Moratti explicou como a famosa voadora atrapalhou a ida de Cantona à Inter

Em ótima entrevista ao Corrieri dello Sport, ex-presidente da Inter falou sobre seus antigos interesses em Cantona, Roberto Mancini e Totti

Eric Cantona ajudou o Manchester United a se firmar como uma máquina de conquistar títulos na Premier League, ao lado de Alex Ferguson. O francês ergueu quatro vezes a taça do Campeonato Inglês em cinco temporadas pelo clube. A única vez em que a glória escapou foi justamente na temporada em que o craque arredio acertou uma voadora no torcedor do Crystal Palace que o provocava, abrindo o caminho para o Blackburn de Alan Shearer se consagrar. Um ato que também impediu a sua transferência à Internazionale.

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Presidente da Inter por 18 anos, Massimo Moratti concedeu uma grande entrevista ao Corriere dello Sport, falando sobre a sua passagem pelo clube. E revelou que Cantona, ao lado de Roberto Mancini, era o seu principal alvo para causar grande impacto após comprar o clube, que já tinha administrado por seu pai nos anos de ouro da década de 1960. O episódio no Selhurst Park, contudo, impediu o negócio.

“A primeira ideia que tinha quando comprei o clube era contratar Cantona e Mancini. Por Cantona eu tinha o negócio amarrado, mas estava em Londres naquele chute de kung fu contra o torcedor do Crystal Palace e ele decidiu permanecer em Manchester. Quanto a Mancini, a Sampdoria não queria vendê-lo, porque haveria uma revolta popular dos torcedores do clube. Teria sido uma dupla de ataque fantástica, digna das tradições da Inter”, declarou Moratti.

Em dezembro de 1996, quando Moratti ainda cortejava Cantona, o francês chegou a declarar: “Eu tinha contatos bastante frequentes com a Inter, mas decidir ficar. Manchester para mim é como uma mulher ideal. É difícil abandonar a mulher que se ama. Talvez quando o amor acabar”.

Moratti-e-Ronaldo

Sem Cantona e Mancini, Moratti então buscou Ronaldo, um de seus desejos desde quando ainda estava no PSV: “Ronaldo foi o meu melhor investimento nos 18 anos que estive na Inter, porque nos abriu um mundo: era fortíssimo, inalcançável por talento e velocidade. Ninguém pensa que pudéssemos contratá-lo, porque era do Barcelona”.

Já nos anos 2000, outro craque que entrou na mira dos nerazzurri foi Totti, embora tenha passado longe de Milão: “Estava em Roma com o presidente Sensi em 2007, fechando com Chivu, e perguntei se ele quisesse vender Totti, só precisava me indicar o valor. Mas ele não quis pensar um segundo sequer, respondendo que nunca o venderia. E ele tinha razão, mesmo que ganhasse uma fortuna, porque Totti é um jogador extraordinário”.

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Por fim, Moratti rasgou elogios a Ibrahimovic: “Ele tem dons extraordinários, mas principalmente te faz vencer. Como nos três scudetti seguidos. Ibrahimovic era tão convincente que, depois do último treinamento antes de assinar com o Barcelona, saudou a todos dizendo: foi tudo muito bom com vocês, mas vocês não vão ganhar mais nada sem mim. Felizmente, não aconteceu”, conta, recordando também do sucesso de José Mourinho na sequência. “Sempre me recordou Helenio Herrera. Trabalhador, sério, consciente, sempre ponto para defender o clube. E vencer. Ele poderia voltar a Milão depois de conquistar a Champions, mas ninguém é perfeito”.

Ao longo de sua passagem pela Internazionale, a constelação de craques contratados por Moratti inclui: Javier Zanetti, Roberto Carlos, Diego Simeone, Iván Zamorano, Álvaro Recoba, Roberto Baggio, Christian Vieri, Fabio Cannavaro, Adriano, Luis Figo, Patrick Viera, Samuel Eto’o e Wesley Sneijder. Renderam cinco títulos da Serie A, uma Champions League, uma Copa da Uefa e um Mundial de Clubes.