Mesmo aquele que nunca jogou algum game de futebol — o que, em um país como o Brasil, é culturalmente impossível — sabe que há dois jogos que monopolizam as atenções dos jogadores nos principais consoles do mercado, e que os mesmos softwares, em suas séries anteriores, já estão nessa acirrada disputa há pelo menos dez anos, com constantes alternâncias na liderança — embora por aqui, pareça que um dos games tem enorme vantagem sobre o concorrente. Falamos, obviamente, da famosa rivalidade entre Pro Evolution Soccer (PES) e FIFA, motivo constante de discussões entre fãs, semelhantes, inclusive, às vividas no início dos anos 90, entre “nintendistas” e “seguistas”.

Não se vai aqui, todavia, dizer quem é melhor que quem, até porque, dependendo da plataforma aonde se joga, cada um tem suas vantagens e desvantagens, e a escolha do “número um” fica a cargo dos leitores. O que se pretende discorrer é o porquê de terem justamente esses games estarem na posição que hoje ocupam, praticamente impedindo toda e qualquer possibilidade de uma terceira força nesse mercado, e se dividindo com tanta frequência no topo da “cadeia alimentar” dos fãs do futebol virtual, que, a bem da verdade, têm muito mais a ganhar do que a perder com isso.

Primeiramente, é legal ver o ambiente nos quais os jogos cresceram. FIFA, por exemplo, surgiu numa ocasião propícia, com muitos games futebolísticos pipocando, mas vinha com aquele que, talvez, fosse o principal diferencial — o nome. É inquestionável que um software desse gênero, que leve a alcunha da entidade máxima do desporto, e ainda por cima, com uma Copa do Mundo a caminho, teria interessante vantagem. Além disso, a visão isométrica veio como uma grande quebra aos demais games da época, propiciando uma melhor visibilidade para que se pudessem desenvolver as jogadas. Alia-se a isso, ainda, à presença do jogo nos principais consoles da época, e já se pode entender o porquê do “boom” inicial.

Mas a questão não é simplesmente chegar lá em cima, mas se manter por tanto tempo onde o ar é limpo. E para tal, FIFA precisou contar, primeiramente, com a capacidade de poder, a cada ano, apresentar algo novo, de alguma maneira. A inclusão gradual de ligas, clubes e a colocação de jogadores oficiais a partir da versão 96 foram alguns desses exemplos. Havia um aperto, claro, dos rivais da época, Actua Soccer e International SuperStar Soccer (ISS), mas a EA Sports conseguia surpreender a cada edição, e o fez em 98, com o aprimoramento gráfico e da trilha sonora (agora também licenciada), derrubando de vez a concorrência. Pelo menos até então.

Paralelamente a isso, a Konami não conseguia emplacar, nos consoles posteriores à geração 16 bits, a série ISS. Apesar de as versões para Nintendo 64 serem bastante bonitas e de boa jogabilidade, a própria dificuldade que o hardware teve para se estabelecer no mercado impediu uma progressão da franquia. Era evidente que os japoneses teriam que pensar em uma nova estratégia para voltar à batalha. E aí ocorreu o que talvez possa ser considerada a principal sacada desse caso. Afinal embora já tivesse começado, no meio dos anos 90, com o Winning Eleven (WE) em sua sede em Tóquio, a Konami não parou de produzir alguma novidade para o ISS, que chegou, inclusive, à era Game Cube na Nintendo.

Dentro disso, relembremos, ainda, que WE/PES e ISS são constantemente confundidos um com o outro, como se o primeiro fosse uma continuação do segundo, embora esta coluna já tenha mostrado que ambos surgiram de maneiras diferentes. No entanto, a forma como o estilo Pro Evolution Soccer adentrou o mundo ocidental, praticamente como uma procriação automática de International SuperStar Soccer (lembram-se de ISS Pro 98, para Playstation?), fez com que o “surgimento” da nova série japonesa não viesse como uma estranha no ninho, mas contextualizada como uma espécie de continuação de ISS. Como a antiga franquia da Konami já estava enraizada no jogador usual — decepcionado pela falta de opção e acesso com a Nintendo na época —, ingressar no que hoje conhecemos como PES foi extremamente natural.

Já a manutenção da série se deu com a percepção de como se poderia tentar bater FIFA. Enquanto a versão 98 do game da EA Sports investiu nas eliminatórias da Copa do Mundo da França — e varreu o mercado com isso —, os japoneses foram para o meio clubístico, criando a Master League. O maior acerto que poderiam fazer, diga-se de passagem, afinal, mexia-se ali diretamente com o amor do torcedor pelo time do coração e com o carinho do fã de futebol com os grandes times do planeta. Com o aprimoramento, ano a ano, da função, o jogo conseguiu criar um modo suficientemente forte para, aproveitando-se da queda de rendimento do então líder FIFA no princípio dos anos 2000, até pela acomodação da falta de concorrência, tomar a ponta e, especificamente aqui no Brasil, assumir o posto de game de futebol virtual favorito.

O crescimento da indústria de games, por sua vez, deveria fazer com que outros jogos pudessem surgir e, de alguma forma, fazer frente aos “dois grandes” do meio, certo? Não é bem assim. Justamente essa expansão fez com que tanto Konami como Eletronic Arts investissem muito forte nos dois games, em busca da liderança do mercado. A quantia financeira que hoje faz parte das campanhas, tanto publicitária como na produção do jogo em si chega a níveis tais que impede qualquer real concorrência.

Praticamente desde 2000, quando os japoneses se igualaram à EA Sports na briga, é esse o cenário, e não há previsão para mudanças, especialmente porque, diferentemente de qualquer outra rivalidade que tenha se estabelecido no meio virtual, tratam-se agora de dois gigantes efetivados no mercado. No final, apesar de não se haver lá tantas opções disponíveis, não se pode reclamar da ótima diversão que ambos, dentro de suas qualidades e defeitos, proporcionam. De qualquer maneira, sempre é bom ter uma brisa fresca em um ar já tórrido por tantas disputas. Fiquemos de olho em possíveis boas novidades.

Já nos PCs…

Falar hoje em jogos de futebol para computador é falar em Football Manager (FM). Ponto final. E a explicação é até bem simples, se a análise for bem fria. Por mais que já há um tempo existam joysticks para PC, o usual, seja para games de esporte ou para algum de outra área (SinCity, The Sims ou Age of Empires, por exemplo), é que se utilize o teclado e o mouse para comandar as ações. O que dificulta bastante a jogabilidade quando se tenta jogar PES ou FIFA. Assim como FM é complexo demais, até por suas variadas opções de tática, controle financeiro, etc., para ser efetivamente jogado em um Playstation ou Xbox. Basta dizer que jogos desse estilo não costumam fazer muito sucesso nas plataformas caseiras. LMA Manager ainda é um dos raros bons títulos, mas nada demais no mercado.

É bem verdade que, no princípio que antecedeu o “boom” dos jogos manager, FIFA era um dos campeões de vendas para PC. No entanto, diferentemente do jogador de FM, o de FIFA quer ação, movimento, lutar pelo gol, pela jogada, ter variadas opções de onde encaixar a bola e como efetuar o drible. Algo que complica muito quando se passa a ter que dominar isso tudo em um teclado. E quanto mais isso foi sendo aperfeiçoado, e conforme o Championship Manager (CM) — precursor de FM — ia ganhando espaço no mercado, houve uma reação natural: mais “paradão”, tático, passível de raciocínio e observação, os games manager foram assumindo a preferência no meio dos computadores, enquanto, embora não deixassem de produzir versões para PC, FIFA e companhia ficaram mesmo nos consoles.

Vendagens das últimas duas semanas (apenas jogos de futebol)

Certamente, ao observar a lista, quem já está acostumando com a relação de vendas vai se assustar em ver que, na última semana, um game futebolístico apareceu entre os mais vendidos do Nintendo Wii. Trata-se do novo Winning Eleven Play Maker 2009, pelo qual este colunista admite ter sido pego de surpresa. Basicamente, é um WE em que, utilizando-se os famosos “controles-remotos” do console nintendista, determina-se para onde posicionar o jogador e encaminhar a bola. Este que vos escreve promete obter novidades acerca do game para repassá-las aos leitores.

Fonte: Gamasutra

Xbox 360 – Reino Unido (EUA)
1. FIFA 09 (EA Sports), 2. Grand Theft Auto IV (Rockstar), 3. Left 4 Dead (EA Games), 4. Fable II (Microsoft), 5. Resident Evil 5 (Capcom).

PlayStation 3 – Reino Unido (EUA)
1. LittleBigPlanet (SCEE), 2. Killzone 2 (SCEE), 3. Resident Evil 5 (Capcom), 4. Grand Theft Auto IV (Rockstar), 5. FIFA 09 (EA Sports).

PlayStation 2 – Reino Unido (EUA)
1. SingStar: Queen (SCEE), 2. SingStar: ABBA (SCEE), 3. FIFA 09 (EA Sports), 4. SingStar '80s (SCEE), 5. Guitar Hero III: Legends of Rock — Guitar Bundle (Activision).

PC – Reino Unido (EUA)
1. Football Manager 2009 (Sega), 2. World of Warcraft: Wrath of the Lich King (Blizzard), 3. Empire: Total War (Sega), 4. Battlefield 2: The Complete Collection (EA Games), 5. The Sims 2: Apartment Life (EA Games).

PlayStation Portable – Reino Unido (EUA)
1. FIFA 09 (EA Sports), 2. Grand Theft Auto: Vice City Stories — Platinum Edition (Rockstar), 3. Grand Theft Auto: Liberty City Stories — Platinum Edition (Rockstar), 4. Resistance: Retribution (SCEE), 5. Football Manager 2009 (Sega).

Dados de 15 de maio (2ª semana)

Nintendo Wii – Japão
1. Wii Fit (Nintendo), 2. Winning Eleven Play Maker 2009 (Konami), 3. Shape Boxing: Wii de Enjoy Diet! (Rocket Company), 4. Wii Sports (Nintendo), 5. Mario Kart Wii (Nintendo).

Xbox 360 – Reino Unido (Europa)
1. FIFA 09 (EA Sports), 2. Gears of War 2 (Microsoft), 3. Grand Theft Auto IV (Rockstar), 4. Left 4 Dead (EA Games), 5. Resident Evil 5 (Capcom).

PlayStation 2 – Reino Unido (Europa)
1. SingStar: Queen (SCEE), 2. SingStar: ABBA (SCEE), 3. FIFA 09 (EA Sports), 4. SingStar '80s (SCEE), 5. Shin Megami Tensei: Persona 4 (Square Enix).

PC – Reino Unido (Europa)
1. Football Manager 2009 (Sega), 2. Empire: Total War (Sega), 3. World of Warcraft: Wrath of the Lich King (Blizzard), 4. Warhammer 40,000: Dawn of War II (THQ), 5. Spore (EA Games).

PlayStation Portable – Reino Unido (EUA)
1. FIFA 09 (EA Sports), 2. Football Manager 2009 (Sega), 3. Grand Theft Auto: Vice City Stories — Platinum Edition (Rockstar), 4. Tiger Woods PGA Tour 09 (EA Sports), 5. Ratchet & Clank: Size Matters — Platinum Edition (SCEE).