A primeira vez que a África realmente impôs algum respeito no futebol internacional foi na Copa de 1978, quando a Tunísia vence o México e empatou com a Alemanha Ocidental. Antes disso, os africanos apenas protagonizavam poucos resultados expressivos e uma série de derrotas. Por isso, quando 22 países africanos decidiram boicotar os Jogos de Montreal devido à presença da Nova Zelândia (que teria demonstrado apoio ao regime racista da África do Sul ao excursionar por esse país), o nível técnico do futebol olímpico não foi fortemente abalado. Mesmo assim, houve o desconforto de ver uma competição com três participantes a menos (Nigéria, Gana e Zâmbia) devido a problemas políticos.

Dessa vez, o Brasil montou uma equipe mais forte, que poderia até pensar em medalha. Jogadores que teriam passagem pela seleção principal como o goleiro Carlos, o zagueiro Edinho, o volante Batista e o lateral Rosemiro estavam no Canadá. E, na primeira fase, a seleção teve excelentes resultados, vencendo a Espanha de Arconada e empatando com a forte Alemanha Oriental, resultados que garantiram o primeiro lugar ao Brasil no grupo que teria ainda a Nigéria.

No Grupo B, a França de Platini, Battiston e Luis Fernandez ficou em primeiro, seguida por Israel, México e Guatemala. Na chave que teria Gana, passaram Polônia e Irã, com Cuba ficando de fora. Por fim, União Soviética e Coréia do Norte desclassificaram os anfitriões (Zâmbia desistiu).

Nas quartas-de-final (a fórmula de disputa adotada em Munique, com dois grupos semifinais foi abandonada), o Brasil goleou Israel e garantiu uma vaga nas semifinais do futebol pela primeira vez em uma edição dos Jogos Olímpicos. Com dificuldade, a União Soviética bateu o Irã. Mais tranqüilas foram as vitórias de Alemanha Oriental sobre a França (4×0) e da Polônia sobre a Coréia do Norte (5×0).

A esperança do primeiro ouro olímpico do futebol brasileiro acabou com dois gols do polonês Szarmach nas semifinais. E, no final, o Brasil acabou sem medalha alguma, pois perdeu por outro 0x2 para a União Soviética na disputa do bronze. A decisão foi favorável à Alemanha Oriental, que se mostrou superior à Polônia e venceu por 3×1. Foi a maior conquista do futebol alemão-oriental e o único ouro olímpico conquistado por alemães, mesmo que a história dê à atual Alemanha os créditos do lado ocidental.

FICHA TÉCNICA
Alemanha Oriental 3×1 Polônia
Local:
estádio Olímpico (Montreal-CAN)
Público: 71.617
Árbitro: Ramón Barreto (Uruguai)
Alemanha Oriental: Croy; Dörner; Weise, Kische e Lauck; Kurbjuweit, Häfner e Schade; Löwe (Gröbner), Riediger (Bransch) e Hoffmann
Polônia: Tomaszewski (Mowlik); Wieczorek; Stymanowski, Zmuda e Wawrowski; Maszczyk, Deyna e Kasperczak; Lato, Szarmach e Kmiecik
Gols: Schade (7/1º), Hoffmann (14/1º), Lato (15/2º) e Häfner (39/2º)

Classificação final: 1º Alemanha Oriental, 2º Polônia, 3º União Soviética, 4º Brasil, 5º França, 6º Israel, 7º Irã, 8º Coréia do Norte, 9º México, 10º Guatemala, 11º Cuba, 12º Canadá, 13º Espanha.

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