Morreu o colombiano autor do único gol olímpico em Copas do Mundo. E foi contra Yashin

Marcos Coll, autor do histórico gol no empate por 4 a 4 contra a União Soviética, em 1962, faleceu aos 81 anos

Marcos Coll foi um meia colombiano, campeão nacional com o Independiente Medellín, em 1955, filho do árbitro que apitou o primeiro jogo profissional do país, Elias Coll, e membro da seleção que disputou a primeira Copa do Mundo da história da Colômbia, em 1962. Morreu, aos 81 anos, vítima de problemas pulmonares, dias depois de seu maior feito completar 55 anos: o gol olímpico contra Lev Yashin, no empate por 4 a 4 com a União Soviética, no Mundial do Chile.

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De acordo com a Fifa, este foi o único gol marcado diretamente de uma cobrança de escanteio na história da competição que é realizada desde 1930. A partida valia pela segunda rodada da fase de grupos, em 3 de junho de 1962. A União Soviética, uma das potências da época, abriu 4 a 1, no começo do segundo tempo, e encaminhou a vitória. No entanto, aos 23 minutos da etapa final, Coll cobrou um escanteio à média altura, na primeira trave, e enganou o lendário goleiro Yashin. O gol deu combustível para os colombianos buscarem o empate, com tentos de Antonio Rada e Marino Klinger. Foi o único ponto conquistado pela Colômbia naquela Copa do Mundo.

“Nosso ataque terminou em um escanteio, pela esquerda. Eu era encarregado de batê-lo por este lado. Na direita, quem batia era ‘Zipa’ González. Eu batia bem, com curva. Mas foi o primeiro que eu cobrei nessa partida. Em campo, não estava Delio Gamboa, que era um bom cabeceador. Então, pensei em cobrar à meia altura, com curva, para ver o que acontecia. Esperava uma confusão na área e que Antonio Rada pegasse o rebote, ele batia forte na bola. E a bola foi…”, afirmou, em entrevista à revista Don Juan.

Coll disse que a URSS perdeu o controle, graças a este gol, e que a Colômbia poderia até mesmo ter virado a partida, não fosse uma defesa de Yashin em tentativa de Rada. “Este gol serviu para que o mundo soubesse que havia um país chamado Colômbia”, disse. “Nunca tentei marcar um gol olímpico. Nem antes, nem nesse dia e nem depois. Acho que é difícil. Por isso, acredito que este gol foi uma obra de Deus”.

Ainda mais porque foi contra Yashin, o melhor goleiro da época e o único da sua posição a conquistar a Bola de Ouro da revista France Football. Apesar do empate, a Colômbia não conseguiu seguir em frente na competição e foi eliminada, na rodada seguinte, ao levar 5 a 0 da Iugoslávia. E Coll seguiu sua carreira, que terminou em 1971, com o Júnior de Barranquilla, clube da cidade em que morreu, na última segunda-feira, como parte importante da história do futebol colombiano e mundial.