O mercado de transferências é criticado desde (quase) sempre por seus valores por vezes extravagantes. O ponto mais alto disso foi em 2017, quando o PSG quebrou a banca ao pagar a multa de Neymar, de € 222 milhões, para tirá-lo do Barcelona. Com a pandemia da COVID-19 e a crise econômica que ela traz junto, grande parte das indústrias devem sofrer retração, algumas muito fortes. O futebol deve ser um deles. Uma das pessoas que acredita nisso é o técnico do Tottenham, José Mourinho.

O Tottenham é conhecido por ser um clube de gestão bastante pragmática e que não gasta tanto quanto os rivais. Isso se tornou ainda mais evidente quando, na temporada 2018/19, o Tottenham não fez nenhuma contratação na janela de verão europeu (julho/agosto). Mesmo assim, o clube foi até a final da Champions League. O presidente do clube, Daniel Levy, é considerado um negociador difícil e que não costuma gastar muito. Ainda mais porque nos últimos anos o clube gastou muitos milhões de libras no seu novo estádio – uma obra que custou certa de 1 bilhão de libras.

No começo da temporada 2019/20, o Tottenham quebrou seu próprio recorde de transferências ao contratar Tanguy Ndombélé por £ 55 milhões (€ 60 milhões), ainda com o treinador argentino Mauricio Pochettino, demitido em novembro de 2019. Chegou José Mourinho, que foi quem comandou o time na janela seguinte, em janeiro. O clube levou o atacante Steven Bergwijn para Londres por £ 27 milhões (€ 30 milhões). Houve uma cobrança grande para que o clube abrisse a carteira, diante da lesão de Kane.

Mourinho acredita que a situação da pandemia fará com que não vejamos tantas “loucuras”, como vinha acontecendo. “É normal que tenhamos um mercado diferente, eu não vejo o mundo, especialmente o mundo do futebol, pronto para alguns números malucos que costumávamos ter”, disse o treinador. “A primeira questão depois disso é quando será a janela de transferências? Eu não acho que será mais em julho ou agosto mais, terá que ir até depois disso”.

“Eu gostaria que meu clube seja o que eu sei que nós seremos: sensíveis, equilibrados e não gastar rios de dinheiro. Nós estamos tentando respeitar a situação, não apenas o futebol, mas a situação no mundo e na sociedade como um todo. Mas isso é a última coisa que nós estamos pensando, não estamos nem pensando nisso. Nós queremos jogar, é difícil ver outros países jogando futebol e nós não. Mas nós confiamos nas autoridades e no que a Premier League está fazendo. Quando eles disserem que é o momento de começar, nós queremos fazer isso”, disse ainda Mourinho.

O Tottenham está em oitavo lugar na Premier League, com 29 jogos disputados. O time está a sete pontos do Chelsea, quarto colocado, posição que dá vaga na próxima Champions League.