Mason Mount acaba de fazer sua primeira temporada completa na Premier League, e a quantidade de aprendizado que tirou deste primeiro ano na equipe principal do Chelsea o fez crescer significativamente em termos de preparação mental. Sua maior lição, entretanto, veio do confronto de Champions League contra o Bayern de Munique. A derrota por 7 a 1 no agregado foi dura aos Blues, mas um aprendizado necessário para o meia de 21 anos.

Em entrevista ao Sport Bible, Mount revelou o choque de realidade que teve ao enfrentar os bávaros, que viriam a ser os campeões da temporada 2019/20 da Liga dos Campeões. O meia Thiago, em especial, foi um adversário duro de encarar para o meia inglês.

“A Champions League está em outro nível. Os jogos parecem diferentes. O Bayern tem alguns jogadores de nível internacional inacreditáveis… Lewandowski, Kimmich, o Thiago no meio de campo. Eu não conseguia chegar perto dele. Eles moviam a bola tão rapidamente. Quando você enfrenta jogadores assim, você pensa: ‘Como é que vamos parar isso?’”, explicou Mount.

Segundo o jogador do Chelsea, este confronto contra os alemães foi, para ele, uma oportunidade de revelação pessoal: “Foi um grande momento, abriu meus olhos, fez eu perceber: ‘Este é o próximo nível, é aqui que você precisa estar’. E estou determinado a trabalhar duro para alcançar este nível”.

Mount pôde perceber desde o início a larga vantagem que o Bayern tinha sobre o Chelsea naquele confronto de oitavas de final e explicou a superioridade do oponente, destacando sobretudo a experiência acumulada de um elenco tão vencedor.

“O time do Bayern está junto há muito tempo, conhecem uns aos outros de trás pra frente, são todos jogadores de nível mundial que jogaram centenas de jogos. Copas do Mundo, Eurocopas, grandes finais de Champions League… Eles passaram por tudo isso, então tinham uma grande vantagem sobre nós, que éramos mais jovens. É claro que é difícil perder, mas quando você passa por um jogo como aquele, você aprende muito. Muito mais do que se vencesse por 3 a 0. Foi uma lição dura, mas tiramos muito daquela experiência e voltaremos mais fortes.”

Mason Mount, do Chelsea, e Thiago, do Bayern (Tobias Schwarz/AFP via Getty Images/OneFootball)

Formado nas categorias de base do Chelsea, a qual se juntou com apenas seis anos de idade, Mount teve suas primeiras chances como profissional em empréstimos. Em 2017/18, defendeu o Vitesse, dos Países Baixos. Já em 2018/19, foi destaque do Derby County, na segundona inglesa. Foi esta experiência positiva, sob o comando de Frank Lampard, hoje também seu técnico no Chelsea, que lhe garantiu um espaço no elenco dos Blues em 2019/20. Então, a pressão da Premier League caiu com tudo sobre seus ombros. A diferença foi notável para o jovem jogador, que, ainda assim, soube lidar bem com a transição.

“(O que aprendi foi) O quão forte você precisa ser como um jogador de futebol da Premier League, porque a intensidade é completamente diferente de qualquer outra liga. Você precisa produzir em todos os jogos, porque está jogando contra atletas de nível mundial, que sempre dificultarão as coisas para você. Eu definitivamente aprendi muito desta temporada, mais mentalmente do que fisicamente, porque você precisa sempre estar focado, e às vezes é difícil”, reconheceu.

O espaço que Mount teve na temporada passada pelo Chelsea não é algo muito comum ao clube, que ficou conhecido nos últimos anos por dar poucas oportunidades a seus jovens talentos. A verdade é que as circunstâncias forçaram os Blues a apostarem nas categorias de base, diante da impossibilidade de contratar devido a uma punição da Fifa. Neste embalo, diversos nomes tiveram vários minutos ao longo do ano, e Mount celebrou isso.

“Viver tudo isso com o Tammy (Abraham), o Fik (Fikayo Tomori), o Cal (Callum Hudson-Odoi), Reece (James) e o Billy (Gilmour) definitivamente ajudou. Isso nos manteve centrados, querendo trabalhar cada vez mais duro para disputar mais jogos e ter papeis maiores dentro do time”, refletiu.

“Se você tivesse nos perguntado no começo da temporada (passada), nunca teríamos pensado que teríamos um impacto tão grande na temporada. Foi brilhante”, completou.

A Mount e os outros talentos mencionados, Lampard adicionou, até agora, as contratações de Ziyech, Werner, Thiago Silva e Ben Chilwell, com Kai Havertz prestes a assinar oficialmente com os Blues. O elenco fortalecido e recheado de jovens de talento promissor é um bom ponto de partida para a nova fase que o Chelsea deseja inaugurar. Contanto que o equilíbrio seja mantido, a equipe tem tudo para brigar para entrar no pelotão de elite do futebol inglês, hoje composto apenas por Liverpool e Manchester City.