Todos sabem que José Mourinho é um pragmático. Quando não tem um time à altura do adversário, na sua avaliação, fortalece a defesa, recua as suas linhas e espera um erro. Foi assim, por exemplo, no final do último Campeonato Inglês contra o Liverpool, no jogo da escorregada de Gerrard. Na atual temporada, os reforços deram ao Chelsea mais poder de fogo, o suficiente para dar ao seu time a aura de imbatível. Aura equivocada. Neste sábado, o Newcastle usou a tática do português para derrubar o líder da Premier League em St. James Park e vencer por 2 a 1.

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A comparação que estava na boca do povo na Inglaterra era entre esse Chelsea e o Arsenal da temporada 2003/04, campeão invicto. Os Blues caminharam nessa estrada até a 14ª rodada, com 11 vitórias e três empates, dois pontos a mais que os comandados de Wenger haviam somado na mesma altura do campeonato. Mas uma combinação de falta de inspiração, alguns erros defensivos e a dedicação dos donos da casa acabou com essa história.

A estratégia de Alan Pardew, técnico do Newcastle, contestado ao ponto de quase ser demitido no começo da temporada, ficou muito mais clara depois que Papiss Cissé abriu o placar, aproveitando um pouco a sorte. Cahill tentou cortar o cruzamento, mas a bola respingou para dentro da área. Apenas quatro minutos depois de sair do banco de reservas, o senegalês completou às redes.

O jogo se tornou um exercício de ataque contra defesa. O Chelsea tentando abafar, pressionar, fazer um gol de qualquer maneira, e o Newcastle segurando-se no precipício na ponta dos dedos. Com a genialidade de Fàbregas em campo, a habilidade de Hazard, a velocidade de Willian e Schürrle, além da força de vontade de Diego Costa, faltou repertório, principalmente depois que Drogba entrou em campo, e Mourinho fez de sua cabeça o alvo de todas as jogadas. A ordem era claramente levantar a bola para o seu cabeceio ao gol ou para o trabalho de pivô. Quase deu certo, em uma ajeitada que Diego Costa não conseguiu completar. E em outro lance Hazard acertou o pé da trave.

Novamente com um pouco de sorte, o Newcastle puxou o contra-ataque recolhendo uma bola que restou de uma trombada no meio-campo. Sissoko foi lançada nas costas da defesa e, mesmo caindo e pressionado por três defensores e o goleiro Courtois, rolou para Cissé marcar o segundo. O resultado parecia decidido, mas Steven Taylor cometeu falta dura na entrada da área. Fàbregas cobrou na cabeça de Drogba, que se antecipou à saída frágil do goleiro Jak Alnwick, segundo reserva, e descontou.

A pressão continuou, mas foi infrutífera. O Chelsea foi derrotado pela primeira vez neste Campeonato Inglês, e Mourinho ainda não sabe o que é vencer em St. James Park. Foi seu quinto jogo como treinador contra o Newcastle fora de casa, e agora o currículo mostra dois empates e três derrotas. Era um jogo complicado, contra um time que foi se reconstruindo ao longo do campeonato, ocupa a sétima colocação e mostrou que, no final das contas, a melhor equipe do país não é imbatível.