José Mourinho é alguém de quem o torcedor da Internazionale jamais vai esquecer. Isso porque dois anos depois do português ter chegado à Milão, um jejum de 43 anos parou de assombrar os nerazzurri e a Inter finalmente voltou a vencer a Champions League. Não que o treinador tenha feito milagres rumo a essa conquista. O elenco da Beneamata era muito, mas muito bom. Forte defensivamente na mesma proporção que o ataque era infalível. Mas o triunfo teve um gosto mais do que especial, já que se tratava da quebra de uma abstinência de décadas. Aquela campanha é inesquecível. E não só para a os azuis da capital lombarda. Segundo Mourinho, ter recolocado a Inter no mapa da Europa é, de longe, sua melhor memória.

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“Minha melhor memória? Ter vencido com a Inter aquela final [contra o Bayern de Munique, em 2009/10]”, confessou ao Daily Mail quando questionado sobre o momento de sua carreira que mais gostava de relembrar. “Com o Porto tinha um time de jovens. De pessoas com muitos anos a frente deles [os nerazzurri]”, prosseguiu. “Se nós não tivéssemos ganhado a Champions em 2004, provavelmente teríamos continuado no clube. Depois daquela vitória eu fui embora – todo mundo foi -, mas se não tivéssemos vencido, teriamos ficado no Porto por mais alguns anos”, afirmou Mou, que era novato e visto como uma aposta quando assumiu o comando técnico dos Dragões, time que contava com talentos de pouca idade, como Ricardo Quaresma, na época com 20 anos.

“A Inter era um time formado por jogadores experientes. Era uma equipe com pessoas que queriam fazer aquilo pela sua carreira inteira. Antes de vencermos, era frustração atrás de frustação”, continuou a dizer o técnico. “Aquela final era a última chance de [Marco] Materazzi, [Francesco] Toldo, [Javier] Zanetti, [Iván] Córdoba e [Esteban] Cambiasso. Era “agora ou nunca”. Realmente foi uma jornada maluca”, contou. E como foi. Mourinho já havia se provado em sua primeira temporada na Inter, quando faturou o 15º Scudetto da história nerazzurra. Mas o caminho que o time de Milão queria percorrer era em direção à Orelhuda, e este, por sua vez, não foi fácil. Logo na fase de grupos, a Internazionale já se viu ante a pedreira que era (e ainda é) enfrentar o Barcelona. Por pouco, o sonho de ser tricampeã não acabou mais cedo do que o costume para a Beneamata, que avançou às oitavas de final depois de uma classificação um tanto suada.

Na fase seguinte, Mou encararia o Chelsea, sua ex-equipe. Ou seja, além de precisar fazer com que a Inter fosse além daquele estágio, onde os italianos, nos anos anteriores, costumavam tropeçar, havia toda a necessidade de não demonstrar fracasso diante do clube que o sacou após uma crise. E isso foi o oposto do que foi apresentado nas vitórias na ida e volta das oitavas de final. “Todas as coisas foram colocadas em um contexto. Era um sonho que todos na Inter estavam percorrendo. Provavelmente eu não, já que havia vencido a Champions anteriormente. Mas para todos eles… Era a última chance de alcançarem o sonho”, comentou.

“Foi o fim de uma geração. Acho que o clube continuaria persistindo até que conseguisse ser campeão da Champions. Era o sonho de todo mundo ali. Mas aconteceu para aquele grupo”, falou ainda. “Se não tivéssemos marcado aos 44 minutos do segundo tempo contra o Dynamo Kiev, teríamos dado adeus à competição na fase de grupos. Mas nós conseguimos passar. E ganhamos o torneio. Você precisa desses detalhes a seu favor, especialmente quando é algo inesperado. Aliás, não foi só aos 44 minutos. Foi, também, aos 41. Precisávamos vencer e estávamos perdendo por 1 a 0. Empatamos aos 41 e, em seguida, viramos. Isso no último minuto de jogo. Então, nós conseguimos!”, relembra o técnico.

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