José Mourinho vive uma experiência diferente no Manchester United, já que sua família decidiu permanecer em Londres quando o português aceitou o novo emprego. Pega o trem para jantar na capital – viagem de 1h45min, segundo ele – às vezes volta na manhã do dia seguinte, às vezes no mesmo dia. Em Manchester, vive em um hotel que fica a dois minutos do prédio onde moram seus assistentes, com os quais compartilha noites, jantares e futebol na televisão. Sabemos disso porque Mourinho abriu as portas do United e de sua vida em Manchester para emissora de televisão portuguesa SIC notícias.

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Mourinho fala com o repórter quase desarmado – exceto com a cutucada que dá em Arsène Wenger, o que já faz parte da sua natureza. Mostra os campos de treinamento do Manchester United, seu escritório e até o leva para jantar com os assistentes. Mesmo à mesa, tem dificuldade para tirar o olho do confronto entre Benfica e Borussia Dortmund, pela Champions League. Como apaixonado por futebol, é fácil de se identificar.

A reportagem inteira tem 26 minutos e vale a pena ser vista na íntegra, mesmo que em várias assistidas, mas destacamos alguns trechos interessantes:

Alex Ferguson

“Depois da minha chegada, ele voltou a entrar (no Centro de Treinamento), voltou a visitar as pessoas, voltou a viajar conosco, uma vez. Ele respeita tanto que até se torna um pouco tímido. Temos que fazê-lo sentir-se querido. Na nossa cabeça, não existem fantasmas, complexos, nada disso”.

Quanto tempo fica no Manchester United?

“Três anos (de contrato). Acho que o clube percebeu a necessidade de dar alguma estabilidade.Acho que se conseguirmos, mesmo sem ser um sucesso massivo, mas com algum tipo de sucesso, vou ficar até quando quiserem que eu fique”.

Mudança de atitude

“Uma coisa é o Porto marcar no último minuto em Old Trafford, uma equipe de miúdos treinada por um miúdo, outra coisa é dois ou três anos depois, reagir de uma maneira diferente. Mas continuo indo para casa super chateado com uma derrota, continuo querendo trabalhar, analisar e voltar a ganhar, quase uma revolta pessoal quando as coisas saem mal”.

Contos do vestiário

“Em um jogo contra a Fiorentina (pela Inter), estávamos a perder e viramos o jogo, marcamos o gol da vitória ao minuto 90, 91, e depois a Fiorentina empatou no minuto 93. Vieram os jogadores de cabeça baixa. Em dois dias, voltaríamos para Florença para disputar a semifinal da Taça. Fui dar um pontapé em uma das camisas que estavam no chão. Escorreguei, cai no chão. Fechou um silêncio no vestiário. Não houve ninguém que se atrevesse a fazer algo comigo. E eu morto no chão”.

A contribuição de Mourinho para preparar o jantar, segundo o preparador de goleiros

“Ele corta queijo, coloca a mesa, leva o pãozinho, busca sua coca-cola”.