Nesta semana, foram disputados os jogos de ida das quartas de final da Liga dos Campeões da Ásia 2014. E a grande surpresa ocorreu no confronto entre Western Sydney Wanderers (Austrália) e Guangzhou Evergrande (China). Os australianos apenas estreiam no torneio continental e só estão na LC da Ásia em razão do título da primeira fase na liga nacional, enquanto o Guangzhou Evergrande, além de ser tricampeão chinês e estar perto do tetracampeonato, é o atual vencedor da Liga dos Campeões da Ásia, tendo participado do Mundial de Clubes da Fifa 2013.

Fica fácil perceber quem é o favorito para alcançar as semifinais, ainda mais se comparando as finanças das duas equipes. O milionário Guangzhou Evergrande tem elenco avaliado em £ 22,2 milhões, aumento de 44,8% em relação a 2013, de acordo com o Transfermakt. Os chineses são os líderes nacionais no quesito, realidade totalmente oposta à do Western Sydney Wanderers: a equipe australiana tem elenco avaliado em apenas £ 5,9 milhões (queda de 7,5% em relação a 2013), sendo o oitavo mais valorizado da A League, dentre dez participantes.

 

Curiosamente, quando os 22 jogadores adentraram o gramado do estádio de Parramata, em Sydney, o futebol provou que nem sempre ter dinheiro significa vencer. Os 17 mil torcedores do Western Sydney Wanderers tiveram o prazer de comemorar por volta dos 15 minutos do segundo tempo o gol do atacante Tomi Juric, australiano de origem croata.

Ninguém esperava um gol do time australiano, muito menos a vitória no jogo de ida. É claro que o Guangzhou Evergrande tem todas as chances de reverter o placar adverso em casa, na próxima semana. Até porque não é qualquer time asiático que tem no elenco jogadores como Elkeson, Alessandro Diamanti e Alberto Gilardino, além do técnico italiano Marcello Lippi.

É possível que o Western Sydney Wanderers sonhe com o título da Liga dos Campeões da Ásia (algo quase impossível de ocorrer), mas, mesmo que seja eliminado nas quartas de final, já terá sido uma grande campanha. Ninguém imaginava ver um time australiano passando da fase de grupos, mas a equipe surpreendeu e foi a grande surpresa.

Nas oitavas de final, o Sanfrecce Hiroshima (Japão) fez 3 a 1 no jogo de ida, mas os australianos marcaram duas vezes na volta, a última aos 40 minutos do segundo tempo, conseguindo a classificação por causa do gol marcado fora de casa. E tudo isso está sendo possível em razão de escolha feita nos idos de 2006…

Ascensão relâmpago

Até oito anos atrás, o futebol australiano estava vinculado à Oceania, o continente de futebol mais fraco do planeta, onde todas as seleções são amadoras ou no máximo semiprofissionais, no caso da Nova Zelândia. De um ano para outro, os times australianos deixaram de enfrentar adversários dos naipes de Vanuatu, Taiti e Fiji e passaram a medir forças com equipes japonesas e sul-coreanas.

A estreia do país na Liga dos Campeões da Ásia ocorreu em 2007, mas Sydney FC e Adelaide United não passaram da fase de grupos. A primeira vez que isso aconteceu foi em 2008, quando o Adelaide não só liderou sua chave, mas alcançou a final do torneio – levou de 5 a 0 no placar agregado do Gamba Osaka (Japão).

Depois da campanha histórica, poucos times australianos passaram de fase, e quem conseguia parava nos primeiros embates do mata-mata, geralmente com goleadas, como nos 6 a 0 do Pohang Steelers sobre o Newcastle Jets (oitavas/2009) e nos 5 a 1 do Guangzhou Evergrande em cima do Central Coast Mariners (oitavas/2013).

Mas não foram só os clubes que se beneficiaram da mudança de confederação. A própria seleção nacional mudou muito nas últimas décadas. Em 1974, a Austrália jogou a Copa do Mundo pela primeira vez e todos os jogadores atuavam no futebol local, totalmente amador. 40 anos depois, são sete atletas caseiros, isso porque a Austrália enfrenta mudança de gerações, precisando renovar o elenco – no Ranking da Fifa, a pior posição australiana foi o 92º lugar, ocorrido em junho de 2000. O melhor resultado aconteceu em setembro de 2009, a 14ª melhor seleção.

Sabe-se que o futuro de qualquer seleção na Copa do Mundo começa a ser construído nos clubes locais, que precisam competir em ligas fortes e torneios internacionais de nível. A tendência é que surpresas como a do Western Sydney Wanderers nesta LC da Ásia ocorram com mais frequência no futuro. Mas ainda é cedo para sonhar com título continental.

Curtas

– Nos outros confrontos das quartas de final, o Al Ain (Emirados Árabes) surpreendeu o Al Ittihad (Arábia Saudita) ao vencer a dois gols, sendo um do atacante ganês Asamoah Gyan, artilheiro do torneio com 11 gols. O Al Hilal (Arábia Saudita) fez 1 a 0 no Al Sadd (Catar), enquanto os sul-coreanos Pohang Steelers e FC Seoul ficaram no 0 a 0. Os jogos de volta ocorrem nos próximos dias 26 e 27 de agosto.

– O Western Sydney Wanderers tem seis estrangeiros no elenco, sendo um brasileiro. O meia canhoto Vítor Saba tem 24 anos e jogou na base do Flamengo, passando por Macaé, Vitória e Boavista, todos por empréstimo. Nas últimas duas temporadas, Vítor esteve no Brescia, da segunda divisão italiana, antes de chegar à Austrália, em 20 de junho de 2014. O contrato é de dois anos. Outro destaque é o atacante holandês Romeo Castelen, 31, ex-Feyenoord e Hamburgo. Há ainda o jovem zagueiro nigeriano Seyi Adeleke, 22 anos, emprestado pela Lazio.

– A seleção australiana vai enfrentar Bélgica e Arábia Saudita nos amistosos de setembro e o técnico local Ange Postecoglou chamou apenas o atacante Tomi Juric do Western Sydney Wanderers. São quatro australianos atuando na liga nacional.

– Veja o Ranking de times mais caros das oitavas de final (os valores estão em libras): Guangzhou Evergrande (22,2 milhões), FC Seoul (16 milhões), Al Hilal (14,9 milhões), Al Ittihad (13,3 milhões), Pohang Steelers (10,4 milhões), Al Sadd (9,9 milhões) e Western Sydney Wanderers (5,9 milhões). O Al Ain não tem valoração no Transfermakt.


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