Os confrontos contra o Barcelona de Guardiola e, especificamente, um Lionel Messi em forma são apontados por muitos como o momento em que José Mourinho se perdeu. Aquele seu Real Madrid fazia muitos gols, é verdade, mas enfrentou os catalães várias vezes na retranca e seus trabalhos seguintes foram marcados pelo defensivismo excessivo. Não é essa a opinião do português. Em entrevista à agência Efe, Mourinho afirmou que Messi ajudou a torná-lo um treinador melhor.

“Sempre digo que devo tanto a meus jogadores quanto aos que não foram meus jogadores e me criaram problemas. Por exemplo, Messi nunca jogou na minha equipe, mas joguei contra ele e ele fez de mim um treinador melhor, por ter que preparar as partidas, por ter que organizar minha equipe. Quando digo Messi, digo também todos os grandes jogadores contra os quais joguei”, disse.

Mourinho teve uma passagem de altos e baixos no Real Madrid. Por um lado, conquistou o Campeonato Espanhol com 100 pontos e 121 gols marcados e quebrou a maldição das oitavas de final da Champions League, com três campanhas de semifinal. Por outro, foi demitido, após problemas de relacionamento, e levou algumas pancadas feias do Barcelona.

“Foram três bons anos, obviamente, com dificuldades e problemas, mas faz parte da vida profissional, que não é fácil. Tenho lembranças fantásticas. O período em que estive em Madri foi difícil para o Real, um período em que o Barcelona foi dominante, não apenas em termos de resultados, mas também de opinião pública. Jogavam um futebol muito bonito, tinham jogadores de criatividade e magia fantásticas. Nós tínhamos que romper com este domínio”, disse.

Desempregado desde que deixou o Manchester United, Mourinho vem dizendo que o seu próximo clube tem que ser um lugar “ao qual ele pertence”, que compartilhe das suas ambições. Justamente para não dar espaço a interpretações, ele afirmou que evita comparecer a partidas do Real Madrid no Santiago Bernabéu, mas que continua com bom relacionamento com Florentino Pérez, assim como com todos os presidentes com os quais trabalhou.

“Você falava de portas abertas, e eu senti isso no momento em que fui embora. Sempre sai como uma pessoa séria, honesta, que deu tudo e que tinha as portas abertas. Não tenho problemas em dizer que, quando você sai depois de três anos no Real Madrid, você é um madridista. Ponto. Há coisas que não mudam”, encerrou.