Quando surgiu, o Fair Play Financeiro se apontava como uma excelente ideia para evitar disparidades no futebol europeu. A prática, no entanto, vai deixando descontentes. Alguns clubes mais endinheirados encontraram maneiras de burlar a regulamentação, como nos empréstimos realizados pelo Paris Saint-Germain. Em contrapartida, há quem avalie o processo como uma maneira de perpetuar a hegemonia dos times mais tradicionais. E, embora o Chelsea se aproveitado dos anos prévios ao Fair Play para ascender, José Mourinho não aprova a realidade que vê entre as equipes europeias.

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“Eu penso que o Fair Play Financeiro é uma grande contradição. Quando foi criado, a intenção era a de colocar os clubes em iguais condições para competir. Mas o que aconteceu de fato é que as regras são uma grande proteção aos clubes grandes e históricos. Eles possuem estrutura financeira e comercial, tudo no lugar, baseado em anos e anos e anos de sucesso”, analisou Mourinho. Visões bastante pertinentes, diante de ligas cada vez previsíveis e da Champions monopolizada entre poucos. Raros são os desafiantes a esse status e mais difícil ainda é se manter no topo.

“Os novos clubes, que eu chamo de novos por causa dos investimentos recentes, não podem se colocar no mesmo nível tão rapidamente. Clubes com novos donos não podem atacar imediatamente o controle e a dominação dos grandes clubes”, complementou, analisando também a situação em Stamford Bridge. “O Chelsea não é um clube histórico, mas também não possui novos investidores. Temos o mesmo dono há mais de 10 anos, com uma história importante e grande estabilidade. Nesse momento, penso que estamos abaixo dos grandes. Posso dizer que somos um clube excelente com ambições de ser um grande”.

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Após grandes investimentos nos primeiros anos de Roman Abramovich, o Chelsea tem apertado os cintos no mercado. Apesar das contratações bombásticas de Diego Costa e Cesc Fàbregas na última janela de transferências, os Blues aproveitaram a oportunidade para fazer dinheiro com as vendas. Entre chegadas e saídas, o balanço do mercado nesta temporada é de € 10 milhões negativos, débito irrisório diante das gastanças passadas do magnata russo.

Embora a nova realidade do Chelsea seja incômoda com o menor poder financeiro comparado ao Manchester United, por exemplo, Mourinho possui sua parcela de razão. É preciso se repensar os rumos do Fair Play Financeiro. Por mais que as promessas de equiparação sejam a longo prazo, as perspectivas neste momento são de fortalecimento dos gigantes. Só que o fim da regulamentação também surge apenas como um afago dos magnatas. A grande questão foge das críticas do técnico: como um clube poderá ser competitivo sem ter o dinheiro de gigantes ou de ricaços, apenas por seus méritos esportivos, se há uma elite perpetuada? Problema que a própria Uefa parece não encontrar a solução.