adversária. Num lance mais plástico, Falcão tentou de bicicleta, mas parou em Samini.

O Brasil também pediu pênalti numa jogada de Dieguinho, que depois recebeu passe e tentou encobrir o goleiro, mas o iraniano salvou com um tapa, tirando para escanteio. Finalmente, aos 29, Dieguinho marcou o dele após tanto insistir, aproveitando saída errada da defesa rival – 3 a 1 para o Brasil no meio da etapa final.

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Mas tal como no primeiro tempo, o Irã seguiu trabalhando a bola, com paciência, e marcando filme. Mantendo o jogo bastante equilibrado do início ao fim. E num belo chute cruzado aos 31, Kazemi venceu Tiago e fez 3 a 2. Jogo novamente aberto na Colômbia, e Tiago salvando o Brasil logo em seguida, saindo com coragem nos pés de Kazemi.

Restando quatro minutos, o Irã colocou o goleiro-linha com Keshavarz e a formação não precisou de muito tempo para empatar com Hassan Zadeh após ótima troca de passes. Depois, os últimos momentos do tempo regulamentar foram de sustos para o Brasil, que teve dificuldades em acertar a marcação e, no fim das contas, foi para a prorrogação vendo o adversário numa fase melhor no confronto empatado em 3 a 3.

Prorrogação e pênaltis

A primeira chance foi iraniana, mas foi Fernandinho que chegou perto de marcar, tocando por baixo do goleiro e vendo a bola tirar tinta da trave. O Brasil passou a dominar as ações, e Rodrigo, Falcão e Xuxa, em chutes fortes de fora, também passaram perto.

O segundo tempo manteve o ritmo alucinante e, parafraseando um narrador famoso, o teste para cardíacos. Bastou Falcão fazer 4 a 3, aproveitando bobeira do Irã e encobrindo Samimi, que Keshrvarz, como goleiro-linha, deixou tudo igual na sequência. No fim, os iranianos seguraram na defesa e Samimi defendeu as duas últimas finalizações do camisa 12 brasileiro para manter o 4 a 4.

Na disputa por pênaltis, Rodrigo abriu fazendo 1 a 0. O técnico Serginho colocou Guitta na vaga de Tiago, e o goleiro brasileiro começou sendo batido por Hassan Zadeh. Com tudo igual, Ari bateu de chapa, deslocando o goleiro, mas parando na trave. E Sangsefidi colocou o Irã na frente chutando com força. Falcão ainda fez o dele com categoria, mas Esmaeilpour manteve os 100% do Irã para fechar em 3 a 2.

Espanha pega a Rússia

Outra das favoritas ao título, a Espanha jogou no mesmo horário que a seleção brasileira, mas em Medelín, e não teve vida fácil contra o Cazaquistão. Apesar do placar final de 5 a 2, o jogo foi para o intervalo empatado por 1 a 1, e ficou em 2 a 2 até a metade do segundo tempo. Depois do terceiro gol espanhol, o Cazaquistão correu riscos com o goleiro adiantado e levou mais dois já no último minuto da partida.

No mesmo lado da chave, ambas as quartas de final acontecem no sábado, dia 24: Irã x Paraguai em Bucaramanga, às 17h30; Rússia x Espanha em Cali, às 20h.

Atualizado às 23h

Vale destacar também a reverência que Falcão recebeu dos jogadores iranianos. Apesar do abatimento pela eliminação, o camisa 12 foi bastante festejado pelos rivais e, na provável despedida, lançado para o alto. Como um rei.

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